Berliner Boersenzeitung - Tese de 'ecocídio' na Ilha de Páscoa perde força

EUR -
AED 4.208998
AFN 72.774404
ALL 93.577791
AMD 421.999833
ANG 2.051954
AOA 1051.53652
ARS 1646.623073
AUD 1.63367
AWG 2.062953
AZN 1.947365
BAM 1.931357
BBD 2.309471
BDT 140.759755
BGN 1.937893
BHD 0.432193
BIF 3427.940235
BMD 1.146085
BND 1.469008
BOB 7.952354
BRL 5.83449
BSD 1.146687
BTN 108.3744
BWP 15.364544
BYN 3.174622
BYR 22463.266
BZD 2.306212
CAD 1.620255
CDF 2658.917339
CHF 0.922169
CLF 0.025793
CLP 1015.156102
CNY 7.744612
CNH 7.766835
COP 3936.801975
CRC 522.289832
CUC 1.146085
CUP 30.371253
CVE 109.279294
CZK 23.840917
DJF 203.682073
DKK 7.376364
DOP 67.160516
DZD 152.290598
EGP 57.199036
ERN 17.191275
ETB 181.511237
FJD 2.560011
FKP 0.855512
GBP 0.867901
GEL 3.031394
GGP 0.855512
GHS 12.948124
GIP 0.855512
GMD 83.663843
GNF 10059.75996
GTQ 8.740456
GYD 239.864247
HKD 8.982006
HNL 30.597257
HRK 7.534595
HTG 149.754685
HUF 344.570045
IDR 20341.404231
ILS 3.369117
IMP 0.855512
INR 108.086701
IQD 1501.37135
IRR 1575866.874934
ISK 142.492784
JEP 0.855512
JMD 181.354751
JOD 0.812596
JPY 183.675019
KES 148.441133
KGS 100.22486
KHR 4598.658114
KMF 487.085909
KPW 1031.476901
KRW 1732.725795
KWD 0.353107
KYD 0.955606
KZT 559.197841
LAK 25248.252325
LBP 102631.911812
LKR 384.151481
LRD 208.759188
LSL 18.560684
LTL 3.384091
LVL 0.693255
LYD 7.306314
MAD 10.595576
MDL 20.009754
MGA 4813.556941
MKD 60.841799
MMK 2406.716372
MNT 4102.276195
MOP 9.251709
MRU 45.935138
MUR 54.015262
MVR 17.718754
MWK 1989.603855
MXN 19.890316
MYR 4.658611
MZN 73.237244
NAD 18.568774
NGN 1557.666645
NIO 41.958286
NOK 11.166896
NPR 173.39794
NZD 1.990457
OMR 0.440668
PAB 1.146687
PEN 3.911027
PGK 5.028735
PHP 69.1926
PKR 318.953377
PLN 4.18054
PYG 6997.439501
QAR 4.172325
RON 5.165447
RSD 115.836019
RUB 83.631595
RWF 1705.37448
SAR 4.29999
SBD 9.239077
SCR 16.177131
SDG 688.223267
SEK 10.983557
SGD 1.469315
SHP 0.855668
SLE 28.365938
SLL 24032.833607
SOS 654.996204
SRD 42.785675
STD 23721.645564
STN 24.526219
SVC 10.033107
SYP 126.679179
SZL 18.563001
THB 37.287303
TJS 10.62967
TMT 4.022758
TND 3.337113
TOP 2.759498
TRY 53.22103
TTD 7.789416
TWD 36.168726
TZS 3008.476529
UAH 51.354795
UGX 4242.308791
USD 1.146085
UYU 46.294495
UZS 13758.750262
VES 683.108374
VND 30171.83371
VUV 136.371395
WST 3.139988
XAF 647.75888
XAG 0.017499
XAU 0.000273
XCD 3.097353
XCG 2.066626
XDR 0.806497
XOF 647.53823
XPF 119.331742
YER 273.484562
ZAR 18.838778
ZMK 10316.133246
ZMW 20.267492
ZWL 369.038902
Tese de 'ecocídio' na Ilha de Páscoa perde força
Tese de 'ecocídio' na Ilha de Páscoa perde força / foto: PABLO COZZAGLIO - AFP/Arquivos

Tese de 'ecocídio' na Ilha de Páscoa perde força

Dois estudos recentes questionam a teoria de que a população da Ilha de Páscoa teria colapsado no século XVII devido à superexploração dos recursos, hipótese que tem sido frequentemente apresentada como um dos primeiros "ecocídios" da história.

