Berliner Boersenzeitung - Fed eleva juros pela décima vez para frear inflação nos EUA

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Fed eleva juros pela décima vez para frear inflação nos EUA
Fed eleva juros pela décima vez para frear inflação nos EUA / foto: Olivier Douliery - AFP/Arquivos

Fed eleva juros pela décima vez para frear inflação nos EUA

O Federal Reserve (Fed, banco central americano) elevou, nesta quarta-feira (3), em um quarto de ponto percentual, sua taxa básica de juros pela décima vez consecutiva, desde março de 2022, para frear a inflação, apesar dos sinais de desaquecimento da economia e da recente crise bancária.

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A principal taxa de juros dos EUA situa-se agora entre 5,00% e 5,25%, a mais alta desde 2006. A decisão foi tomada de forma unânime, anunciou o banco central americano em comunicado, depois de dois dias de deliberações do comitê de política monetária (FOMC, na sigla em inglês).

Agora, atores do mercado esperam uma pausa nos aumentos, que encarecem o crédito para pessoas físicas e jurídicas. Além disso, ao frearem a atividade econômica, os juros altos devem contribuir para aliviar a pressão sobre os preços.

O presidente da instituição, Jerome Powell, disse que, na reunião, não foi cogitada uma pausa nos aumentos, mas assinalou que houve uma mudança de tom na linguagem do comunicado.

O Fed já não indica que prevê novos aumentos: "eliminamos essa parte", disse. Trata-se de "uma mudança significativa", ressaltou.

Na nota, os dirigentes do banco central disseram que vão observar os efeitos de suas decisões e o prazo de seus impactos na economia real, assim como "a evolução econômica e financeira", para definir a necessidade de um endurecimento maior das medidas para que a inflação volte à meta de 2,00%.

Powell disse aos jornalistas que a política monetária é agora "restritiva", ou seja, impede que a atividade econômica superaqueça ainda mais.

Consequentemente, "hoje não foi tomada nenhuma decisão sobre uma pausa", assinalou. O apoio a uma elevação de 0,25% "era muito forte no Comitê", destacou. "Falou-se de uma pausa, mas não realmente para esta reunião."

E não está prevista nenhuma redução dos juros antes do fim deste ano, pois a inflação "não vai cair rapidamente", frisou Powell.

Para Joe Manimbo, analista da Convera Financial Services, "o comunicado do Fed dá aos funcionários políticos plena flexibilidade para suspender os aumentos de taxas ou continuar com os mesmos, em função da evolução da inflação e dos riscos que a economia vai enfrentar, como a contínua instabilidade de alguns bancos regionais".

- Sinais de debilidade -

A crise bancária ofereceu um apoio inesperado à luta do Fed contra a inflação.

"É provável que o aperto das condições de crédito para famílias e empresas tenha um peso na atividade econômica, no emprego e na inflação", advertiu o Fed em sua nota. Contudo, insistiu em que "o sistema bancário americano é sólido e resistente".

Embora estivesse resistindo, a economia americana vem mostrando sinais de desaceleração, que eram esperados há algum tempo e agora estão visíveis.

No primeiro trimestre, a maior economia do mundo cresceu 0,3% em comparação com os três últimos meses de 2022, e apenas 1,1% em estimativa anualizada. Além disso, a probabilidade de uma recessão é amplamente antecipada pelos mercados.

A fragilidade de alguns bancos voltou ao primeiro plano, com a quebra do banco regional First Republic, finalmente comprado na segunda-feira pelo gigante JPMorgan Chase, o número um do setor.

A preocupação com a solidez dos bancos de médio porte continua forte e vários deles registraram pequenas reduções nos preços de suas ações nesta quarta-feira em Wall Street, após a forte queda de ontem.

Apesar de a elevação dos preços ter registrado uma queda significativa em março, o núcleo da inflação - que exclui os preços mais voláteis, como alimentos e energia - apenas desacelerou e é agora mais alto que a inflação propriamente dita.

Powell disse reiteradamente nos últimos meses que trazer a inflação de volta à meta de 2% será um esforço longo e difícil, mas também necessário porque, caso contrário, isto teria consequências mais nefastas no longo prazo.

(G.Gruner--BBZ)