Berliner Boersenzeitung - Corrida se acelera para desenvolver estações espaciais privadas

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Corrida se acelera para desenvolver estações espaciais privadas
Corrida se acelera para desenvolver estações espaciais privadas / foto: PATRICIA DE MELO MOREIRA - AFP

Corrida se acelera para desenvolver estações espaciais privadas

Com o Haven-1, um cilindro de quatro metros de diâmetro e dez metros de comprimento, a empresa americana Vast entra na corrida para construir a primeira estação espacial privada do mundo.

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O lançamento do projeto, com um interior de painéis de madeira e uma grande cúpula de observação terrestre, está previsto para maio de 2026. O espaço foi projetado para ser "confortável", explica à AFP Andrew Feustel, ex-astronauta da Nasa e agora consultor da Vast, à margem da Web Summit de Lisboa.

"Terá uma vida útil de três anos, durante os quais prevemos enviar quatro vezes uma equipe de quatro pessoas", acrescenta Feustel, que passou mais de 200 dias no espaço ao longo de sua carreira.

Fundada em 2021 pelo bilionário das criptomoedas Jed McCaleb, a Vast aspira a longo prazo substituir a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), que ficará fora de serviço em 2030, pelo Haven-2, uma versão maior do Haven-1.

A empresa, com sede na Califórnia, compete no setor com a Axiom Space, a Voyager Space (que trabalha com a Airbus) e a empresa de Jeff Bezos, Blue Origin, que colabora com a Sierra Space.

Todos buscam obter financiamento da Nasa, com valores que podem variar de 1 bilhão a 1,5 bilhão de dólares (R$ 5,3 bilhões a R$ 8 bilhões, na cotação atual), para o desenvolvimento de estações espaciais comerciais, cujas verbas serão atribuídas em abril de 2026.

- "Vontade política" -

"Há vontade política. As agências espaciais não querem ter que gerir a infraestrutura" da ISS, diz Ugo Bonnet, diretor-geral do Spaceflight Institute, que propõe formações para futuros astronautas de voos tripulados privados.

A agência espacial americana quer se concentrar em seus projetos de missões tripuladas à Lua e de exploração de Marte, um setor em que compete com a China. Tudo isso representa uma grande oportunidade para as empresas privadas.

Há muitos atores que chegam com "cronogramas muito agressivos", reconhece Roberto Angelini, diretor científico e de exploração da Thales Alenia Space.

A empresa conjunta entre a Thales e a italiana Leonardo está construindo os três módulos pressurizados da futura estação da Axiom Space, que poderá estar operacional em 2028, e assinou um acordo de colaboração para participar potencialmente na fabricação da estação Orbital Reef, da Blue Origin.

A Nasa gasta entre 3 bilhões e 4 bilhões de dólares (R$ 16 bilhões e R$ 21,2 bilhões) por ano para manter a ISS em órbita, dois terços dos quais são destinados ao reabastecimento.

A chegada dos lançadores reutilizáveis da empresa de Elon Musk, SpaceX, revolucionou o setor, pois reduz o custo do transporte e facilita o caminho para os projetos de estações espaciais privadas.

A Vast planeja enviar o Haven-1 com o foguete Falcon 9 da companhia do bilionário. Os astronautas "privados" da Axiom Space viajarão a bordo de sua cápsula Crew Dragon.

Para gerir uma estação espacial comercial, as empresas confiam na crescente demanda por parte de governos e do setor privado.

A Vast estima que 85% da receita de suas missões tripuladas virão de agências governamentais e 15% de clientes privados. A ideia é tornar-se um "fornecedor de serviços" não só para os Estados Unidos, mas para outros países que queiram "enviar seus astronautas à órbita terrestre baixa para treinamento e realização de pesquisas", explica Feustel.

A República Tcheca e uma dezena de países já manifestaram interesse em colaborar com a empresa, acrescenta. No nível de clientes privados, poderiam ser institutos de pesquisa, hospitais e empresas que desejem realizar experimentos ou fabricar produtos no espaço.

(F.Schuster--BBZ)