Berliner Boersenzeitung - Tragédia no Nepal e Tibete: mais de 380 mortos e três portugueses desaparecidos

EUR -
AED 4.115293
AFN 71.716802
ALL 90.889063
AMD 403.262738
ANG 2.005577
AOA 1028.68237
ARS 1712.583673
AUD 1.594208
AWG 2.019825
AZN 1.909415
BAM 1.955135
BBD 2.254133
BDT 138.942707
BGN 1.958565
BHD 0.422556
BIF 3358.656784
BMD 1.120569
BND 1.429813
BOB 13.570381
BRL 6.09601
BSD 1.119219
BTN 106.210848
BWP 15.462737
BYN 3.296778
BYR 21963.14421
BZD 2.250834
CAD 1.565939
CDF 2594.116673
CHF 0.923171
CLF 0.02827
CLP 1112.6354
CNY 7.464224
CNH 7.453242
COP 3545.793087
CRC 508.926772
CUC 1.120569
CUP 26.859857
CVE 110.227481
CZK 24.44637
DJF 199.292165
DKK 7.504901
DOP 67.83691
DZD 151.497433
EGP 62.45874
ERN 16.808529
ETB 180.682
FJD 2.514224
FKP 0.836758
GBP 0.836432
GEL 2.917805
GGP 0.836758
GHS 13.038562
GIP 0.836758
GMD 82.922473
GNF 9905.628333
GTQ 8.556088
GYD 234.59015
HKD 8.791813
HNL 30.081761
HRK 7.58514
HTG 146.63009
HUF 367.479695
IDR 20312.714773
ILS 3.523696
IMP 0.836758
INR 106.35597
IQD 1696.622506
IRR 2093687.147765
ISK 136.519303
JEP 0.836758
JMD 177.849464
JOD 0.794527
JPY 176.559592
KES 145.440495
KGS 97.99227
KHR 4566.445678
KMF 494.171137
KPW 1008.51168
KRW 1494.188988
KWD 0.348688
KYD 0.932683
KZT 507.457272
LAK 25198.422989
LBP 100221.586689
LKR 372.263289
LRD 190.255241
LSL 18.651351
LTL 3.308748
LVL 0.677821
LYD 7.194551
MAD 11.004454
MDL 20.033181
MGA 5062.276908
MKD 61.554048
MMK 2352.778697
MNT 4033.503154
MOP 9.043722
MRU 45.382553
MUR 52.980907
MVR 17.313208
MWK 1940.239583
MXN 21.05117
MYR 4.547496
MZN 71.615961
NAD 18.651351
NGN 1508.812401
NIO 41.185981
NOK 10.31876
NPR 169.937157
NZD 1.98612
OMR 0.428844
PAB 1.119319
PEN 3.873681
PGK 5.093266
PHP 71.4525
PKR 309.618113
PLN 4.423165
PYG 6556.768215
QAR 4.079811
RON 5.358787
RSD 117.480012
RUB 89.982772
RWF 1652.137647
SAR 4.207062
SBD 9.029773
SCR 16.419111
SDG 674.026121
SEK 11.010935
SGD 1.432987
SHP 0.838561
SLE 25.665129
SLL 23497.767811
SOS 639.5823
SRD 42.155234
STD 23193.507231
STN 24.491664
SVC 9.792667
SYP 14569.632352
SZL 18.645653
THB 37.788977
TJS 10.301993
TMT 3.92199
TND 3.346861
TOP 2.69806
TRY 55.954252
TTD 7.588417
TWD 36.55452
TZS 2965.790508
UAH 50.761722
UGX 4756.381028
USD 1.120569
UYU 44.994685
UZS 13423.430948
VES 994.481985
VND 28914.591409
VUV 132.928979
WST 3.110942
XAF 655.957
XAG 0.022814
XAU 0.000289139815
XCD 3.028393
XCG 2.017013
XDR 0.7923
XOF 655.957
XPF 119.331742
YER 264.68232
ZAR 18.735565
ZMK 10086.465938
ZMW 22.568318
ZWL 360.822626
SSP 6437.91038
MXV 2.372582
Tragédia no Nepal e Tibete: mais de 380 mortos e três portugueses desaparecidos
Tragédia no Nepal e Tibete: mais de 380 mortos e três portugueses desaparecidos

