Berliner Boersenzeitung - Barbárie contra cinco amigos aterroriza cidade mexicana

EUR -
AED 4.385233
AFN 77.61497
ALL 96.381042
AMD 452.143941
ANG 2.137486
AOA 1094.965307
ARS 1724.839952
AUD 1.705709
AWG 2.150824
AZN 2.023326
BAM 1.950382
BBD 2.403792
BDT 145.842406
BGN 2.00529
BHD 0.450137
BIF 3535.334404
BMD 1.194073
BND 1.505997
BOB 8.247158
BRL 6.220643
BSD 1.19347
BTN 109.627454
BWP 15.616552
BYN 3.39343
BYR 23403.827993
BZD 2.400352
CAD 1.6217
CDF 2674.723408
CHF 0.918953
CLF 0.026089
CLP 1030.123768
CNY 8.304359
CNH 8.294925
COP 4394.188113
CRC 592.347015
CUC 1.194073
CUP 31.642931
CVE 109.958154
CZK 24.295979
DJF 212.210937
DKK 7.466561
DOP 75.090455
DZD 154.405125
EGP 55.911983
ERN 17.911093
ETB 185.584399
FJD 2.62499
FKP 0.866453
GBP 0.865846
GEL 3.217952
GGP 0.866453
GHS 13.044871
GIP 0.866453
GMD 87.167473
GNF 10472.774994
GTQ 9.15641
GYD 249.695299
HKD 9.315607
HNL 31.496108
HRK 7.538297
HTG 156.293851
HUF 380.725312
IDR 20019.825517
ILS 3.699088
IMP 0.866453
INR 109.991431
IQD 1563.43712
IRR 50300.31928
ISK 144.805323
JEP 0.866453
JMD 187.087918
JOD 0.846557
JPY 183.369016
KES 154.035258
KGS 104.421911
KHR 4797.672032
KMF 491.958321
KPW 1074.596133
KRW 1713.399287
KWD 0.366162
KYD 0.994637
KZT 601.339474
LAK 25712.78503
LBP 106877.38889
LKR 369.558721
LRD 220.796625
LSL 18.976864
LTL 3.525787
LVL 0.722283
LYD 7.495084
MAD 10.790987
MDL 20.0144
MGA 5325.251011
MKD 61.666321
MMK 2507.53068
MNT 4265.99436
MOP 9.591635
MRU 47.643049
MUR 53.841119
MVR 18.460284
MWK 2069.550773
MXN 20.561528
MYR 4.679547
MZN 76.133729
NAD 18.976944
NGN 1666.173702
NIO 43.917995
NOK 11.498326
NPR 175.40153
NZD 1.978692
OMR 0.459131
PAB 1.193494
PEN 3.993373
PGK 5.108744
PHP 70.249681
PKR 333.873104
PLN 4.203859
PYG 8014.634606
QAR 4.339445
RON 5.09571
RSD 117.414371
RUB 91.454536
RWF 1741.262759
SAR 4.478236
SBD 9.645334
SCR 16.41712
SDG 718.229283
SEK 10.586107
SGD 1.508947
SHP 0.895864
SLE 29.013143
SLL 25039.109895
SOS 680.899902
SRD 45.484624
STD 24714.897312
STN 24.431821
SVC 10.442858
SYP 13205.938189
SZL 18.969066
THB 37.120119
TJS 11.15307
TMT 4.179255
TND 3.413218
TOP 2.875041
TRY 51.831957
TTD 8.100564
TWD 37.496875
TZS 3056.826235
UAH 51.016335
UGX 4273.075686
USD 1.194073
UYU 45.163967
UZS 14439.705001
VES 428.046641
VND 31123.509012
VUV 142.896113
WST 3.254277
XAF 654.1316
XAG 0.010504
XAU 0.000225
XCD 3.227042
XCG 2.150898
XDR 0.812221
XOF 654.128869
XPF 119.331742
YER 284.668585
ZAR 18.969155
ZMK 10748.104272
ZMW 23.720303
ZWL 384.490973
Barbárie contra cinco amigos aterroriza cidade mexicana
Barbárie contra cinco amigos aterroriza cidade mexicana / foto: ULISES RUIZ - AFP

Barbárie contra cinco amigos aterroriza cidade mexicana

Mãos impressas com sangue na parede ficaram como uma marca da barbárie em uma casa de Lagos de Moreno, no México, onde cinco jovens, amigos de infância, foram torturados e supostamente assassinados por matadores de aluguel do narcotráfico.

Tamanho do texto:

Três semanas depois do ocorrido, Dante, Diego, Jaime, Roberto Carlos e Uriel continuam desaparecidos, assim como outras 111.200 pessoas no México.

Enquanto isso, os criminosos parecem atingir seu objetivo: a cidade vive uma psicose que paralisa a vida e incentiva os criminosos, que vigiam cada esquina.

"Mantemos a ilusão de que vão nos devolver o corpo para lhe darmos um enterro cristão", diz Armando Olmeda, pai de Roberto Carlos, estudante de engenharia industrial de 20 anos, fã de boxe e que planejava migrar para o Canadá.

