Berliner Boersenzeitung - Em Cuba, cada vez mais alimentos importados que cultivados

EUR -
AED 4.184807
AFN 72.928132
ALL 93.948008
AMD 419.56817
ANG 2.040159
AOA 1045.485843
ARS 1687.793052
AUD 1.654166
AWG 2.051095
AZN 1.933925
BAM 1.955057
BBD 2.295698
BDT 140.428482
BGN 1.926753
BHD 0.429742
BIF 3391.881238
BMD 1.139497
BND 1.475459
BOB 7.893312
BRL 5.898837
BSD 1.139767
BTN 107.857675
BWP 15.44774
BYN 3.341374
BYR 22334.140497
BZD 2.292259
CAD 1.622029
CDF 2592.35535
CHF 0.922372
CLF 0.026658
CLP 1049.192366
CNY 7.741685
CNH 7.741759
COP 3937.451995
CRC 519.695662
CUC 1.139497
CUP 30.19667
CVE 110.228431
CZK 24.255162
DJF 202.970882
DKK 7.474513
DOP 67.945074
DZD 151.758515
EGP 56.110201
ERN 17.092454
ETB 182.441973
FJD 2.561304
FKP 0.85991
GBP 0.861693
GEL 3.008524
GGP 0.85991
GHS 12.904927
GIP 0.85991
GMD 83.752993
GNF 9991.466055
GTQ 8.695657
GYD 238.418811
HKD 8.935645
HNL 30.498811
HRK 7.538002
HTG 149.025329
HUF 356.233528
IDR 20399.274652
ILS 3.395074
IMP 0.85991
INR 107.855724
IQD 1493.152222
IRR 1567947.822786
ISK 144.009172
JEP 0.85991
JMD 179.581755
JOD 0.807874
JPY 185.088451
KES 147.519107
KGS 99.648929
KHR 4587.437828
KMF 492.262918
KPW 1025.547667
KRW 1767.222732
KWD 0.352959
KYD 0.949877
KZT 546.179629
LAK 25563.621729
LBP 102069.042163
LKR 382.9795
LRD 206.913119
LSL 18.652221
LTL 3.364639
LVL 0.68927
LYD 7.322442
MAD 10.713045
MDL 20.140142
MGA 4835.226149
MKD 61.67325
MMK 2392.359585
MNT 4081.745568
MOP 9.207226
MRU 45.543493
MUR 53.77304
MVR 17.616485
MWK 1976.426962
MXN 19.902967
MYR 4.653721
MZN 72.756699
NAD 18.652957
NGN 1574.678344
NIO 41.944612
NOK 11.306373
NPR 172.53973
NZD 2.013406
OMR 0.438141
PAB 1.139802
PEN 3.895471
PGK 5.006251
PHP 69.925266
PKR 316.941327
PLN 4.294889
PYG 6931.578741
QAR 4.166345
RON 5.244763
RSD 117.330574
RUB 89.05205
RWF 1670.731062
SAR 4.282529
SBD 9.190089
SCR 15.67518
SDG 684.268451
SEK 11.09306
SGD 1.475506
SHP 0.85075
SLE 28.260681
SLL 23894.685765
SOS 651.37247
SRD 42.724869
STD 23585.286522
STN 24.490693
SVC 9.973472
SYP 125.95099
SZL 18.649749
THB 37.87682
TJS 10.531806
TMT 3.999634
TND 3.377916
TOP 2.743636
TRY 53.169044
TTD 7.736162
TWD 36.278622
TZS 2991.182984
UAH 51.080157
UGX 4177.54075
USD 1.139497
UYU 45.754821
UZS 13682.440125
VES 709.044603
VND 29985.862611
VUV 136.686136
WST 3.168873
XAF 655.733701
XAG 0.019858
XAU 0.000286
XCD 3.079548
XCG 2.054101
XDR 0.816149
XOF 655.727949
XPF 119.331742
YER 271.881663
ZAR 18.652141
ZMK 10256.843451
ZMW 20.545004
ZWL 366.917558
Em Cuba, cada vez mais alimentos importados que cultivados
Em Cuba, cada vez mais alimentos importados que cultivados / foto: Yamil LAGE - AFP

Em Cuba, cada vez mais alimentos importados que cultivados

A produção agrícola em Artemisa, uma província que costumava ser um dos celeiros de Havana, tem diminuído drasticamente nos últimos anos, uma situação comum em toda a ilha que obriga o governo a importar 100% dos alimentos da cesta básica.

