Berliner Boersenzeitung - Inflação volta a recuar nos EUA e chega a 4,2% em 12 meses

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Inflação volta a recuar nos EUA e chega a 4,2% em 12 meses
Inflação volta a recuar nos EUA e chega a 4,2% em 12 meses / foto: Patrick T. Fallon - AFP/Arquivos

Inflação volta a recuar nos EUA e chega a 4,2% em 12 meses

Uma queda nos preços da energia ajudou a moderar fortemente a inflação em 12 meses nos Estados Unidos, segundo dados de março, que a situam em 4,2%, a poucos dias da reunião do comitê de política monetária do Federal Reserve (Fed, banco central americano).

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O dado do índice PCE, publicado nesta sexta-feira (28) pelo Departamento de Comércio, demonstra um recuo com relação aos 5,1% em 12 meses, registrados em fevereiro (corrigindo levemente os 5% iniciais).

Este índice, o mais seguido pelo Fed, banco central americano, mostra, ainda, que na medição mês a mês a alta dos preços moderou-se a 0,1%, em linha com as expectativas dos analistas, segundo o consenso publicado pelo briefing.com.

A inflação subjacente, que exclui os preços voláteis de alimentação e energia, também recuou, embora agora supere a inflação geral, situando-se a 4,6% em um ano frente a 4,7% no mês anterior.

Na medição mês a mês, a inflação subjacente foi de 0,3%, de acordo com as expectativas.

"A inflação subjacente modera-se levemente, mas continua acima da meta" do Fed, destacou a economista-chefe do HFE, Rubeela Farooqi, para quem os resultados do mês passado são insuficientes para levar a instituição a esperar para voltar a elevar as taxas básicas de juros.

O índice PCE é o preferido pelo Fed para considerar a inflação, que espera trazer para 2% em um ano, objetivo para o qual tem elevado reiteradamente suas taxas básicas de juros de forma a encarecer o crédito e, assim, desestimular o consumo e os investimentos.

- Serviços continuam caros -

Até agora, os preços eram impulsionados por estoques externos e seus efeitos sobre as matérias-primas - particularmente o petróleo - e os alimentos.

Mas não é mais assim: os preços da energia caíram 10% em março e os alimentos, 8%, frente aos 10% das medições de fevereiro.

A inflação se concentra, assim, nos serviços, que subiram 5,5%, igualmente abaixo dos 5,8% de fevereiro.

São elementos que deveriam levar o comitê monetário do Fed, que se reúne na próxima semana, a voltar a aumentar suas taxas básicas de juros, atualmente entre 4,75-5%, frente 0%-0,25% há pouco mais de um ano.

O mercado antecipa um aumento de 0,25 ponto percentual.

"Acreditamos que o aumento dos juros na próxima semana será o ponto culminante do ciclo de ajustes. O Fed provavelmente vai precisar de um pouco de tempo para avaliar o impacto do ajuste rápido que operou nos últimos 18 meses, antes de decidir como vai continuar", avaliou Luke Bartholomew, economista sênior da companhia de investimentos abrdn.

- Inflação versus juros -

Com uma inflação que agora é inferior aos juros aplicados, o Fed entra em um território novo: o do ajuste real, com um impacto que poderia ser ainda maior na economia.

Embora o mercado de trabalho continue sólido, com uma taxa de desemprego de 3,5%, o aumento do custo do dinheiro se faz sentir.

A maioria dos analistas espera um fim de ano mais difícil para os Estados Unidos, com um crescimento que será frágil ou inclusive com uma curta recessão, devido a condições de crédito mais difíceis.

O temor do Fed é ver se materializar um risco de inflação "generalizada na economia", alertou uma de suas governadoras, Lisa Cook, em 21 de abril, quando ressaltou que embora as diferentes medições de inflação "retrocedam de seus pontos máximos, continuam sendo altas, o que sugere que a inflação se generalizou na economia".

"A grande pergunta é se a inflação continuará em sua trajetória descendente até nossa meta de 2%, e com que rapidez", acrescentou.

(S.G.Stein--BBZ)