Berliner Boersenzeitung - Cidadão francês narra o 'calvário' que viveu nas prisões venezuelanas

EUR -
AED 4.30878
AFN 75.088139
ALL 95.561304
AMD 435.019119
ANG 2.099991
AOA 1077.048119
ARS 1633.743618
AUD 1.628028
AWG 2.111859
AZN 1.992549
BAM 1.958981
BBD 2.363569
BDT 143.987894
BGN 1.957109
BHD 0.443079
BIF 3491.606608
BMD 1.173255
BND 1.496952
BOB 8.108753
BRL 5.813124
BSD 1.17352
BTN 111.32055
BWP 15.948049
BYN 3.311545
BYR 22995.796207
BZD 2.360153
CAD 1.594747
CDF 2721.951785
CHF 0.916036
CLF 0.026822
CLP 1055.636074
CNY 8.011278
CNH 7.99944
COP 4290.886514
CRC 533.520798
CUC 1.173255
CUP 31.091255
CVE 110.814062
CZK 24.36217
DJF 208.511097
DKK 7.472484
DOP 69.807476
DZD 155.414871
EGP 62.775014
ERN 17.598824
ETB 184.201363
FJD 2.570129
FKP 0.864241
GBP 0.863158
GEL 3.144316
GGP 0.864241
GHS 13.136436
GIP 0.864241
GMD 85.647414
GNF 10295.311947
GTQ 8.965435
GYD 245.506393
HKD 9.191291
HNL 31.231437
HRK 7.535932
HTG 153.725313
HUF 362.003077
IDR 20384.717408
ILS 3.45811
IMP 0.864241
INR 111.373802
IQD 1536.96393
IRR 1541656.949892
ISK 143.805466
JEP 0.864241
JMD 183.878547
JOD 0.831868
JPY 183.999313
KES 151.525537
KGS 102.56653
KHR 4707.687454
KMF 492.766707
KPW 1055.929389
KRW 1723.388282
KWD 0.361246
KYD 0.977959
KZT 543.555065
LAK 25788.142975
LBP 105064.976893
LKR 375.055706
LRD 215.732235
LSL 19.546108
LTL 3.464316
LVL 0.70969
LYD 7.450082
MAD 10.854074
MDL 20.219293
MGA 4869.007439
MKD 61.642351
MMK 2463.237101
MNT 4197.730703
MOP 9.46916
MRU 46.895281
MUR 54.861245
MVR 18.132674
MWK 2043.224376
MXN 20.452648
MYR 4.637894
MZN 74.955906
NAD 19.546663
NGN 1614.37562
NIO 43.070165
NOK 10.884579
NPR 178.104316
NZD 1.982771
OMR 0.451104
PAB 1.17349
PEN 4.11519
PGK 5.09046
PHP 72.119932
PKR 327.074167
PLN 4.246878
PYG 7217.425722
QAR 4.274757
RON 5.197052
RSD 117.321989
RUB 87.993368
RWF 1714.712049
SAR 4.399682
SBD 9.435445
SCR 17.459933
SDG 704.550818
SEK 10.811603
SGD 1.493199
SHP 0.875953
SLE 28.864339
SLL 24602.564306
SOS 669.928799
SRD 43.947762
STD 24284.007814
STN 24.884737
SVC 10.268679
SYP 129.673977
SZL 19.545913
THB 38.048375
TJS 11.007269
TMT 4.112258
TND 3.381027
TOP 2.824916
TRY 53.025844
TTD 7.96568
TWD 37.070747
TZS 3062.195542
UAH 51.563774
UGX 4412.59685
USD 1.173255
UYU 46.800573
UZS 14020.396174
VES 573.654487
VND 30901.774408
VUV 138.035069
WST 3.185609
XAF 657.071431
XAG 0.015654
XAU 0.000256
XCD 3.17078
XCG 2.114968
XDR 0.816151
XOF 657.022504
XPF 119.331742
YER 279.952314
ZAR 19.463185
ZMK 10560.703776
ZMW 21.915169
ZWL 377.787602
Cidadão francês narra o 'calvário' que viveu nas prisões venezuelanas
Cidadão francês narra o 'calvário' que viveu nas prisões venezuelanas / foto: GEOFFROY VAN DER HASSELT - AFP

Cidadão francês narra o 'calvário' que viveu nas prisões venezuelanas

O francês Camilo Castro viveu um "calvário" de cinco meses em prisões na Venezuela, onde foi acusado de ser espião e foi constantemente ameaçado de tortura por seus carcereiros.

Tamanho do texto:

Em liberdade desde novembro, este professor de ioga de 41 anos relata à AFP esse período "de nojo, ódio e rancor", mas "também de amor, esperança e compaixão por um povo inteiro".

"Hoje estou bem, mas amanhã, não. Pode ser que em 30 segundos comece a chorar. Eu resisto graças à meditação, ao amor dos meus amigos e da minha família", conta, na periferia de Paris.

Ele decidiu falar para tentar ajudar "as centenas de venezuelanos que ainda estão presos".