Tragédia no Nepal e Tibete: mais de 380 mortos e três portugueses desaparecidos

As autoridades do Nepal elevaram o número de mortos para pelo menos 389 após uma grande enxurrada causada pelo colapso de um glaciar na fronteira com o Tibete. O Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou a presença de três cidadãos portugueses entre os desaparecidos, enquanto as operações de busca enfrentam condições extremas de lama e destruição de infraestrutura.

Tamanho do texto:

As autoridades do Nepal atualizaram, nesta quinta-feira, 27 de agosto, o balanço da tragédia que atingiu a região fronteiriça com o Tibete, elevando o número de mortos confirmados para pelo menos 389. Do lado tibetano, foram recuperados mais três corpos. O cenário humanitário permanece crítico, com cerca de mil pessoas dadas como desaparecidas entre os dois lados da fronteira. Entre as vítimas e os desabrigados, encontram-se três cidadãos portugueses, conforme confirmado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português.

A situação dos nacionais portugueses sofreu uma atualização dinâmica ao longo do dia. No início da tarde, o MNE havia informado que quatro cidadãos estavam desaparecidos, dois a mais do que os dados conhecidos na véspera. Poucos minutos depois, contudo, o ministério divulgou "boas notícias": um dos indivíduos anteriormente classificados como desaparecido fora localizado na fronteira com o Tibete, aparentemente distante da zona de impacto imediato. O cidadão encontra-se em segurança e com boa saúde. Com esta confirmação, o balanço oficial português ajustou-se para três portugueses desaparecidos: um homem e duas mulheres.

O Ministério das Relações Exteriores sublinhou que os números continuam provisórios devido à vastidão da área afetada e ao elevado número de pessoas que permanecem sem contacto com as suas famílias. As operações de busca e salvamento prosseguem num cenário de extrema dificuldade técnica e logística. Estradas destruídas, pontes arrastadas pela força da corrente, falhas generalizadas nas comunicações e a ameaça constante de novos deslizamentos de terra condicionam severamente o acesso às zonas mais atingidas.

A polícia nepalesa detalhou a distribuição geográfica das vítimas recuperadas até ao momento. A maioria dos corpos, totalizando 137, foi encontrada no distrito de Chitwan. Outros distritos também registaram números significativos: Nawalparasi contabilizou 87 corpos (com dados adicionais indicando 27 em outra referência do mesmo distrito), Dhading registou 33, Gorkha 32, Nuwakot e Tanahun 28 cada um, e Rasuwa 17. A tragédia, desencadeada na manhã de quarta-feira, foi provocada pelo colapso súbito de um glaciar nos Himalaias.

Os primeiros relatos sobre a origem do desastre apontavam para um sismo como causa provável. No entanto, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) esclareceu posteriormente que o fenómeno correspondeu a um "colapso glaciar". O impacto da massa de gelo e detritos no fundo do vale foi tão intenso que registou uma magnitude de 5,2 na escala sísmica. Uma análise preliminar do International Centre for Integrated Mountain Development (ICIMOD), organização intergovernamental, aponta para a possibilidade de uma "avalanche de gelo e rocha" originada numa zona de grande altitude. A queda de uma enorme quantidade de gelo e detritos para o Lende Khola, afluente do rio Bhote Koshi, provocou uma subida abrupta do caudal. Segundo o organismo, os níveis da água nos rios a jusante subiram entre sete e nove metros em apenas 30 minutos, destruindo ou danificando várias estações de monitorização.

