Berliner Boersenzeitung - Dor e esperança antecedem julgamento em Londres sobre tragédia de Mariana

EUR -
AED 4.316515
AFN 74.63132
ALL 95.340551
AMD 434.884189
ANG 2.103761
AOA 1078.981832
ARS 1629.065029
AUD 1.623627
AWG 2.115651
AZN 2.001714
BAM 1.9505
BBD 2.367956
BDT 144.526701
BGN 1.960623
BHD 0.444291
BIF 3502.468771
BMD 1.175362
BND 1.488449
BOB 8.123893
BRL 5.809337
BSD 1.175701
BTN 111.239286
BWP 15.732188
BYN 3.320165
BYR 23037.085439
BZD 2.364565
CAD 1.601013
CDF 2720.962103
CHF 0.915794
CLF 0.026759
CLP 1053.017944
CNY 8.02813
CNH 8.006568
COP 4351.540889
CRC 536.440191
CUC 1.175362
CUP 31.14708
CVE 109.966218
CZK 24.332745
DJF 209.36027
DKK 7.473066
DOP 70.038084
DZD 155.368674
EGP 61.882552
ERN 17.630423
ETB 183.576136
FJD 2.565823
FKP 0.865797
GBP 0.864214
GEL 3.162383
GGP 0.865797
GHS 13.227005
GIP 0.865797
GMD 85.801212
GNF 10318.919241
GTQ 8.974578
GYD 245.930751
HKD 9.209422
HNL 31.256076
HRK 7.533123
HTG 153.84647
HUF 358.824958
IDR 20362.315269
ILS 3.412786
IMP 0.865797
INR 110.906874
IQD 1539.960385
IRR 1546775.736488
ISK 143.606075
JEP 0.865797
JMD 185.24825
JOD 0.833307
JPY 183.761302
KES 151.860782
KGS 102.750687
KHR 4712.176806
KMF 494.238283
KPW 1057.82946
KRW 1700.965573
KWD 0.36187
KYD 0.979734
KZT 544.428453
LAK 25826.718043
LBP 105283.991858
LKR 376.375773
LRD 215.742901
LSL 19.164747
LTL 3.470537
LVL 0.710964
LYD 7.441844
MAD 10.79497
MDL 20.210003
MGA 4898.669306
MKD 61.591323
MMK 2467.729355
MNT 4207.382242
MOP 9.488878
MRU 46.924305
MUR 54.983004
MVR 18.16523
MWK 2038.652239
MXN 20.260893
MYR 4.613297
MZN 75.106713
NAD 19.164828
NGN 1600.924649
NIO 43.262271
NOK 10.896918
NPR 177.982658
NZD 1.971998
OMR 0.451934
PAB 1.175701
PEN 4.101439
PGK 5.11211
PHP 71.390314
PKR 327.579561
PLN 4.233068
PYG 7195.449713
QAR 4.286055
RON 5.268438
RSD 117.386859
RUB 88.153238
RWF 1719.221502
SAR 4.409748
SBD 9.440807
SCR 16.142244
SDG 705.802097
SEK 10.8373
SGD 1.49074
SHP 0.877526
SLE 28.943299
SLL 24646.738509
SOS 671.871643
SRD 43.971436
STD 24327.610045
STN 24.433509
SVC 10.287006
SYP 130.704545
SZL 19.158863
THB 37.901293
TJS 10.986901
TMT 4.119642
TND 3.416019
TOP 2.829989
TRY 53.151377
TTD 7.967319
TWD 36.880562
TZS 3046.752042
UAH 51.548119
UGX 4420.969266
USD 1.175362
UYU 47.241643
UZS 14196.367585
VES 580.033802
VND 30941.391539
VUV 138.986999
WST 3.200022
XAF 654.176796
XAG 0.015178
XAU 0.00025
XCD 3.176473
XCG 2.118934
XDR 0.818555
XOF 654.179571
XPF 119.331742
YER 280.431257
ZAR 19.253655
ZMK 10579.665595
ZMW 22.25045
ZWL 378.465924
Dor e esperança antecedem julgamento em Londres sobre tragédia de Mariana
Dor e esperança antecedem julgamento em Londres sobre tragédia de Mariana / foto: DOUGLAS MAGNO - AFP

Dor e esperança antecedem julgamento em Londres sobre tragédia de Mariana

A pequena Emanuele Vitória, de cinco anos, estava com o pai e o irmão em casa quando uma enxurrada incontrolável de lama soterrou Bento Rodrigues, distrito de Mariana, em Minas Gerais.

