Berliner Boersenzeitung - Tarifas de Trump ameaçam o Brasil, mas caem bem para um Lula em baixa

EUR -
AED 4.314488
AFN 75.18721
ALL 95.688088
AMD 435.595676
ANG 2.102774
AOA 1078.475087
ARS 1633.973039
AUD 1.630402
AWG 2.114657
AZN 1.998766
BAM 1.961577
BBD 2.366701
BDT 144.178705
BGN 1.959702
BHD 0.443667
BIF 3496.233658
BMD 1.17481
BND 1.498935
BOB 8.119499
BRL 5.819892
BSD 1.175076
BTN 111.468071
BWP 15.969183
BYN 3.315933
BYR 23026.270056
BZD 2.363281
CAD 1.596543
CDF 2725.558326
CHF 0.916923
CLF 0.026835
CLP 1056.153391
CNY 8.021895
CNH 8.023692
COP 4296.748985
CRC 534.227816
CUC 1.17481
CUP 31.132457
CVE 110.960467
CZK 24.365494
DJF 208.787383
DKK 7.471879
DOP 69.863818
DZD 155.666918
EGP 62.906519
ERN 17.622145
ETB 184.445765
FJD 2.575302
FKP 0.865387
GBP 0.863831
GEL 3.148086
GGP 0.865387
GHS 13.16053
GIP 0.865387
GMD 85.761064
GNF 10308.955483
GTQ 8.977316
GYD 245.831736
HKD 9.204916
HNL 31.273221
HRK 7.55172
HTG 153.929029
HUF 362.835866
IDR 20364.562467
ILS 3.45844
IMP 0.865387
INR 111.501775
IQD 1539.000703
IRR 1543699.941842
ISK 144.125646
JEP 0.865387
JMD 184.122221
JOD 0.832992
JPY 184.199604
KES 151.726387
KGS 102.702449
KHR 4713.921103
KMF 493.420391
KPW 1057.328698
KRW 1731.352135
KWD 0.361007
KYD 0.979255
KZT 544.27538
LAK 25822.317101
LBP 105204.208814
LKR 375.552727
LRD 216.018091
LSL 19.571543
LTL 3.468908
LVL 0.710631
LYD 7.460234
MAD 10.868458
MDL 20.246088
MGA 4875.460276
MKD 61.753267
MMK 2466.501364
MNT 4203.293503
MOP 9.481709
MRU 46.957596
MUR 55.251448
MVR 18.156673
MWK 2045.924013
MXN 20.478116
MYR 4.664088
MZN 75.081695
NAD 19.572761
NGN 1616.514371
NIO 43.127759
NOK 10.898064
NPR 178.340339
NZD 1.991203
OMR 0.452002
PAB 1.175045
PEN 4.120647
PGK 5.097205
PHP 71.986535
PKR 327.507602
PLN 4.24672
PYG 7226.990198
QAR 4.280417
RON 5.213924
RSD 117.606189
RUB 87.947284
RWF 1716.984372
SAR 4.405513
SBD 9.447949
SCR 16.149313
SDG 705.46077
SEK 10.820233
SGD 1.495826
SHP 0.877114
SLE 28.901366
SLL 24635.167432
SOS 670.816799
SRD 44.005985
STD 24316.188791
STN 24.917714
SVC 10.282287
SYP 129.84582
SZL 19.572646
THB 38.196563
TJS 11.021856
TMT 4.117708
TND 3.385508
TOP 2.82866
TRY 53.076251
TTD 7.976236
TWD 37.158644
TZS 3060.379585
UAH 51.632106
UGX 4418.444389
USD 1.17481
UYU 46.862593
UZS 14038.975967
VES 574.41469
VND 30963.284368
VUV 138.217992
WST 3.18983
XAF 657.942177
XAG 0.01559
XAU 0.000255
XCD 3.174982
XCG 2.117771
XDR 0.817233
XOF 657.893459
XPF 119.331742
YER 280.309859
ZAR 19.448939
ZMK 10574.713735
ZMW 21.944211
ZWL 378.288243
Tarifas de Trump ameaçam o Brasil, mas caem bem para um Lula em baixa
Tarifas de Trump ameaçam o Brasil, mas caem bem para um Lula em baixa / foto: EVARISTO SA - AFP

Tarifas de Trump ameaçam o Brasil, mas caem bem para um Lula em baixa

A ameaça comercial de Donald Trump pode trazer efeitos devastadores ao Brasil, mas, no momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva surfa uma onda nacionalista, enquanto a oposição de direita reage dividida e na defensiva.

