Berliner Boersenzeitung - ONU defende priorizar direitos das mulheres e não o aumento da população mundial

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ONU defende priorizar direitos das mulheres e não o aumento da população mundial
ONU defende priorizar direitos das mulheres e não o aumento da população mundial / foto: Oindree Mukherjee - AFP/Arquivos

ONU defende priorizar direitos das mulheres e não o aumento da população mundial

A ONU pediu aos governos nesta quarta-feira (19) que se concentrem em defender o direito das mulheres de dispor livremente de seus corpos, em vez de se preocuparem com o aumento da população mundial, que ultrapassou 8 bilhões de pessoas.

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Em vez de se preocupar se há pessoas demais na Terra, com previsão de alcançar a marca de 10,4 bilhões até o ano de 2080, o mundo deveria se preocupar com as dificuldades das mulheres em exercer seus direitos reprodutivos, destacou o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), especializado em questões de saúde sexual e reprodutiva.

Natalia Kanem, à frente da organização, considera "falso" acreditar que o aquecimento global se deve à proliferação de seres humanos em um planeta com recursos limitados.

Ela destaca que os países com maiores taxas de fertilidade são os que menos contribuem para o aquecimento global e, ao mesmo tempo, os que mais sofrem com as suas consequências.

Em seu relatório anual sobre a situação da população mundial, o UNFPA observa que a ideia de que a população mundial se tornou excessiva é generalizada.

A organização considera que o fato de ter ultrapassado a marca dos 8 bilhões de seres humanos na Terra "deve ser motivo de felicitações", porque demonstra "os avanços históricos da humanidade nos domínios da medicina, ciência, saúde, agricultura e educação".

- Índia à frente da China -

"A população mundial está se reorganizando rapidamente", disse Kanem à imprensa. Embora o total atinja níveis recordes, "a taxa média mundial de fertilidade é a mais baixa de que se tem memória".

A classificação dos países mais populosos do mundo mudará nos próximos 25 anos, com a Índia destronando a China como número um.

A Índia vai alcançar 1,428,6 bilhão de habitantes em meados do ano, superando a marca de 1,425,7 bilhão da China, de acordo com o UNFPA.

Diante do declínio da população da China, depois de encerrar sua rígida política do filho único em 2016, Pequim disse que estava promovendo "a política de três filhos por família com medidas de apoio" e respondendo "ativamente às mudanças no desenvolvimento populacional".

Oito países serão responsáveis por metade do crescimento populacional mundial até 2050: República Democrática do Congo (RDC), Egito, Etiópia, Índia, Nigéria, Paquistão, Filipinas e Tanzânia.

Ao mesmo tempo, dois terços da população mundial vivem em países com baixa taxa de fertilidade. Segundo Kanem, é "a primeira vez na história da humanidade" que a população não aumenta em todos os países do planeta.

Os países com a maior taxa de fertilidade estão todos na África: Níger, Chade, RDC, Somália, Mali e República Centro-Africana.

As menores taxas são observadas na Coreia do Sul, Hong Kong, Singapura, Macau, San Marino, Aruba e China.

A Europa é a única região que registrará uma queda da população global até 2050.

A taxa de fertilidade mundial é atualmente de 2,3 filhos por mulher. A expectativa de vida é de 71 anos para os homens e 76 para as mulheres. "Desde 1990, a expectativa média de vida aumentou cerca de dez anos", diz Natalia Kanem.

Um quarto da população mundial tem 14 anos ou menos, 65% tem entre 15 e 64 anos e 10% tem 65 anos ou mais.

- Direitos e eleições -

O relatório pede uma mudança radical de pensamento sobre a demografia, concentrando-se nos direitos das mulheres.

O texto confirma que os governos adotam cada vez mais políticas voltadas para o aumento, redução ou manutenção das taxas de fertilidade.

Mas esses esforços geralmente são ineficazes. Segundo Natalia Kanem, a questão não é tanto saber se a população mundial é excessiva, mas sim ver se "todos podem exercer o seu direito fundamental de escolher o número de filhos" e o período entre um nascimento e outro.

A resposta é negativa para 44% das mulheres. Em muitos casos, "elas não podem escolher sua contracepção ou seus cuidados de saúde, ou decidir se e com quem querem ter relações sexuais. Em todo o mundo, quase metade de todas as gestações é indesejada".

Natalia Kanem observa nesse sentido que, a cada ano, meio milhão de meninas entre 10 e 14 anos dão à luz.

(Y.Yildiz--BBZ)