Berliner Boersenzeitung - Com estiagem cada vez mais forte, guatemaltecos aprendem a aproveitar cada gota

EUR -
AED 4.396731
AFN 77.817676
ALL 96.633692
AMD 453.329176
ANG 2.143089
AOA 1097.83457
ARS 1729.352468
AUD 1.702011
AWG 2.156462
AZN 2.039423
BAM 1.955494
BBD 2.410093
BDT 146.224712
BGN 2.010547
BHD 0.451307
BIF 3544.601811
BMD 1.197203
BND 1.509945
BOB 8.268777
BRL 6.222465
BSD 1.196598
BTN 109.914828
BWP 15.657488
BYN 3.402326
BYR 23465.178004
BZD 2.406644
CAD 1.621444
CDF 2681.734654
CHF 0.916602
CLF 0.026164
CLP 1033.114564
CNY 8.326128
CNH 8.30948
COP 4394.165854
CRC 593.899773
CUC 1.197203
CUP 31.725878
CVE 110.246395
CZK 24.298668
DJF 212.767411
DKK 7.466817
DOP 75.287294
DZD 154.645006
EGP 56.071477
ERN 17.958044
ETB 186.070884
FJD 2.623191
FKP 0.868725
GBP 0.866422
GEL 3.226409
GGP 0.868725
GHS 13.079066
GIP 0.868725
GMD 87.39575
GNF 10500.227976
GTQ 9.180412
GYD 250.349842
HKD 9.339919
HNL 31.578671
HRK 7.53436
HTG 156.703555
HUF 380.275952
IDR 20043.152925
ILS 3.708785
IMP 0.868725
INR 110.191817
IQD 1567.535462
IRR 50432.174852
ISK 144.777925
JEP 0.868725
JMD 187.578344
JOD 0.848805
JPY 183.289346
KES 154.4388
KGS 104.695501
KHR 4810.248488
KMF 493.247274
KPW 1077.413043
KRW 1709.522081
KWD 0.366883
KYD 0.997244
KZT 602.915806
LAK 25780.187663
LBP 107157.553697
LKR 370.52747
LRD 221.375414
LSL 19.02661
LTL 3.535029
LVL 0.724176
LYD 7.514732
MAD 10.819274
MDL 20.066865
MGA 5339.210445
MKD 61.63438
MMK 2514.103837
MNT 4277.177094
MOP 9.616778
MRU 47.767939
MUR 53.981893
MVR 18.508609
MWK 2074.975824
MXN 20.55437
MYR 4.691876
MZN 76.333354
NAD 19.026689
NGN 1669.451383
NIO 44.033121
NOK 11.46487
NPR 175.861322
NZD 1.977324
OMR 0.46032
PAB 1.196623
PEN 4.003841
PGK 5.122136
PHP 70.371645
PKR 334.748308
PLN 4.205343
PYG 8035.6439
QAR 4.35082
RON 5.095894
RSD 117.401305
RUB 91.634445
RWF 1745.827247
SAR 4.489949
SBD 9.670618
SCR 16.465834
SDG 720.117452
SEK 10.562347
SGD 1.510601
SHP 0.898212
SLE 29.090341
SLL 25104.746579
SOS 682.68479
SRD 45.603892
STD 24779.684116
STN 24.495866
SVC 10.470233
SYP 13240.555793
SZL 19.01879
THB 37.293058
TJS 11.182306
TMT 4.19021
TND 3.422165
TOP 2.882577
TRY 51.974413
TTD 8.121799
TWD 37.457606
TZS 3064.839423
UAH 51.150068
UGX 4284.276983
USD 1.197203
UYU 45.282358
UZS 14477.556759
VES 429.168708
VND 31205.095136
VUV 143.270697
WST 3.262808
XAF 655.846319
XAG 0.010177
XAU 0.000217
XCD 3.235501
XCG 2.156536
XDR 0.81435
XOF 655.84358
XPF 119.331742
YER 285.40063
ZAR 18.820276
ZMK 10776.267075
ZMW 23.782483
ZWL 385.498864
Com estiagem cada vez mais forte, guatemaltecos aprendem a aproveitar cada gota
Com estiagem cada vez mais forte, guatemaltecos aprendem a aproveitar cada gota / foto: Johan ORDONEZ - AFP

Com estiagem cada vez mais forte, guatemaltecos aprendem a aproveitar cada gota

Na aldeia San Pablo Las Delicias, no norte da Guatemala, Maria Baten chora por causa da falta d'água. "Não tenho água, não tenho nada", diz esta mãe de cinco filhos em idioma maia, enquanto enxuga as lágrimas.

Tamanho do texto:

A seca ameaça com uma crise alimentar esta região guatemalteca, onde os indígenas aprendem a aproveitar ao máximo as chuvas escassas, mantendo a umidade do solo em que cultivam, sobretudo, milho e feijão.