Tamanho do texto:

Especialistas têm alertado sobre o risco de insegurança alimentar na ilha socialista, cujo governo distribui grande parte dos alimentos a preços subsidiados por meio de mecanismos de racionamento para os 11 milhões de cubanos.

Um agricultor sexagenário de Artemisa, província vizinha de Havana, que prefere não dar o seu nome, diz que aquelas terras são "divinas", mas "falta adubo, fertilizante, sementes" para trabalhar.

Esse agricultor faz parte de uma cooperativa que costumava receber todos os insumos do governo, mas agora "não temos nada, não nos dão", lamenta enquanto colhe cebolinhas em sua plantação.

"Temos tratores em mau estado, não temos recursos, não há combustível, não estamos recebendo óleo nem pneus. Temos que arar a terra com uma junta de bois", lamenta.

Antes, cada município em Artemisa tinha um centro de coleta para armazenar as colheitas e vendê-las, mas "esses centros quase não existem mais, não há como comercializar nem transportar as colheitas", diz ele.

- Queda de 35% -

Em um campo próximo, Jesús, outro camponês que trabalha nessas terras vermelhas e férteis há 40 anos, afirma que o rendimento da malanga, um tubérculo muito apreciado pelos cubanos, caiu pela metade.

Essa plantação "costumava render de quatro a seis sacos por sulco, mas agora é metade disso. A colheita está sujeita à sorte", diz ele, enquanto afunda os pés descalços na terra.

De acordo com dados oficiais, a produção agropecuária diminuiu 35% entre 2019 e 2023. A produção de açúcar, que já foi uma indústria emblemática de Cuba, caiu de 816.000 toneladas na temporada 2020-2021 para 470.000 na temporada 2021-2022, e a maior parte do arroz e feijão, alimentos básicos dos cubanos, está sendo importada.

"Temos uma lei de soberania alimentar e não temos alimentos, estamos prestes a aprovar uma lei de incentivo à pecuária e não temos gado, e temos uma lei de pesca (...) e não há peixe", discursou o presidente Miguel Díaz-Canel perante o parlamento em dezembro.

Em setembro, o ministro da Economia, Alejandro Gil, afirmou que o governo importa "praticamente 100% da cesta básica", em comparação com 80% antes da pandemia de coronavírus.

Às fragilidades estruturais da economia cubana se somam a fraca recuperação do turismo, a segunda maior fonte de divisas antes da pandemia, e o endurecimento das sanções dos Estados Unidos desde 2021.

- "Há um risco real" -

Etienne Labande, representante do Programa Mundial de Alimentos (PMA), admitiu que diante desse cenário, a ameaça de insegurança alimentar é real.

"Há uma escassez de alimentos produzidos localmente, e importar para Cuba é conhecido por ser muito complexo devido ao embargo dos Estados Unidos em vigor desde 1962, então há, de fato, um risco", disse à AFP.

Os problemas se agravaram desde a implementação em 2021 de uma reforma monetária que impulsionou a inflação, atingindo 45,8% entre janeiro e maio - 39% em 2022 -, de acordo com dados oficiais. Para analistas, ela já ultrapassou os três dígitos.

Isso "resultou em aumentos nos preços de bens e serviços básicos e afetou a vulnerabilidade dos lares à insegurança alimentar", afirma o relatório do PMA de 2022.

Desde que assumiu o poder em 2008, o então presidente Raúl Castro iniciou uma reforma agrícola para estimular a produção de alimentos, que incluiu a entrega de terras ociosas para usufruto, o fechamento de fazendas estatais improdutivas e a autorização de vendas diretas para o setor de turismo.

Para Pavel Vidal, economista cubano e acadêmico da Pontifícia Universidade Javeriana de Cali, Colômbia, "se não apostarem em uma lógica de mercado, essas reformas não darão frutos".

(U.Gruber--BBZ)