Tamanho do texto:

O presidente americano anunciou na semana passada tarifas de 50% às importações brasileiras a partir de agosto, pelo que chamou de "caça às bruxas" contra seu aliado, o ex-presidente de extrema direita Jair Bolsonaro, que está sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.

Em entrevistas à imprensa e discursos, Lula, usando um boné com a frase o "Brasil é dos brasileiros", condenou a "interferência" americana e disse que não descarta ações de "reciprocidade".

Mas a ameaça de Trump não poderia ter chegado em um momento melhor para o ex-sindicalista de 79 anos, faltando pouco mais de um ano para as eleições de 2026, que ele afirma querer disputar.

Segundo um pesquisa feita antes da crise comercial, a maioria dos brasileiros desaprovava o governo em meio à inflação persistente (5,35% em 12 meses em junho e o escândalo de fraude no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

O Congresso, de maioria conservadora, bloqueou sua proposta de elevar o IOF.

Diante da ameaças para a economia, o governo Lula apelou para a união nacional, com uma campanha nas redes sociais que inclui o slogan "Brasil se escreve com S de soberania", em referência ao nome do país em inglês: "Brazil".

Além disso, o governo ajustou sua defesa de aumentar os impostos aos mais endinheirados à nova situação: "Lula taxa os super-ricos e Bolsonaro taxa o Brasil."

Também se aproximou daqueles que perderiam mais com as tarifas: o grande empresariado industrial e o poderoso agronegócio, setores tradicionalmente mais próximos da direita.

O aproveitamento que Lula faz deste momento ficou evidente no fim de semana, quando, visivelmente sorridente, recomendou jabuticabas - uma fruta nativa e emblemática do Brasil - para curar o 'mau humor' de seu colega americano.

"Vou levar jabuticaba para você, Trump. Você vai perceber que o cara que come jabuticaba de manhã num pais que só ele dá jabuticaba não precisa de briga tarifária, precisa de muita união e muita relação diplomática", ironizou, enquanto colhia as frutas de uma árvore, segundo um vídeo publicado no Instagram pela primeira-dama Janja.

Na presidência, o momento é aproveitado: "O bolsonarismo quer fazer o Brasil de refém para salvar Bolsonaro. É muito bom", indicou uma fonte à AFP. "Era o que esperávamos. Agora é aproveitar até o próximo ano".

Ao permitir o uso do patriotismo, "Trump jogou um bom mimo para Lula", disse o analista político André César à AFP. E acrescentou: "O brasileiro vai ser chamado para se enrolar na bandeira" nacional, da qual o bolsonarismo buscou se apropriar nos últimos anos.

- 'Obrigado, Trump' -

A extrema direita brasileira esperava há meses uma sanção de Washington contra Alexandre de Moraes, ministro do STF e relator do caso contra Bolsonaro.

Mas a ameaça de tarifas superou todos os cálculos e dividiu as forças conservadoras, com retrocessos relevantes.

Para o filho do ex-presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL/SP), que há meses faz lobby em defesa de seu pai nos Estados Unidos, a carta do republicano confirmou o "sucesso" do "intenso diálogo" que mantém com Washington.

"Obrigado presidente Trump -- torne o Brasil livre outra vez", escreveu na rede social X, em inglês.

Jair Bolsonaro, por sua vez, disse que "não se alegra" por ver os produtores "sofrer" os possíveis efeitos das tarifas, mas responsabilizou Lula.

E insistiu em que a "solução" passa por aprovar uma anistia no Congresso para os condenados pelo 8 de janeiro de 2023, quando seus apoiadores invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília, e da qual ele espera se beneficiar, segundo os seus detratores, para anular tanto o julgamento como a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o torna inelegível até 2030.

- 'Isolar ainda mais a extrema direita' -

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), um possível candidato da direita nas eleições presidenciais do próximo ano, inicialmente apontou suas armas contra Lula e reuniu-se com Bolsonaro em Brasília.

Mas depois pediu uma "união de esforços", quando as principais indústrias no estado mais rico do país, como a aeronáutica, começaram a expressar preocupação pelas tarifas.

Para Geraldo Monteiro, professor de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a ameaça de Trump "teve o efeito de isolar ainda mais a extrema direita" criando uma "inesperada coalizão de interesses" entre o governo Lula e a classe empresarial.

"Pode ter mudado" o jogo das eleições de outubro de 2026 a favor do petista para um quarto e inédito novo mandato, opinou Monteiro à AFP, embora ainda falte mais de um ano para a disputa.

(A.Lehmann--BBZ)