Berliner Boersenzeitung - A resistência e a vida dupla dos iranianos na Berlinale

EUR -
AED 4.260504
AFN 73.664967
ALL 94.722932
AMD 427.163977
ANG 2.077064
AOA 1064.404501
ARS 1666.773314
AUD 1.643553
AWG 2.088198
AZN 1.971196
BAM 1.954991
BBD 2.337733
BDT 142.482276
BGN 1.961607
BHD 0.437482
BIF 3469.88901
BMD 1.16011
BND 1.486985
BOB 8.049669
BRL 5.905889
BSD 1.16072
BTN 109.700611
BWP 15.552565
BYN 3.21347
BYR 22738.156
BZD 2.334434
CAD 1.624206
CDF 2691.45534
CHF 0.918749
CLF 0.026109
CLP 1027.578884
CNY 7.839386
CNH 7.839391
COP 3984.97785
CRC 528.681256
CUC 1.16011
CUP 30.742915
CVE 110.616579
CZK 24.132666
DJF 206.174594
DKK 7.466631
DOP 67.982381
DZD 154.154226
EGP 57.898999
ERN 17.40165
ETB 183.732446
FJD 2.591338
FKP 0.863268
GBP 0.865002
GEL 3.06849
GGP 0.863268
GHS 13.106574
GIP 0.863268
GMD 84.687664
GNF 10182.864383
GTQ 8.847416
GYD 242.799541
HKD 9.089357
HNL 30.971685
HRK 7.533811
HTG 151.58728
HUF 348.786656
IDR 20590.328346
ILS 3.38581
IMP 0.863268
INR 109.409392
IQD 1519.7441
IRR 1595151.249933
ISK 144.236512
JEP 0.863268
JMD 183.574046
JOD 0.82254
JPY 185.922708
KES 150.257654
KGS 101.451343
KHR 4654.93333
KMF 493.046532
KPW 1044.099406
KRW 1753.929702
KWD 0.357428
KYD 0.9673
KZT 566.040919
LAK 25557.223072
LBP 103887.850563
LKR 388.852463
LRD 211.313839
LSL 18.787817
LTL 3.425504
LVL 0.701739
LYD 7.395724
MAD 10.725237
MDL 20.25462
MGA 4872.461941
MKD 61.586339
MMK 2435.589414
MNT 4150.091461
MOP 9.364925
MRU 46.497261
MUR 54.676263
MVR 17.935584
MWK 2013.951258
MXN 19.990853
MYR 4.71562
MZN 74.133471
NAD 18.796006
NGN 1576.728299
NIO 42.471743
NOK 11.008109
NPR 175.519865
NZD 1.99503
OMR 0.44606
PAB 1.16072
PEN 3.958887
PGK 5.090273
PHP 70.039332
PKR 322.856509
PLN 4.231698
PYG 7083.069353
QAR 4.223383
RON 5.228658
RSD 117.253541
RUB 84.655021
RWF 1726.24368
SAR 4.35261
SBD 9.352139
SCR 16.375096
SDG 696.64527
SEK 10.89225
SGD 1.487296
SHP 0.866139
SLE 28.713061
SLL 24326.930896
SOS 663.011597
SRD 43.309257
STD 24011.934747
STN 24.826354
SVC 10.155886
SYP 128.229392
SZL 18.790163
THB 37.7436
TJS 10.759748
TMT 4.071986
TND 3.377951
TOP 2.793267
TRY 53.733558
TTD 7.884738
TWD 36.611334
TZS 3045.292196
UAH 51.98324
UGX 4294.223249
USD 1.16011
UYU 46.861015
UZS 13927.120385
VES 691.467784
VND 30541.05586
VUV 138.346395
WST 3.17837
XAF 655.685708
XAG 0.016656
XAU 0.000269
XCD 3.135256
XCG 2.091916
XDR 0.816366
XOF 655.462358
XPF 119.331742
YER 276.831278
ZAR 18.834699
ZMK 10442.38501
ZMW 20.515512
ZWL 373.554947
A resistência e a vida dupla dos iranianos na Berlinale
A resistência e a vida dupla dos iranianos na Berlinale / foto: RALF HIRSCHBERGER - AFP

A resistência e a vida dupla dos iranianos na Berlinale

Após a sangrenta repressão das manifestações no Irã e diante das ameaças de intervenção militar dos Estados Unidos, os filmes iranianos apresentados este ano na Berlinale ressoam com mais força do que em anos anteriores.

