Berliner Boersenzeitung - Por que o Ministério Público tenta impedir Arévalo de assumir o poder na Guatemala?

EUR -
AED 4.237583
AFN 72.693752
ALL 96.083665
AMD 433.726263
ANG 2.065521
AOA 1058.097238
ARS 1611.096401
AUD 1.627012
AWG 2.076964
AZN 1.957395
BAM 1.955434
BBD 2.317406
BDT 141.175387
BGN 1.972318
BHD 0.435926
BIF 3416.234019
BMD 1.153869
BND 1.470256
BOB 7.950648
BRL 5.996198
BSD 1.150604
BTN 106.252936
BWP 15.636342
BYN 3.451113
BYR 22615.829146
BZD 2.314007
CAD 1.580015
CDF 2613.512848
CHF 0.907177
CLF 0.026486
CLP 1045.785768
CNY 7.946522
CNH 7.938554
COP 4269.233915
CRC 539.31065
CUC 1.153869
CUP 30.577524
CVE 110.246257
CZK 24.445461
DJF 204.885168
DKK 7.471843
DOP 70.228365
DZD 152.511672
EGP 60.430077
ERN 17.308033
ETB 179.623441
FJD 2.54889
FKP 0.864765
GBP 0.863994
GEL 3.127214
GGP 0.864765
GHS 12.535869
GIP 0.864765
GMD 84.844491
GNF 10083.329455
GTQ 8.813502
GYD 240.719076
HKD 9.044641
HNL 30.452955
HRK 7.528765
HTG 150.924996
HUF 390.627295
IDR 19568.461556
ILS 3.569811
IMP 0.864765
INR 106.997682
IQD 1507.230698
IRR 1516183.648142
ISK 143.298995
JEP 0.864765
JMD 181.000013
JOD 0.818054
JPY 183.519391
KES 149.56326
KGS 100.905754
KHR 4617.235044
KMF 492.702289
KPW 1038.457027
KRW 1723.170402
KWD 0.353753
KYD 0.958829
KZT 554.390945
LAK 24690.588441
LBP 103033.2836
LKR 358.295982
LRD 210.554204
LSL 19.248161
LTL 3.407074
LVL 0.697964
LYD 7.365748
MAD 10.789366
MDL 20.071588
MGA 4790.102621
MKD 61.593693
MMK 2423.243908
MNT 4120.582999
MOP 9.287041
MRU 45.769417
MUR 53.666511
MVR 17.827435
MWK 1995.026251
MXN 20.352175
MYR 4.519126
MZN 73.744171
NAD 19.248161
NGN 1564.577088
NIO 42.342985
NOK 11.060872
NPR 170.005834
NZD 1.972608
OMR 0.44369
PAB 1.15052
PEN 3.932614
PGK 4.964178
PHP 68.948263
PKR 321.238287
PLN 4.262882
PYG 7458.731962
QAR 4.194987
RON 5.091795
RSD 117.421168
RUB 96.593463
RWF 1682.684766
SAR 4.332929
SBD 9.283085
SCR 15.84955
SDG 693.475127
SEK 10.746038
SGD 1.47424
SHP 0.8657
SLE 28.383287
SLL 24196.065005
SOS 656.391253
SRD 43.414286
STD 23882.755212
STN 24.495942
SVC 10.067201
SYP 127.601462
SZL 19.251727
THB 37.528395
TJS 11.028225
TMT 4.05008
TND 3.391723
TOP 2.778239
TRY 51.023508
TTD 7.806605
TWD 36.807836
TZS 3007.247299
UAH 50.55213
UGX 4343.261614
USD 1.153869
UYU 46.772048
UZS 13962.505268
VES 516.71188
VND 30358.289022
VUV 137.994476
WST 3.154336
XAF 655.834136
XAG 0.014683
XAU 0.000235
XCD 3.118389
XCG 2.073629
XDR 0.815647
XOF 655.845502
XPF 119.331742
YER 275.255428
ZAR 19.297997
ZMK 10386.182289
ZMW 22.442185
ZWL 371.545294
Por que o Ministério Público tenta impedir Arévalo de assumir o poder na Guatemala?
Por que o Ministério Público tenta impedir Arévalo de assumir o poder na Guatemala? / foto: Johan ORDONEZ - AFP

Por que o Ministério Público tenta impedir Arévalo de assumir o poder na Guatemala?

A apenas um mês da posse presidencial na Guatemala, o Ministério Público continua investindo contra o presidente recém-eleito, Bernardo Arévalo, que denuncia um golpe de Estado em curso para impedi-lo de assumir o poder. Qual a razão desta ofensiva e até onde pode chegar?

