Berliner Boersenzeitung - Inflação nos EUA volta a subir e registra 2,7% ao ano em março

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Inflação nos EUA volta a subir e registra 2,7% ao ano em março
Inflação nos EUA volta a subir e registra 2,7% ao ano em março / foto: JUSTIN SULLIVAN - GETTY IMAGES NORTH AMERICA/AFP/Arquivos

Inflação nos EUA volta a subir e registra 2,7% ao ano em março

A inflação nos Estados Unidos retomou o viés de alta em março, alcançando 2,7% ao ano frente aos 2,5% de fevereiro, segundo o índice PCE, o preferido pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano), que se reunirá na semana que vem para decidir sobre as taxas de juros.

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Os analistas esperavam um aumento de preços de 2,6% em 12 meses, de acordo com o consenso reunido pelo MarketWatch.

No entanto, na medição mês a mês, a inflação permaneceu estável, com uma variação de 0,3%, em linha com as expectativas dos analistas, o que acalmou o mercado.

A inflação subjacente, que exclui os preços mais voláteis de alimentos e energia, também se manteve em 0,3% na comparação mês a mês e em 2,8% em 12 meses, um dado também positivo para os mercados.

A Bolsa de Nova York abriu em alta nesta sexta-feira (26) e permaneceu no azul durante a manhã, satisfeita com os dados de inflação, embora também impulsionada pelos bons resultados da Alphabet e da Microsoft, que começaram a colher os lucros de seus investimentos em inteligência artificial.

O governo do presidente Joe Biden, em plena campanha pela reeleição em novembro, destacou os resultados do PCE.

A inflação caiu "mais de 60% em relação ao seu pico", afirmou a principal conselheira econômica de Biden, Lael Brainard, em um comunicado. Isso "reforça a importância de nossos esforços contínuos para reduzir os custos" das famílias, apontou, reiterando assim o mantra do presidente sobre a inflação, a pouco mais de seis meses das eleições.

Os consumidores americanos mantêm estável sua confiança no futuro da maior economia do mundo. O índice geral de confiança perdeu modestos 2,8 pontos em relação a março, para 77,2 unidades, segundo a estimativa final da Universidade de Michigan, divulgada nesta sexta.

A confiança dos consumidores "seguiu praticamente inalterada pelo terceiro mês consecutivo", resumiu a responsável pela pesquisa, Joanne Hsu, citada em um comunicado.

- Dados mistos para o Fed -

O relatório divulgado nesta sexta pelo Departamento de Comércio também apontou que os rendimentos dos lares registraram um crescimento mais forte em março do que em fevereiro, de 0,5% contra 0,3%. Porém, o aumento dos gastos foi de 0,8%, o mesmo que no mês anterior.

Esses dados mostram "que a economia continua avançando e que a inflação está alta", afirmou Rubeela Farooqi, economista-chefe da High Frequency Economics.

Embora a inflação tenha diminuído drasticamente desde 2022, ainda é um desafio nos Estados Unidos.

O índice PCE é o mais acompanhado pelo Fed, que tem como meta trazer a inflação para 2% ao ano.

Essa elevação sustenta a postura cautelosa e paciente do banco cenral americano antes da reunião de seu Comitê Monetário (FOMC) na próxima semana, que deverá manter as taxas de juros de referência na faixa de 5,25% a 5,50%, a mais alta em mais de duas décadas, mais uma vez, argumenta Farooqi.

Os juros altos encarecem o crédito e desencorajam o consumo e o investimento, reduzindo, assim, as pressões sobre os preços.

Outro índice da inflação, o IPC, de preços ao consumidor, também subiu no mês passado, para 3,5% em 12 meses.

Esse dado levou o presidente do Fed, Jerome Powell, a advertir que seria necessário "mais tempo do que o previsto" para que a instituição tenha confiança em um retorno duradouro para uma inflação baixa.

Os mercados, que até recentemente esperavam um primeiro corte nas taxas em junho, agora apontam para setembro, ou até novembro, de acordo com a estimativa do CME Group. Isso se deve sobretudo ao fato de o mercado de trabalho permanecer firme, com uma taxa de desemprego muito baixa, de 3,8% em março.

De qualquer forma, os dados da atividade econômica nos Estados Unidos divulgados na quinta-feira mostraram os efeitos da política restritiva do Fed, com um crescimento que se moderou fortemente no primeiro trimestre.

A taxa anualizada para o PIB registrou uma expansão de 1,6%, frente aos 3,4% do quarto trimestre de 2023, segundo a primeira estimativa do Departamento de Comércio.

Os analistas esperavam um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,2% entre janeiro e março, de acordo com o consenso do Market Watch. Os Estados Unidos divulgam seu crescimento a uma taxa anualizada, que compara o PIB com o do trimestre anterior e depois projeta a variação para todo o ano no ritmo desses três meses.

Na comparação com o último trimestre de 2023, a economia cresceu apenas 0,4% no primeiro trimestre deste ano.

Ao contrário dos dados de inflação, os números do PIB são encorajadores para aqueles que esperam um corte nas taxas que impulsione a maior economia do mundo.

(A.Berg--BBZ)