A força da cheia surpreendeu comunidades, trabalhadores e viajantes junto à fronteira entre o Nepal e a China. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram uma massa de água, lama e rocha avançando pelo vale e atingindo um posto fronteiriço em Gyirong. Casas, estradas, pontes e infraestruturas de energia foram destruídas ou arrastadas pela corrente. Simon Cook, especialista em glaciares da Universidade de Dundee, indicou à BBC que a sua equipa detetou o colapso da parte inferior de um glaciar no Nepal, perto do pico Langtang Lirung, a cerca de 15 quilómetros do local atingido pelas cheias.

Entre as pessoas que permanecem sem contacto estão dezenas de peregrinos hindus que se encontravam na região durante uma viagem ao monte Kailash, no Tibete, um local sagrado para hindus e budistas tibetanos. O líder espiritual hindu Sadhguru, Jagadish Vasudev, afirmou que 80 peregrinos estavam no posto de imigração da fronteira Nepal-China quando a cheia atingiu o edifício. Entre eles encontrava-se um cidadão português. "Literalmente, todo o grupo estava no edifício", escreveu Sadhguru nas redes sociais, classificando o evento como um "acontecimento terrível". O grupo incluía cidadãos dos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Reino Unido, Alemanha, França, Nepal, Países Baixos, Nova Zelândia, Espanha, Singapura, Finlândia, Hungria, Israel, Lituânia, Filipinas, Rússia, África do Sul e Portugal.

A comunidade internacional reagiu à dimensão da catástrofe. O Dalai Lama lamentou a tragédia, orando por aqueles que perderam a vida e oferecendo solidariedade e condolências aos familiares enlutados. O líder espiritual tibetano recordou que a região já foi atingida por outras calamidades e considerou que estes acontecimentos podem ser "sintomas de uma causa mais profunda", seja ela as alterações climáticas ou outros fatores.

A questão do impacto das alterações climáticas no desastre tem sido amplamente debatida por cientistas. Embora não afirmem que seja possível atribuir este episódio exclusivamente às mudanças climáticas, os especialistas alertam para uma tendência mais ampla. Um relatório do ICIMOD divulgado este ano concluiu que os glaciares da região Hindu Kush-Himalaia estão a perder gelo ao dobro do ritmo registado desde 2000, aumentando a exposição a fenómenos como inundações e deslizamentos.

Mohd Farooq Azam, especialista do ICIMOD citado pela BBC, afirmou que o aumento da frequência de perigos associados à criosfera — as zonas congeladas da Terra — "está a tornar-se mais visível do que nunca". O ritmo de transformação é tão rápido que, segundo o especialista, "os esforços atuais estão a ter dificuldade em acompanhar". Simon Cook sublinhou que, embora seja difícil determinar se um acontecimento individual é diretamente causado pelas alterações climáticas, o padrão observado é significativo. Com um planeta mais quente, prevê-se o encolhimento dos glaciares, mais fusão de neve e o degelo do permafrost, o solo permanentemente congelado que ajuda a estabilizar algumas encostas.

O resultado deste aquecimento pode ser uma maior ocorrência de "deslizamentos, fluxos de detritos, água de degelo dos glaciais, rupturas de lagos e colapsos de glaciares", à medida que o aquecimento do clima torna estes ambientes de alta montanha mais instáveis.

No Tibete, as condições no terreno continuam particularmente difíceis. O deslizamento de terras junto à passagem fronteiriça de Gyirong Port deixou algumas zonas cobertas por mais de 1,5 metros de lama. Todas as estradas de acesso ao posto fronteiriço ficaram danificadas e as comunicações foram interrompidas. Além disso, a previsão de chuva nos próximos dias faz temer novos deslizamentos e colapsos secundários, complicando ainda mais o trabalho das equipas de emergência.

David Fisher, responsável pela delegação da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho no Nepal, descreveu a situação como "extrema". "É muito claro para nós que existem necessidades muito urgentes", afirmou Fisher, acrescentando que "é preciso muito, muito mais" apoio. O responsável avisou ainda que o número de mortos poderá continuar a aumentar à medida que as equipas de resgate acedem a áreas anteriormente inacessíveis.

(F.Schuster--BBZ)