Berliner Boersenzeitung - Hiperinflação na Venezuela... outra vez?

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Hiperinflação na Venezuela... outra vez?
Hiperinflação na Venezuela... outra vez? / foto: Federico PARRA - AFP

Hiperinflação na Venezuela... outra vez?

Uma sacola com o essencial, a compra do dia: o bolso dos venezuelanos fica curto diante de um aumento esmagador dos preços que anunciam o que para muitos especialistas é inevitável, o retorno da hiperinflação.

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A inflação na Venezuela atingiu 130.000% ao ano em 2018, o ápice de um período hiperinflacionário de quatro anos que terminou em 2021.

No ano passado foi de 48%, segundo o presidente de esquerda Nicolás Maduro. O Banco Central não publica o indicador desde outubro de 2024.

O FMI projeta um aumento de preços de 548% para este ano e 629% para 2026. Outros economistas apontam para um aumento até acima de 800%.

Jacinto Moreno vive isso na prática. "Se ganhamos 20 bolívares, gastamos 50", resume este comerciante informal à AFP no centro de Caracas. "Os preços sobem todos os dias".

Maduro se orgulha de sua gestão da economia, que afirma estar sob cerco dos Estados Unidos entre sanções econômicas e agora uma mobilização militar no Caribe que denuncia como uma ameaça de derrubada e uma tentativa de se apoderar das riquezas petrolíferas da Venezuela.

Projeta um crescimento do PIB superior a 9% em 2025. O FMI estima 0,5% e alguns analistas 3%.

- "Não dá para comprar" -

Norma Guzmán sai da loja com três tomates em uma sacola.

"Faço as compras no mercado diariamente porque não dá para comprar", diz esta dona de casa.

O economista Oscar Torrealba projeta uma inflação de 811% para 2025. "Isso indiscutivelmente nos aproxima muito de um cenário hiperinflacionário", aponta.

"Para poder considerar hiperinflação em um país, deve haver variações (de preços) acima de 50% ao mês durante três períodos (meses) consecutivos", explica este analista baseado na Colômbia.

Outros especialistas apontam que uma inflação interanual de 500% já é considerada hiper, sobretudo porque no mundo o indicador é baixo. É uma teoria que desloca a definição de meados do século XX de 50% ao mês por um ano.

Poucos economistas que vivem na Venezuela se atrevem a desafiar em público o discurso oficial, depois que no meio do ano foram detidos vários profissionais, incluindo um ex-ministro das Finanças.

As prisões nunca foram anunciadas oficialmente, mas coincidiram com uma série de operações policiais contra a divulgação do preço do dólar paralelo em páginas que foram eliminadas.

A referência ficou então ao livre-arbítrio do cambista ou em criptomoedas.

- "Mais acelerado" -

Não há escassez na Venezuela, ao contrário dos anos de crise profunda, quando as pessoas ficavam horas na fila para comprar meio quilo de café ou açúcar.

Maduro abordou então a situação com mais disciplina fiscal, parou a emissão de moeda, relaxou controles e despenalizou o uso do dólar, que passou a ser a moeda de fato. De fato, a Venezuela reporta uma inflação em dólares, que Torrealba situou em outubro em quase 80% ao ano.

O dólar é, de fato, a chave deste novo cenário inflacionário em um momento econômico com pouco espaço para ação.

Um dos principais fornecedores de divisas ao sistema era a petroleira Chevron, que agora opera de forma limitada e paga royalties ao Estado em petróleo e não em dinheiro como antes.

A Venezuela vende esse petróleo no mercado ilegal com grandes descontos.

Agora, com menos dólares no mercado, disparou uma diferença cambial que chegou a superar 60% entre a cotação oficial e a paralela.

Ao longo do ano, a cotação do dólar disparou quase 400%.

"Isso é repassado para a inflação", explica Juan Carlos Valdez, professor de Economia Política e deputado eleito pelo oficialismo. Só que a inflação sobe em um ritmo "mais acelerado que o movimento da taxa de câmbio" pelos ajustes que fazem os comerciantes para se protegerem, argumenta.

(Y.Yildiz--BBZ)