Tamanho do texto:

Seu corpo foi encontrado cinco dias depois a quilômetros dali.

"Parecia que nosso mundo estava acabando", conta à AFP sua mãe, Pamela Fernandes, ao lembrar os dias do pior desastre ambiental da história do Brasil.

A tragédia aconteceu em 5 de novembro de 2015, com o rompimento da barragem de rejeitos de minério de ferro da companhia Samarco, de copropriedade da brasileira Vale e da australiana BHP.

Na próxima segunda-feira, um mega-julgamento em Londres levará a BHP para o banco dos réus, em um processo que se anuncia longo.

Com o rompimento da barragem, vazaram 40 milhões de metros cúbicos de lama tóxica, um volume que daria para encher 12.000 piscinas olímpicas.

A enxurrada de cor ocre se avançou por uma dezena de povoados próximos à cidade histórica de Mariana. Mas atingiu sobretudo Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo.

Emanuele Vitória foi uma das 19 vítimas fatais da catástrofe.

Nove anos depois, seu rosto sorridente estampa a camiseta vestida por sua mãe, junto com a frase: "Não foi fatalidade, não foi destino. Foi crime".

O processo em Londres "é minha única esperança" de conseguir justiça "porque aqui no Brasil eu já perdi", suspira Pamela, de 30 anos, na casa onde mora hoje, em Cachoeira do Brumado, a 45 km de Bento Rodrigues.

"Uma coisa assim não pode ficar impune", acrescenta.

- Perder as raízes -

A enxurrada de rejeitos de minério altamente contaminantes arrastou pelo caminho as casas de mais de 600 pessoas.

Mauro Marcos da Silva perdeu a dele e a dos pais, onde sua família viveu por várias gerações.

"Literalmente nasci aqui", relata este mecânico robusto, de 55 anos, enquanto aponta para uma das paredes da antiga casa da família que ficaram de pé.

Hoje, em Bento Rodrigues há apenas ruínas tomadas pela vegetação e é proibido voltar a se estabelecer ou construir no povoado. Para Marcos, não poder voltar "é como se eles tivessem nos apunhalado e deixado o punhal cravado".

"Aqui estão minhas raízes, meus antepassados", diz. "O pertencimento, o vínculo com os amigos, com a família, isso o dinheiro não paga e não vai ser reconstruído em lugar algum".

A família de Mônica dos Santos também perdeu sua casa. Ela agora trabalha como assessora técnica de uma organização de defesa das vítimas.

Esta advogada de 39 anos não tem dúvidas de que na mineradora "sabiam que a barragem estava com problemas, sabiam o que precisava ser feito e simplesmente não fizeram".

Segundo ela, o acordo proposto no Brasil aos afetados "vai dar errado" porque "não teve nenhum atingido que sentou na mesa" para discuti-lo.

Por isso, ela tem muitas expectativas sobre o processo que começa na segunda-feira. "A gente espera muito, muito, muito que a justiça inglesa, que a corte inglesa faça o que a justiça brasileira não fez até o momento".

- Nove anos depois -

Na catástrofe de Mariana, o lamaçal invadiu o curso do rio Doce e avançou por 670 km até o Atlântico, acabando completamente com o ecossistema fluvial.

As atividades econômicas vinculadas ao rio também morreram e pelo menos 6.000 famílias de pescadores ficaram sem sustento.

Uma equipe de cientistas constatou recentemente contaminação por metais procedentes do vazamento na foz do rio Doce e no litoral do Espírito Santo e no sul da Bahia.

Entre os animais afetados há peixes, aves, tartarugas, botos e até mesmo baleias, segundo um informe divulgado em setembro pelo governo.

Em Londres, a ação reivindica da BHP 35 bilhões de libras (US$ 45,7 bilhões, aproximadamente R$ 260 bilhões).

São 620.000 demandantes, entre eles comunidades indígenas, municípios, empresas e instituições religiosas.

A BHP assegura que mais de 200.000 já receberam indenizações e que a fundação Renova, que gerencia os programas de compensação e ajuda no Brasil, já pagou mais de 7,8 bilhões de dólares (cerca de R$ 44 bilhões).

Quase uma década depois, em um reassentamento para os afetados denominado Novo Bento Rodrigues, construído mais perto de Mariana, veem-se casas parcialmente inacabadas e ruas com caminhões de obra no lugar de carros de passeio.

(T.Renner--BBZ)