Tamanho do texto:

A Ilha de Páscoa, localizada no Pacífico, a 3.700 km da costa chilena, é mundialmente famosa pelas estátuas monumentais esculpidas pelos rapanui, os enigmáticos "moais".

Uma hipótese conhecida, baseada principalmente em dados paleoambientais, sustenta que os rapanui teriam desmatado a ilha, que se sabe estava coberta por palmeiras, para manter uma cultura florescente e uma população de aproximadamente 15.000 indivíduos em seu auge.

A escassez de recursos teria causado um período de fome e guerra, chegando até mesmo ao canibalismo, resultando em um colapso demográfico e cultural que pôs fim à escultura das estátuas no início do século XVII.

Quando os europeus chegaram em 1722, estimaram que a população da ilha era de apenas 3.000 pessoas.

Com essa narrativa de um "suicídio ecológico", também chamado de "ecocídio", a história dos rapanui "tem sido apresentada como um aviso contra a superexploração dos recursos pela humanidade", lembram os autores de um estudo publicado nesta quarta-feira (11) na revista Nature.

Esta equipe internacional de especialistas em genética de populações buscou rastros desse colapso utilizando o HapNe-LD, uma ferramenta estatística avançada que permite reconstruir a história demográfica de uma população com base na estrutura genética de indivíduos vivos ou de seus predecessores.

Analisaram o genoma de 15 rapanui que viveram entre 1670 e 1950 e não encontraram nenhum sinal genético do suposto colapso, como uma queda repentina na diversidade genética.

"Nossa análise genética mostra uma população em crescimento estável desde o século XIII até o contato com os europeus no século XVIII. Essa estabilidade é crucial, pois contradiz diretamente a ideia de um colapso dramático antes da chegada dos europeus", explica Bárbara Sousa da Mota, principal autora e pesquisadora da Faculdade de Biologia e Medicina da Universidade de Lausanne.

O estudo, realizado em estreita colaboração com a comunidade rapanui, também revelou contatos entre a população da ilha e os indígenas americanos antes da chegada de Cristóvão Colombo ao continente, outro ponto controverso na história dos povos polinésios.

- Jardins de pedra -

Esses resultados corroboram os publicados em junho passado na Science Advances por uma equipe que adotou uma abordagem muito diferente.

O fato de que ambos os estudos chegam a conclusões semelhantes "mostra a importância de abordar uma mesma questão científica a partir de diferentes disciplinas", aponta Sousa da Mota à AFP.

Esses cientistas mapearam os "jardins de pedra" da ilha, uma técnica agrícola que consiste em misturar pedras com o solo para enriquecê-lo com nutrientes e preservar a umidade.

Utilizando imagens de satélite de alta resolução em infravermelho de onda curta (SWIR) e desenvolvendo modelos de aprendizado de máquina para analisá-las, puderam reavaliar a área ocupada por esses jardins de pedra.

Essas superfícies agrícolas, que anteriormente se acreditava que cobriam entre 4,3 e 21,1 km², teriam ocupado na verdade apenas 0,76 km² dos 164 km² da Ilha de Páscoa.

Trabalhos anteriores permitiram calcular o rendimento dessas terras, onde se cultivavam batatas-doces, essenciais para a alimentação dos rapanui, e deduzir o tamanho máximo da população que poderiam ter sustentado.

Os novos dados sugerem que a população nunca teria superado 4.000 pessoas, e não as 17.000 estimadas anteriormente.

"Quando qualificamos toda uma cultura como exemplo de más decisões, ou como aviso do que não se deve fazer, devemos ter certeza de que estamos certos. Caso contrário, perpetuamos estereótipos que têm profundas consequências para as populações", observa Dylan Davis, pesquisador em clima, biologia e paleoambiente da Universidade de Columbia e coautor do estudo, à AFP.

"Neste caso, os rapanui conseguiram sobreviver em um dos lugares mais isolados do planeta, e o fizeram de maneira bastante sustentável até o contato com os europeus. Isso sugere que podemos aprender com eles como gerenciar recursos limitados", destaca.

(K.Müller--BBZ)