Berliner Boersenzeitung - Primeiro banco de alimentos para enfrentar a fome é fundado na Venezuela

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Primeiro banco de alimentos para enfrentar a fome é fundado na Venezuela
Primeiro banco de alimentos para enfrentar a fome é fundado na Venezuela / foto: Pedro MATTEY - AFP

Primeiro banco de alimentos para enfrentar a fome é fundado na Venezuela

Uma casa em Caracas abriga caixas com biscoitos, arroz, farinha, macarrão, feijão: 5,5 toneladas de alimentos formam o capital inicial para o primeiro banco de alimentos na Venezuela, onde a fome afeta 17% da população.

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O 'Banco Alimentar de Venezuela' foi fundado em dezembro após dois dias de doações de consumidores e supermercados que entregaram produtos descartados devido a problemas nas embalagens ou rótulos.

Inicialmente, a expectativa é que pouco mais de 2.500 pessoas sejam beneficiadas, embora a fome afete quase cinco milhões dos quase 30 milhões de habitantes deste país rico em petróleo, segundo dados das Nações Unidas.

Os bancos de alimentos são muito populares no mundo todo, mas não existiam na Venezuela, onde o governo lançou um programa em 2016 que distribui cestas básicas a preços subsidiados em meio à acelerada desvalorização dos salários.

Há ONGs que coletam alimentos por conta própria para suas operações. Não havia, porém, um 'foodbank' dedicado a sua arrecadação e distribuição a diversas organizações.

"Foi preciso surgir um grupo de pessoas que soubesse como conectar todos os atores", de empresas privadas a instituições estatais de assistência social, disse à AFP Marianela Fernandes, presidente do banco de alimentos. Ela trouxe a ideia de Portugal, onde estudou para uma pós-graduação.

- "Maximizar" -

A Venezuela caiu em um fosso econômico em 2013. Desde então, sofreu oito anos de recessão e quatro de hiperinflação. Mais de sete milhões de venezuelanos emigraram devido à crise.

As prateleiras dos supermercados não estão mais vazias como nos anos de escassez de produtos básicos, mas os preços são inacessíveis para muitos: mais da metade da população vive na pobreza, segundo um estudo da Universidade Católica Andrés Bello (privada), uma referência diante da falta de transparência nos números oficiais.

Especialistas estimam que uma compra mensal básica para uma família de quatro pessoas varie entre US$ 270 e US$ 500, (R$ 1.573,00 a R$ 2.913,00) enquanto o salário mínimo equivale a US$ 2 (R$ 11,65) por mês, complementado por bônus que o elevam a cerca de US$ 130 (R$ 757,40) no setor público.

"As pessoas estão se adaptando para maximizar a ingestão de alimentos dentro de seu orçamento", explica Omar Zambrano, economista da 'Anova Policy Research'. "84% dos venezuelanos não têm condições de comprar uma cesta básica".

- Panelas comunitárias -

O banco funciona como um atacadista que distribui alimentos para um orfanato, uma casa de repouso, uma fundação que atende escolas públicas, uma fundação para moradores de rua e um hospital psiquiátrico público.

Uma dessas ONGs é a 'Santa en las Calles', que fornece assistência médica, roupas limpas, um banheiro e uma refeição quente para moradores de rua em um ônibus que passa por comunidades pobres. Outras 70 organizações esperam trabalhar com o banco.

"Eu como em cozinhas comunitárias. Meu número de refeições por dia varia", disse à AFP Alan Morales, 59 anos, um engenheiro mecânico que vive nas ruas há 11 anos após perder seu apartamento.

Brian Malavé, 18 anos, também conta com as cozinhas comunitárias: ele come com entusiasmo o prato de feijão preto, carne desfiada e banana frita que é distribuído diariamente no bairro de Catia, em Caracas.

"Toda semana vou a refeitórios sociais. Os únicos dias em que não vou são nos fins de semana, quando vou a uma padaria e peço ajuda", diz este jovem usuário de drogas.

- Inventário -

Em um pedaço de papel está o pedido feito por uma das organizações participantes da iniciativa: 3 kg de arroz, 3 kg de açúcar e 16 kg de farinha de milho para fazer as tradicionais 'arepas'.

Após a arrecadação inicial, a organização recebe doações diárias de empresas privadas e cidadãos comuns.

Frutas e vegetais são entregues imediatamente para que não estraguem, em um país onde mais de 1,5 milhão de toneladas de alimentos são desperdiçados a cada ano, segundo a 'Asociación Venezolana de Ingenieros Agrónomos'. Itens não perecíveis são separados em um armazém.

"Tudo é identificado de acordo com a data de validade para que o alimento seja enviado em perfeito estado", explica Fernandes.

(U.Gruber--BBZ)