O Tribunal Penal Internacional investiga possíveis crimes contra a humanidade cometidos na Venezuela durante o governo do presidente Nicolás Maduro, ao mesmo tempo em que as Nações Unidas denunciaram "prisões arbitrárias" e casos de "torturas e desaparecimentos forçados".

Maduro foi deposto em 3 de janeiro, durante uma incursão militar dos Estados Unidos. Sua vice, Delcy Rodríguez, herdou o poder, tornando-se presidente interina. Sob pressão de Washington, ela anunciou o fechamento da temida prisão do Helicoide, e promove uma anistia geral que abrange os 27 anos da era chavista.

- Manchas de sangue -

Em 2025, Camilo Castro morava na Colômbia. Ele tentou renovar seu visto saindo do país para voltar a entrar em seguida. Chegou à fronteira com a Venezuela "ao amanhecer de 26 de junho" e foi detido. Seu "calvário começou", afirma.

"Homens encapuzados" o levaram para Maracaibo (oeste). "Fui enfiado em um subsolo, uma prisão construída em um estacionamento. Passei a noite toda ali, em meio a paredes cheias de umidade, banheiros em estado lamentável com montes de baratas, fezes acumuladas durante meses", descreve.

Ele observou que havia "muitas manchas de sangue nas paredes", além de uma mesa "com diferentes objetos de tortura, garrafas d'água, trapos, sacolas plásticas, gás lacrimogêneo, inseticida".

"No dia seguinte, fui submetido a um interrogatório com um agente da DGCIM (a contrainteligência militar), que me impressionou muito. Ele diz não acreditar na história de professor de ioga residente na Colômbia, que vou passar muitos anos preso, que sou um espião", relata.

"Ele diz ter a forma de 'me abrir' e que é pago para isso", narra Castro, em quem aplicaram escopolamina, uma substância usada para a submissão química.

Em seguida, é transferido por terra para a sede da DGCIM, em Caracas.

Ali fica detido "em um porão, no chão, algemado e encapuzado" o tempo todo. Após cinco dias, lhe permitem "sair ao sol". É "uma das lembranças mais belas da minha vida", afirma.

Mas a trégua dura apenas um instante. Mandado para a prisão de Rodeo 1, nos arredores de Caracas, onde há dezenas de presos políticos e muitos estrangeiros, a princípio sente alívio porque os criminosos não mandam ali.

"'Aqui todos somos como você, todos fomos sequestrados, sabemos pelo que você acaba de passar, ninguém vai te fazer mal, aqui não há delinquentes'", diz-lhe um dos presos.

Mas o dia a dia é difícil, com pouca comida e doenças. "Tínhamos o tempo todo diarreia, infecções na garganta e nos pulmões. Não tínhamos banheiro (apenas um buraco no chão) e nos davam água apenas duas vezes ao dia. Permanentemente se sentia um cheiro que não saía", lembra.

Castro diz ter entrado em um "mundo do absurdo", no qual música folclórica venezuelana soava "com um volume muito alto" e várias vezes durante a semana era exibida propaganda de inspiração socialista durante duas e até cinco horas.

- Tortura noturna -

"Muito frequentemente nos humilhavam de noite. Tiravam a todos em fila, algemados e encapuzados. Nos insultavam", evoca Castro.

Os interrogatórios, as consultas médicas, os "falsos julgamentos", tudo acontecia de noite.

"São verdadeiros vampiros. Fazem isso para nos dobrar (...) Nunca se pode descansar de verdade", continua. "Perde-se toda a noção de liberdade, de responsabilidade, de autonomia. Eles te desumanizam", reflete.

Durante as simulações de julgamento, "um juiz que parecia um vendedor de drogas" o acusa de "terrorismo", de ser "agente da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA), da DEA (agência antidrogas americana)" e de colaborar com conspiradores.

Também foi submetido a interrogatórios com detector de mentiras, nos quais repetiam "as mesmas quatro perguntas durante horas".

Constantemente pairava sobre ele o risco de ser "castigado" no quarto andar, onde os presos eram "algemados, frequentemente desnudados, não havia colchonetes, era preciso dormir no chão".

"Nessas celas de castigo, muitas vezes as pessoas eram torturadas" com surras. Eram submetidas à "asfixia com gás lacrimogêneo" ou com inseticida dentro uma sacola plástica enfiada na cabeça, em meio a "risos e humilhações verbais", enumera Castro.

"Outra penitência possível era a intubação forçada (pela boca) com o pretexto de te alimentar. Tubos no nariz, no ânus... Soldados e também diretores participavam com certo prazer dessas torturas", relata.

Em um momento, Castro quis protestar para que lhe permitissem ter acesso aos livros oferecidos pelo consulado francês. Mas o conselho de outro homem, preso havia 20 anos, o fez mudar de opinião. "Ele me disse: 'Vão de torturar. Em um minuto destroem teu corpo e, em cinco minutos, destroem tua existência. Esqueça os livros, estão escritos, um dia você vai poder lê-los. Seja inteligente'".

Camilo Castro pediu para ser reconhecido como vítima na França. Mas também diz que quer voltar à Venezuela, um lugar que lhe traz "más lembranças, evidentemente", mas ao qual se sente "ligado".

(P.Werner--BBZ)