Berliner Boersenzeitung - Sobras de esmeraldas: o sonho dos garimpeiros pobres da Colômbia

EUR -
AED 4.236995
AFN 72.682942
ALL 95.499599
AMD 434.251954
ANG 2.065235
AOA 1057.951222
ARS 1605.382781
AUD 1.64816
AWG 2.07956
AZN 1.962086
BAM 1.946619
BBD 2.31966
BDT 141.323481
BGN 1.972045
BHD 0.435048
BIF 3409.12169
BMD 1.153709
BND 1.472953
BOB 7.958466
BRL 6.13012
BSD 1.151768
BTN 107.673185
BWP 15.704931
BYN 3.49432
BYR 22612.692624
BZD 2.316375
CAD 1.582855
CDF 2624.687914
CHF 0.910144
CLF 0.027116
CLP 1070.699078
CNY 7.944902
CNH 7.968707
COP 4233.434017
CRC 537.962827
CUC 1.153709
CUP 30.573283
CVE 109.747403
CZK 24.475875
DJF 205.092729
DKK 7.470501
DOP 68.367561
DZD 152.575662
EGP 59.996458
ERN 17.305632
ETB 181.514032
FJD 2.554831
FKP 0.864812
GBP 0.866441
GEL 3.132315
GGP 0.864812
GHS 12.554788
GIP 0.864812
GMD 84.797727
GNF 10095.387511
GTQ 8.822391
GYD 240.963553
HKD 9.037878
HNL 30.485224
HRK 7.512147
HTG 151.097385
HUF 392.907233
IDR 19562.517279
ILS 3.587025
IMP 0.864812
INR 108.4608
IQD 1508.784179
IRR 1517848.149879
ISK 143.371629
JEP 0.864812
JMD 180.946608
JOD 0.81798
JPY 183.840071
KES 149.206304
KGS 100.889409
KHR 4602.294375
KMF 492.634265
KPW 1038.372085
KRW 1736.689162
KWD 0.353693
KYD 0.959773
KZT 553.718519
LAK 24732.355738
LBP 103147.330197
LKR 359.285515
LRD 210.765973
LSL 19.429067
LTL 3.406602
LVL 0.697867
LYD 7.373226
MAD 10.762342
MDL 20.057404
MGA 4802.350857
MKD 61.350654
MMK 2421.422446
MNT 4116.640054
MOP 9.296655
MRU 46.103564
MUR 53.658616
MVR 17.835848
MWK 1997.180773
MXN 20.704471
MYR 4.544428
MZN 73.7177
NAD 19.429067
NGN 1564.71816
NIO 42.380124
NOK 11.057422
NPR 172.277494
NZD 1.982693
OMR 0.4436
PAB 1.151768
PEN 3.98192
PGK 4.971553
PHP 69.395518
PKR 321.563224
PLN 4.276224
PYG 7522.521818
QAR 4.211637
RON 5.078046
RSD 116.898675
RUB 95.998092
RWF 1675.796505
SAR 4.33178
SBD 9.289271
SCR 15.803168
SDG 693.379249
SEK 10.79329
SGD 1.477088
SHP 0.86558
SLE 28.35236
SLL 24192.709325
SOS 658.195776
SRD 43.249663
STD 23879.442983
STN 24.384994
SVC 10.077472
SYP 127.728575
SZL 19.435338
THB 37.966256
TJS 11.062327
TMT 4.049518
TND 3.401557
TOP 2.777853
TRY 51.123432
TTD 7.814146
TWD 36.961029
TZS 2994.477262
UAH 50.45524
UGX 4353.467906
USD 1.153709
UYU 46.411113
UZS 14041.775313
VES 524.580585
VND 30356.386139
VUV 137.118236
WST 3.1471
XAF 652.877857
XAG 0.016971
XAU 0.000256
XCD 3.117956
XCG 2.07571
XDR 0.811971
XOF 652.877857
XPF 119.331742
YER 275.276092
ZAR 19.716207
ZMK 10384.764004
ZMW 22.487941
ZWL 371.493765
Sobras de esmeraldas: o sonho dos garimpeiros pobres da Colômbia
Sobras de esmeraldas: o sonho dos garimpeiros pobres da Colômbia / foto: Luis ACOSTA - AFP

Sobras de esmeraldas: o sonho dos garimpeiros pobres da Colômbia

Primeiro gritos, depois empurrões. Assim que o curral é aberto, centenas de garimpeiros artesanais debandam e correm sobre montanhas de resíduos de uma empresa multinacional de mineração de esmeraldas em busca de uma pedra preciosa que os tirará da pobreza na Colômbia.

Tamanho do texto:

A 200 quilômetros de Bogotá, no sopé da cordilheira oriental dos Andes, fica o município de Muzo, conhecido como a capital mundial da esmeralda.

