Berliner Boersenzeitung - De Niro critica Trump ao receber Palma de Ouro honorária no Festival de Cannes

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De Niro critica Trump ao receber Palma de Ouro honorária no Festival de Cannes
De Niro critica Trump ao receber Palma de Ouro honorária no Festival de Cannes / foto: Sameer AL-DOUMY - AFP

De Niro critica Trump ao receber Palma de Ouro honorária no Festival de Cannes

O Festival de Cannes inaugurou sua 78ª edição, nesta terça-feira (13), com uma dura crítica do astro de Hollywood Robert de Niro ao presidente americano, Donald Trump, e uma homenagem emocionante a uma fotojornalista palestina morta em Gaza, protagonista de um documentário que estreará na tradicional mostra de cinema francesa.

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A política voltou ao primeiro plano neste festival, que sempre teve as protas abertas às reivindicações da comunidade cinematográfica.

"Estamos lutando ferozmente pela democracia" nos Estados Unidos, afirmou De Niro, que aos 81 anos e após uma carreira prolífica que inclui dois Oscars, recebeu uma Palma de Ouro honorária no Palácio dos Festivais, sob aclamação do público.

"A arte é inclusiva, une as pessoas, como nesta noite, a arte busca a liberdade, a arte inclui a diversidade", disse o ator, que recebeu o prêmio das mãos de outro astro hollywoodiano, Leonardo DiCaprio.

"Por isso, somos uma ameaça para os autocratas e fascistas deste mundo", prosseguiu De Niro, que classificou Trump de "presidente inculto" .

Crítico implacável de Trump, que devolve suas críticas com postagens personalizadas no X, De Niro reafirmou suas convicções em um momento de preocupação para o setor audiovisual, diante do anúncio do magnata republicano, há uma semana, de tarifas alfandegárias de 100% sobre produções cinematográficas realizadas fora dos Estados Unidos.

- Morte de fotojornalista -

Pouco antes, a presidente do júri, a atriz francesa Juliette Binoche, prestou uma homenagem à fotojornalista palestima Fatima Hassouna.

"Fatima deveria estar aqui entre nós. A arte permanece. É o testemunho poderoso dos nossos sonhos. E nós, os espectadores, o acolhemos", disse Binoche.

Hassouna morreu um dia depois de o documentário "Put Your Soul on Your Hand and Walk" (Ponha a alma na mão e caminhe, em tradução livre), dirigido pela iraniana Sepideh Farsi, que ela protagoniza, foi selecionado na ACID, seção paralela da mostra francesa.

Boa parte de sua família morreu junto com ela.

"O vento da dor é tão violento hoje em dia, leva pela frente os mais frágeis", disse Binoche, que também lembrou dos "reféns de 7 de outubro e todos os reféns, os prisioneiros".

Em 7 de outubro de 2023, milicianos islamistas mataram 1.218 pessoas em Israel, civis na maioria, segundo um balanço da AFP com base em dados oficiais.

Também sequestraram outras 251 pessoas, das quais 57 seguem cativas em Gaza, incluindo 34 que o Exército israelense considera mortas.

A ofensiva israelense em represália matou mais de 52 mil pessoas em Gaza, também civis em sua maioria, segundo dados publicados pelo Ministério da Saúde do Hamas, considerados confiáveis pela ONU.

- Pressão antecede cerimônia de abertura -

Assinada por Pedro Almodóvar, Susan Sarandon, Richard Gere, Alfonso Cuarón, Javier Bardem e Costa-Gavras, entre outros, a carta recorda a tragédia de Hassouna e se questiona; "Do que serve nosso ofício se não é para aprender com a História (...), se não estamos presentes para proteger as vozes oprimidas?".

"O festival é político quando os artistas o são", havia dito em coletiva de imprensa o delegado-geral do evento, Thierry Frémaux.

Cannes também foi cenário de um glamouroso tapete vermelho, que termina na tradicional escadaria de acesso ao palácio.

O cineasta americano Quentin Tarantino, que declarou o festival aberto com um grito poderoso, passou por ali, assim como outras celebridades, como a modelo alemã Heidi Klum, as atrizes americanas Eva Longoria e Julia Garner, e a espanhola Rossy de Palma.

Este ano, a organização do festival endureceu as regras de vestimenta no tapete vermelho e anunciou que vestidos volumosos ou reveladores demais não serão permitidos, o que obrigou a atriz americana Halle Berry, integrante do júri, a mudar o 'look' que havia planejado para a abertura da mostra, esta noite.

- Depardieu é sentenciado -

Por coincidências de calendário, a abertura da mostra calhou com a sentença, em Paris, do julgamento midiatizado do ator francês Gérard Depardieu, de 76 anos.

Acusado há anos por várias mulheres de agressões sexuais e comportamento obsceno, Depardieu foi condenado em um primeiro julgamento a 18 meses de prisão, com suspensão condicional da pena.

A justiça considerou que ficou provado que ele agrediu sexualmente uma cenógrafa e uma assistente de direção durante uma filmagem em 2021.

O ator anunciou, por meio de seu advogado, que apelará da sentença.

A partir da quarta-feira, a Croisette dará lugar ao glamour do cinema mundial, com a estreia fora da mostra competitiva do oitavo e provavelmente último filme da série "Missão Impossível", mais uma vez protagonizado pelo astro Tom Cruise.

No total, 22 filmes disputarão a Palma de Ouro, incluindo sete dirigidos por mulheres, igualando o recorde estabelecido em 2023.

O Brasil integra a mostra competitiva com "O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho.

O júri de Cannes anunciará o vencedor da Palma de Ouro no dia 24 de maio.

(T.Renner--BBZ)