"Invejo as pessoas que têm água, de verdade invejo essa gente [...] Que sofrimento!", desabafa Baten, de 36 anos, em declarações à AFP.

Organizações internacionais consideram a Guatemala um dos dez países do mundo mais vulneráveis às mudanças climáticas, cujos efeitos levam dezenas de milhares de pessoas a migrar anualmente aos Estados Unidos.

Encravado nas montanhas, o departamento (estado) de Quiché é habitado em sua maioria por indígenas maias, que vivem na pobreza.

A ONG Save the Children, presente na região em múltiplos programas de ajuda, estima que 3,5 milhões dos quase 18 milhões de habitantes da Guatemala estão sob ameaça de "uma crise alimentar sem precedentes" pela escassez de chuvas, associada às mudanças climáticas e ao fenômeno El Niño.

A organização capacita os moradores em técnicas para conservar a umidade do solo, como a escavação de canais de irrigação para filtrar as águas nas encostas, e a construção de barreiras para evitar deslizamentos.

Estas técnicas "permitem a conservação dos solos, obter uma irrigação melhor" e ensinam as comunidades a "cuidar de seus cultivos", explica Alejandra Flores, diretora interina da Save the Children na Guatemala.

A temporada de chuvas ia de maio a outubro na Guatemala, mas, com o El Niño presente em grande parte da América Central, as chuvas são agora "bastante irregulares e deficitárias em alguns lugares", afirma o meteorologista César George.

- 'Presente do Senhor' -

Os moradores também recebem treinamento para produzir fertilizantes a partir da vegetação e um inseticida natural à base de pimenta e alho.

Três em cada cinco guatemaltecos vivem na pobreza, mas a taxa aumenta para quatro a cada cinco nos povoados indígenas, onde as chuvas são vitais na produção agrícola e na alimentação.

Usando um vestido colorido, Raymunda Itzol, da comunidade Xecanap, tira ervas daninhas de seu pequeno cultivo de feijão. "Aqui não tem água", só as chuvas "que o Senhor nos dá de presente", afirma.

Sentado em um banco, Francisco Carrillo, de 87 anos, descasca espigas de milho em sua casa rústica na mesma aldeia. "Não houve chuvas e não foi boa" a colheita, diz, enquanto separa as espigas comestíveis das demais. Ele terá que descartar a metade.

- 'As crianças adoecem' -

Nas zonas rurais de Quiché, as famílias indígenas vivem em casas precárias de adobe, com tetos de telha ou chapas de zinco e sem água potável.

Há anos, coletam água da chuva, de riachos ou a armazenam em poços cavados na terra.

Às vezes, a água é contaminada por animais e, ao bebê-la, "as crianças adoecem", diz Tomasa Ixcotoyac, de 40 anos, enquanto tira água barrenta de um dos poços com um balde.

A ONG também ensina os moradores a purificar a água para evitar doenças.

Com garrafas de plástico em cima de uma mesa, os capacitadores mostram o passo a passo para despejar as gotas de cloro e ensinam, em um fogão, que as bolhas indicam que a água ferveu e é potável.

Milhares de famílias também recebem ajuda em dinheiro da ONG - cerca de 80 dólares (R$ 400 na cotação atual) mensais durante vários meses ao ano - para comprar comida.

Para enfrentar a seca, o governo guatemalteco e a agência das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) implementam um plano de US$ 66,7 milhões (R$ 333 milhões, na cotação atual) para melhorar os sistemas de captação de água.

O projeto pretende assegurar o sustento de 19.000 famílias no Corredor Seco, uma faixa árida de terra no norte da Guatemala, que também abrange partes de Honduras, El Salvador e Nicarágua, e é vulnerável a eventos climáticos extremos.

Por sua vez, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) promove a colheita de hortaliças como cenoura, rabanete, tomate e ervas que não demandem muita irrigação e se reproduzem em períodos mais curtos. Também entregam sementes fortificadas de milho e feijão, explicou o diretor-adjunto da entidade na Guatemala, Hebert López.

- 'Medo da chuva' -

Embora a seca atinja vastas áreas de Quiché, há outras na região que são afetadas por temporais que devastam casas e cultivos, cuja intensidade também é vinculada às mudanças climáticas.

"Quando chove, sentimos medo", relata Ilsia López na aldeia Sajubal, zona maia, afetada pelos furacões Eta e Iota, em 2020, fora do Corredor Seco.

Margeada por precipícios e pinheirais, aqui chove mais devido aos cumes altos. Uma colheita recente de feijão "apodreceu" por excesso de umidade no solo, conta López, de 31 anos, mostrando as vagens secas.

A região da América Central e Caribe é "a que mais sofre com os embates das mudanças climáticas", embora "gere um percentual ínfimo de gases de efeito estufa", disse na semana passada, na Assembleia Geral da ONU, o presidente guatemalteco, Alejandro Giammattei. "Somos os que mais sofremos com os danos ano após ano."

(F.Schuster--BBZ)