Tamanho do texto:

Desde que Arévalo passou para o segundo turno nas eleições de junho, que venceu com ampla vantagem em agosto, o MP tentou inabilitar seu partido, Semilla, solicitou a retirada de sua imunidade, acusou o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) de irregularidades e, em seu avanço mais recente, considerou as eleições "nulas".

A procuradora-geral Consuelo Porras, incluída em uma lista de sanções pelos Estados Unidos por ser considerada "antidemocrática" e "corrupta", garante que o Ministério Público está cumprindo seu dever de investigar.

Analistas acreditam, no entanto, que a poderosa elite conservadora da Guatemala está por trás desse processo.

- Qual o argumento do Ministério Público?

O órgão sustenta que as eleições deveriam ser anuladas, devido a irregularidades constatadas na apuração dos registros de votos, que apreendeu ao revistar instalações do TSE em setembro.

O resultado da investigação foi publicado na última sexta-feira (8) e entregue ao TSE na segunda-feira (11). De acordo com o documento, há cerca de dois milhões de votos — dos 5,5 milhões emitidos — dos quais "não há certeza, devido a todas as ilegalidades e falsidades" em atas. Ainda conforme a mesma fonte, "os originais" dessas atas não estão disponíveis.

O órgão eleitoral afirmou que os resultados do pleito são "inalteráveis", enquanto os Estados Unidos, a União Europeia, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a ONU condenaram o que consideraram uma tentativa de ruptura da ordem constitucional.

O Ministério Público alegou, por sua vez, que "32% dos afiliados", cujos nomes foram utilizados em 2018 na criação do Semilla "são falsos". O MP afirmou ainda que o partido não registrou alguns fundos de financiamento eleitoral, considerando, por isso, "possível" que Arévalo tenha lavado dinheiro.

O presidente eleito negou essas acusações e classificou as ações do MP como um "golpe no coração da democracia".

"Estamos aqui para cumprir nossas obrigações, não só por mando da lei, mas por mando de cima (Deus)", disse recentemente a procuradora-geral.

- O que está por trás da ofensiva?

A Guatemala, nação em que 60% dos seus 17,6 milhões de habitantes vivem na pobreza, ocupa o 30º lugar no ranking mundial de corrupção, entre 180 países, segundo a Transparência Internacional.

Edie Cux, diretora da Ação Cidadã, versão local dessa ONG, afirmou que os grupos de poder político e econômico "veem como uma ameaça" o filho do primeiro presidente democrático da Guatemala, Juan José Arévalo (1945-1951), que promoveu reformas sociais.

"O Ministério Público atua como instrumento desses grupos de poder tradicionais, que têm, inclusive, vínculo com o crime organizado", declarou Cux à AFP.

Carmen Aída Ibarra, do movimento civil ProJusticia, garantiu, por sua vez, que existe uma "rede de corrupção", na qual "deputados, empresários, prefeitos" e outros funcionários participam de subornos, atribuição de obras públicas "sem probidade" e contratos superfaturados.

Esses grupos também temem o fim da dinâmica "de eleição de magistrados, procuradores" e outros funcionários por interesses políticos, comentou o sociólogo Miguel Ángel Sandoval.

Prometendo uma luta anticorrupção, Arévalo quebra a continuidade de décadas de partidos conservadores no poder. É o caso do presidente Alejandro Giammattei, que apoia Porras e em cuja gestão foram exilados procuradores e juízes que denunciaram atos de corrupção.

- O que pode acontecer?

Para o constitucionalista Edgar Ortiz, "o caminho até o 14 de janeiro terá muitos obstáculos. O MP tem muito poder e um efeito intimidador. Estamos diante de uma medida de força política", acrescentou.

Para Cux, os "ataques continuarão, com uma clara intenção de desgaste e intimidação para que Arévalo governe com medo".

Até o momento, as Forças Armadas têm estado à margem da situação, mas se a acusação do MP for bem-sucedida, "sua balança inclinará para os Estados Unidos e as sanções internacionais, ou para garantias que receber dos grupos de poder".

Sandoval acredita que o MP "não pode fazer mais".

"O limite foi deixado bem claro pelo TSE. E a sociedade organizada não aceita nada além de que Arévalo assuma", afirmou.

Já Ortiz alerta que "os padrões de legalidade foram quebrados" no país.

Tudo pode acabar no Tribunal Constitucional (instância judicial máxima), cujas resoluções, segundo analistas, não têm sido contundentes para impedir o Ministério Público.

(T.Burkhard--BBZ)