Mas o caso dos cinco amigos sequestrados no dia 11 de agosto em um mirante no bairro operário de San Miguel causou polêmica, porque o martírio foi divulgado em uma foto e um vídeo.

- Terror -

Sob um sol intenso, na entrada de uma casa rural semiconstruída, os lagartos correm pela terra retirada pelos peritos dias antes. Ali foram torturados jovens com idades entre 19 e 22 anos, segundo imagens divulgadas por seus algozes. Nelas, aparecem ajoelhados, com as mãos amarradas, amordaçados e o rosto ferido.

Mas a cena mais chocante dessa noite mostra um dos garotos atacando um de seus amigos, provavelmente forçado pelos criminosos. Outros dois corpos jazem inertes.

"Não desejo isso nem ao meu pior inimigo", afirma Ana Martínez, irmã de Jaime, um pedreiro de 21 anos que ela lembra como um "craque" do futebol que desistiu do sonho de ser jogador profissional por falta de recursos.

"Meu irmão estava no lugar e na hora errados. Não era um garoto ruim", diz Ana.

Na localidade de La Orilla del Agua, as casas vizinhas parecem vazias, e a cena do crime aterroriza: manchas de sangue, pedras, com as quais as vítimas teriam sido alvejadas, e olhares ameaçadores.

"Bem-vindos MZ", diz uma mensagem, em aparente alusão a Ismael "Mayo" Zambada, um dos chefes do Cartel de Sinaloa, em guerra com o Cartel Jalisco Nueva Generación, a maior organização criminosa do México espalhada por vários países.

Embora a Promotoria não tenha revelado hipóteses, circulam em Lagos várias versões sobre as possíveis motivações do crime.

Desde a pretensão de recrutar os jovens à força, até a intenção de mostrar do que os traficantes de drogas "são capazes", diz Mauricio Jiménez, padre desta cidade de 112.000 habitantes e igrejas monumentais.

Após os acontecimentos, as autoridades lançaram operações nessa área, onde capturaram 85 pessoas por crimes como desaparecimento de pessoas, informou à AFP o coordenador de Segurança de Jalisco, Ricardo Sánchez.

- Crematórios clandestinos -

Com uma próspera indústria de laticínios e fábricas pertencentes a gigantes como a Nestlé, Lagos é fundamental, ao se conectar com estados como Aguascalientes, Guanajuato e Zacatecas, onde os cartéis estão arraigados.

A poucos quarteirões do local da tragédia, uma olaria rústica permanece isolada, depois que o Ministério Público anunciou em 21 de agosto a descoberta de restos de esqueletos.

"O processo (de identificação) é complicado", porque eles são "afetados pela combustão", disse o procurador Joaquín Méndez.

Nervoso, sem fixar o olhar, um morador garante que, nos fornos de algumas olarias, "incineram" corpos. Disse ter dois há nove meses.

Jalisco é o estado com mais desaparecidos. São quase 15 mil do total nacional, a maioria desde 2006, quando a luta contra as drogas se militarizou, e a taxa de homicídios triplicou para 25 casos a cada 100 mil habitantes hoje.

Alegando inação das autoridades, familiares buscam seus desaparecidos com picaretas e pás e se esquivam dos perigos em municípios como Tlajomulco, onde centenas de corpos foram encontrados este ano.

- 'Soldados da máfia' -

Em Lagos de Moreno, o caso dos cinco deixa os jovens em pânico, já que a maioria dos desaparecidos ali tinha entre 20 e 24 anos.

"São os soldados da máfia" que os recruta com "mentiras", denuncia o padre Jiménez.

Em maio, oito jovens foram assassinados em Zapopan (Jalisco), supostamente enquanto tentavam "desertar" de um "call center", usado para extorquir dinheiro.

"Ser jovem em Lagos e sair à noite é pôr uma arma na boca (...). Não sei mais se volto", afirma um estudante, depois de um segurança particular ter denunciado um suposto "falcón" (informante) rondando a universidade local, onde Roberto Carlos também estudava.

Os horários acadêmicos foram modificados, e alunos como esse jovem deixaram de sair para se divertir e nem buzinam mais.

O impacto econômico é devastador, já que as vendas no comércio despencaram 70%, relata um líder sindical, para quem a polícia "se destaca por sua ausência".

"Nem na pandemia vivemos algo assim", completa.

A tragédia também reabriu feridas.

Em frente à casa onde seu filho e outros cinco jovens foram desintegrados no ácido, em 2013, Ana Teresa Hernández mostra as olheiras proeminentes. Não consegue dormir pensando na dor das vítimas, o que a lembra de seu sofrimento, quando procurava Ángel, de 19 anos, sequestrado por narcotraficantes.

Ana recebeu apenas um osso que sacrificou em um teste de DNA para ter certeza. "É uma ferida que dilacera o tempo todo", desabafou.

Em uma noite fria, depois de uma missa, o pai de Roberto Carlos, a quem deu o nome pelo jogador de futebol brasileiro, espera que sua dor comece a sarar quando encontrarem o filho "do jeito que for".

(B.Hartmann--BBZ)