Berliner Boersenzeitung - Polícia dispersa com gás lacrimogêneo marcha rumo ao palácio presidencial da Venezuela

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Polícia dispersa com gás lacrimogêneo marcha rumo ao palácio presidencial da Venezuela
Polícia dispersa com gás lacrimogêneo marcha rumo ao palácio presidencial da Venezuela / foto: Juan BARRETO - AFP

Polícia dispersa com gás lacrimogêneo marcha rumo ao palácio presidencial da Venezuela

A polícia venezuelana dispersou com gás lacrimogêneo, nesta quinta-feira (9), manifestantes que protestam por melhorias salariais em uma marcha que tentava chegar ao palácio presidencial de Miraflores, em Caracas, constatou uma equipe da AFP.

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As manifestações multitudinárias têm sido raras na Venezuela em quase dois anos, devido à onda de repressão que se seguiu aos protestos da oposição contra a questionada reeleição do presidente Nicolás Maduro, em 2024.

Nesta quinta-feira, cerca de 2.000 trabalhadores foram às ruas para rejeitar uma promessa de aumento salarial feita na véspera pela presidente interina, Delcy Rodríguez, que não detalhou os percentuais da alta, nem se incidirá em auxílios ou outros benefícios.

"Têm medo de que o povo vá até Miraflores!", "Vamos até Miraflores!", gritavam os manifestantes às forças de segurança.

Dezenas de agentes da tropa de choque da polícia os contiveram com gás lacrimogêneo e escudos no centro de Caracas, a poucos quilômetros do Palácio de Miraflores.

O salário mínimo na Venezuela é de 130 bolívares (0,27 dólar ou 1,37 real) diante de uma inflação anual que passa dos 600%. E embora a renda possa chegar a 150 dólares (R$ 762) com bônus estatais sem incidência em auxílios ou outros benefícios, é insuficiente frente aos 645 dólares (R$ 3.277) que, segundo estimativas privadas, custa a cesta básica familiar.

"Já chega de engano do aumento dos salários. Querem pôr como salário um aumento dos bônus que o governo dá. Isso é totalmente inédito", disse à AFP Mauricio Ramos, um aposentado de 71 anos.

- "Salário digno já" -

Delcy Rodríguez assumiu o poder interinamente, após a captura de Maduro em uma operação militar americana, em 3 de janeiro. Ela governa sob forte pressão de Washington, que afirma estar a cargo do país e da venda de petróleo.

Ela impulsionou uma reforma petroleira e prepara outra de mineração, que abrem as portas para empresas estrangeiras, assim como uma lei de anistia que antecipa a libertação de centenas de presos políticos, além de prometer melhorias salariais.

A presidente interina prometeu, na quarta-feira, um "aumento responsável" dos salários, corroídos por uma inflação crônica e pela dramática retração da economia na última década.

Enquanto "a Venezuela tiver mais recursos que permitam a sustentabilidade da melhoria salarial e a renda dos trabalhadores, seguiremos avançando por esse caminho", assegurou, sem detalhar de quanto será o aumento previsto para 1º de maio.

Sindicatos e trabalhadores se queixam constantemente de salários "de fome", congelados há quatro anos.

O último ajuste foi decretado por Maduro em 2022 e estabeleceu, então, uma renda básica de 28 dólares (aproximadamente R$ 146, na cotação da época).

Estamos "pedindo um salário digno já, porque é um deboche o que Delcy Rodríguez disse ontem à noite", comentou Mariela Díaz, aposentada de 65 anos. "Alcançamos um objetivo de chegar aqui no centro, pelo menos nos fizemos sentir internacionalmente", consolou-se.

"O fardado também é mal pago!", repetiam em coro os manifestantes, já em retirada, dirigindo-se aos policiais.

(P.Werner--BBZ)