Filas quilométricas se acumulam desde as 3h da manhã ao lado de "la voladora", uma jaula onde a americana Esmeraldas Mining Services (EMS) deixa toneladas de terra descartadas de sua produção.

Miguel Hernández, de 72 anos, espera a sua vez. "Que o nosso Santo Pai me dê um presente para eu comprar uma casinha. (...) É o que mais quero", diz à AFP, segurando a bengala.

Os "guaqueros" ou caçadores de tesouros avançam, com sacos e pás, para selecionar porções de terra que depois filtram em um riacho próximo, na esperança de encontrar uma esmeralda entre os restos da multinacional.

As associações locais de guaqueros, com autorização da EMS, organizam a logística da jaula e dividem os interessados em grupos de homens, mulheres, idosos e pessoas com deficiência.

"Eu não entro porque as pessoas lá dentro são terríveis. Elas te agarram, te derrubam, te pisoteiam", conta María Rodríguez, de 58 anos, que esperava pelo marido do lado de fora de "la voladora".

A cena se repete várias vezes por mês no centro da Colômbia, um dos maiores produtores mundiais desta pedra, que em 2022 representou exportações de 122 milhões de dólares (valor em cerca de 655,5 milhões de reais na cotação atual), segundo a Federação Nacional de Esmeraldas.

Após cerca de quatro horas de buscas, os garimpeiros terminam o dia com o rosto sujo e, em geral, de mãos vazias.

- Febre verde -

Eles vêm de todos os lugares. Para a prefeita de Muzo, Ximena Castañeda, “a mineração causa um problema muito delicado porque as pessoas vivem sempre na expectativa de um dia serem milionárias” em um país onde a pobreza atinge 37% da população. Ele garante que muitos guaqueros vivem na pobreza.

Migrantes venezuelanos que fugiram da crise no seu país e pessoas de outras áreas da Colômbia estabeleceram-se lá com o sonho de obter alguma centelha verde.

“Alguns conseguem fazer dinheiro, outros nunca”, acrescenta a líder do município de 9 mil habitantes. Sua administração aposta na agricultura e no turismo para diversificar a economia.

Os negócios proliferam em torno de "la voladora". Os vendedores de comida, cerveja e utensílios ganham lucros equivalentes a cerca de 5 mil dólares por dia (valor em cerca de 27 mil reais na cotação atual), segundo as associações.

Félix Osorio, de 72 anos e com deficiência visual, sonha em "viver uma velhice mais tranquila".

"Este é um trabalho de paciência, perseverança e insistência", explica.

Os garimpeiros também tentam a sorte em antigos poços abandonados ou entre as terras retiradas deixadas pelas antigas extrações de esmeraldas da região, quando era usada a dinamite.

"Estou aqui na mina há 30 anos e já saíram esmeraldas. (...) Mas a cada dia fica mais difícil", diz Gilberto Cifuentes, de 54 anos.

Ao fundo, dezenas de casas improvisadas feitas de madeira e latas ladeiam o rio.

- "É difícil" -

Muzo é um paraíso do ouro verde, mas a grande fatia do bolo permanece nas mãos de empresas mineradoras multinacionais ou de poderosas famílias detentoras de esmeraldas.

Steven Ariza, de 35 anos, preside a Associação do Comitê Comunitário de Guaqueros Intermunicipal de Muzo desde que seu antecessor foi morto a tiros em 2022, lembra a dirigente.

Eles gostariam que a EMS contratasse mais pessoas da cidade, adquirisse suprimentos locais e investisse em uma região atingida pela violência, explica.

Desde a década de 1980, as rivalidades entre proprietários de esmeraldas desencadearam uma "guerra verde" que deixou milhares de mortos no departamento de Boyacá.

Muzo era então “uma área sem Deus ou lei”, diz o historiador Petrit Baquero. Então Víctor Carranza (1935-2013), conhecido como “o czar das esmeraldas”, impôs um monopólio. Segundo relatórios da Inteligência, o apoio de grupos paramilitares e traficantes de drogas intensificou o conflito.

Em visitas turísticas regulares às minas, Steven Medina mostra aos compradores estrangeiros a realidade por trás das pedras, que acabam principalmente nos Estados Unidos e na Europa.

“As pessoas precisam de muita ajuda” em Muzo, reconhece o jovem de 24 anos.

A EMS, que não respondeu aos pedidos da AFP, tem uma fundação com projetos sociais na região.

Gilberto Cifuentes admite que é hora de procurar um emprego melhor em outro lugar, depois de décadas de dificuldades.

“Mas você estabelece prazos e prazos (...) bom, você não quer sair de mãos vazias”, acrescenta.

Porque “ser guaquero é difícil, mas também tem as suas vantagens” e essa incerteza tem sido o seu combustível, confessa resignado.

(L.Kaufmann--BBZ)