Tamanho do texto:

A repressão estatal é o fio condutor de "Roya", de Mahnaz Mohammadi, que explora o trauma de uma prisioneira política após sua passagem pela tristemente célebre prisão de Evin, em Teerã. A diretora sabe do que fala, já que esteve presa lá.

A sequência inicial é arrepiante. Filmada do ponto de vista de Roya, revela o tratamento degradante infligido pelos carcereiros.

Resistir à ideologia oficial faz de você um "inimigo" aos olhos das autoridades iranianas, explica Mohammadi à AFP.

Com seu filme, ela deseja mostrar como essa opressão deixa marcas nas vítimas. "Não fica no passado, muda sua vida e a sua percepção, muda tudo", insiste.

Como o nome Roya, que pode significar "sonho", muitas cenas de alucinações marcam o ritmo das imagens, ilustrando o descompasso psíquico e o trauma sofrido.

- Cápsula do tempo -

Em seu curta-metragem documental "Fruits of Despair (Frutos do desespero, em tradução livre), Nima Nassaj relata sua experiência durante a guerra dos 12 dias de junho de 2025 entre Israel e o Irã.

Como muitos habitantes de Teerã, ele encontrou refúgio com sua família em um vilarejo próximo à capital.

O filme é uma "cápsula do tempo" desses doze dias e de seu estado de espírito no período, que descreve como "devastado".

Assim como a protagonista de "Roya", as personagens de seu filme permanecem em silêncio. Apenas uma narração acompanha o espectador.

O diretor conta que se sentiu "totalmente isolado" nestes dias, inclusive das pessoas ao seu redor. "Quando você se depara com o medo da morte, com esse grau de incerteza, é muito difícil se comunicar", explica.

A narração é interrompida por frases projetadas em vermelho intenso na tela. Uma delas diz: "Estamos presos aos jogos de uma quadrilha de loucos".

"A cada ano há mais coisas deste tipo no mundo", observa Nassaj, para quem seu filme reflete a impotência das pessoas comuns diante de "momentos de crise" em um mundo cada vez mais imprevisível.

- Querem liberdade -

“Cesarean Weekend” parece menos abertamente político. Apresenta-se como uma descrição “intensa, selvagem e filosófica” da sociedade iraniana contemporânea.

Para seu criador, Mohammad Shirvani, “há uma diferença entre os diretores que reagem diretamente à República Islâmica e cineastas como eu, que falam da vida dos iranianos”, explicou à AFP por meio de um tradutor.

Seu objetivo é escapar à tendência, nas salas ocidentais, de oferecer uma “imagem orientalizada e exótica do Irã”.

O filme começa com uma festa em uma casa perto do Mar Cáspio, com jovens que bebem, fumam, se beijam e dançam.

“Cada iraniano, ao longo dos 47 anos da República Islâmica, aprendeu a levar uma vida dupla”, acrescenta o cineasta. Seu filme mostra ao público a “o estilo underground da juventude iraniana” de classe média.

A geração de Shirvani, nascido em 1973 — anos antes da Revolução Islâmica de 1979 —, teve de “adaptar-se como pôde e contornar as limitações”.

“Mas esta jovem geração não as suporta, quer se libertar”, insiste. Escolher um ambiente isolado, próximo da natureza, é uma maneira de conquistar mais “liberdade e espaço”, destaca.

Segundo várias ONGs, milhares de pessoas, em sua maioria civis, morreram durante os recentes distúrbios.

“Este tipo de massacre é algo sem precedentes na história iraniana”, declarou a atriz Maryam Palizban, intérprete em “Roya”. “Este regime não deveria mais existir”, acrescentou.

Apesar dos riscos, a cineasta Mahnaz Mohammadi afirma estar decidida a retornar ao Irã. Ela quer viver o suficiente para ver os iranianos “felizes e em paz”.

(S.G.Stein--BBZ)