Berliner Boersenzeitung - Venezuela e EUA iniciam processo para restabelecer relações após queda de Maduro

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Venezuela e EUA iniciam processo para restabelecer relações após queda de Maduro
Venezuela e EUA iniciam processo para restabelecer relações após queda de Maduro / foto: Leo RAMIREZ - AFP

Venezuela e EUA iniciam processo para restabelecer relações após queda de Maduro

A Venezuela e os Estados Unidos iniciaram, nesta sexta-feira (9), um processo para restabelecer relações diplomáticas após a deposição do presidente Nicolás Maduro, que também abriu a via para a libertação a conta-gotas de presos por razões políticas.

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A reviravolta na turbulenta relação bilateral, interrompida desde 2019, inclui um acordo para reativar a indústria petroleira na Venezuela, que tem as maiores reservas de óleo bruto do planeta, mas conta com uma infraestrutura muito deteriorada.

Diplomatas americanos chegaram a Caracas nesta sexta para avaliar uma "retomada gradual" dos vínculos, informou o Departamento de Estado. O governo interino de Delcy Rodríguez fará o mesmo, com o envio de uma delegação neste "processo exploratório".

Estas aproximações não preveem uma mudança de regime imediata, diante do que o opositor Edmundo González Urrutia, exilado na Espanha, pediu, nesta sexta, o "reconhecimento explícito" de sua vitória nas presidenciais de 2025, que em sua avaliação Maduro lhe arrebatou de forma fraudulenta.

Sua mentora, a líder opositora e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, será recebida na próxima semana por Trump.

"Estou impaciente para cumprimentá-la", disse o presidente americano em uma entrevista televisionada, apesar de em um primeiro momento tê-la afastado de seu plano para a Venezuela, que mergulhou em uma de suas piores crises econômicas durante o governo Maduro.

Como parte deste roteiro, o governo interino da Venezuela começou a libertar presos por razões políticas. A oposição reporta uma dezena de libertados, incluindo quatro cidadãos espanhóis, o ex-candidato à Presidência Enrique Márquez e a ativista Rocío San Miguel.

Até meados desta semana, a ONG Foro Penal contabilizava 806 presos políticos na Venezuela, inclusive 175 militares. O governo informou na quinta-feira que um número importante deles seria libertado.

Trump declarou, nesta sexta, em sua rede, Truth Social, ter cancelado uma "segunda onda de ataques" contra a Venezuela, onde familiares dos presos aguardavam ansiosos.

No entanto, Washington mantém a pressão no Caribe, onde apreendeu um quinto petroleiro, o Oliana, carregado com petróleo venezuelano e que tentava "escapar das forças americanas", anunciou a secretária de Segurança Nacional, Kristi Noem.

- Ceticismo no setor do petróleo -

Maduro foi capturado em 3 de janeiro em Caracas, junto com a esposa, Cilia Flores, durante um bombardeio americano que deixou uma centena de mortos. O casal foi levado imediatamente para Nova York para responder a um processo por tráfico de drogas e outras acusações.

Desde então, Trump diz conduzir o destino da Venezuela e que mantém boa "sintonia" com Delcy Rodríguez, que assegura, por sua vez, que seu governo interino não está subjugado aos Estados Unidos.

Chavistas se mobilizaram, nesta sexta-feira, pelo sexto dia consecutivo em Caracas para exigir a libertação de Maduro e rejeitar qualquer aspiração de Trump de "dominar" a Venezuela.

"Eu não aceito que Trump venha dominar nosso país", disse à AFP Josefina Castro, cercada por centenas de apoiadores do chavismo e de trabalhadores da administração pública.

Na sexta-feira, Donald Trump receberá, na Casa Branca, dirigentes de quase 20 multinacionais petroleiras para traçar o futuro do setor na Venezuela, entre elas as principais empresas da área como a espanhola Repsol, que já opera no país.

O presidente americano assegurou, em entrevista televisionada, que estas empresas estão dispostas a investir até "100 bilhões de dólares" (R$ 538 bilhões) para reativar a exploração petroleira venezuelana, que durante décadas foi a mais importante da região e que agora extrai apenas um milhão de barris diários, menos de um terço do volume em sua fase áurea.

A Exxon, uma das gigantes do setor, assinalou, no entanto, em uma nota de análise nesta sexta, que não prevê "que a companhia, nem a indústria em geral ponha capital até que haja um governo estável e um regime fiscal, entre outros fatores".

Desde 2019, durante o primeiro governo Trump, a indústria petroleira venezuelana esteve submetida a sanções dos Estados Unidos.

Após a deposição de Maduro, Trump também intensificou a pressão sobre a Colômbia e o México, cujos governos de esquerda acusa de serem lenientes com o narcotráfico, e inclusive ameaçou atacar os cartéis por terra.

Mas, aparou as arestas em um telefonema com o presidente colombiano, Gustavo Petro, a quem receberá na primeira semana de fevereiro na Casa Branca, anunciou o republicano nesta sexta.

Petro pediu a Delcy Rodríguez, nesta sexta, para combaterem "juntos" o narcotráfico, após pactuar operações contra a guerrilha colombiana do ELN na fronteira binacional.

- "Liberdade!" -

Eles passaram a noite inteira em frente ao presídio, na esperança de ver seus entes queridos libertados, mas até agora não tiveram notícias.

"Peço a Ti, Senhor, que sejas Tu, em Tua glória, quem abra as portas do Rodeo I e de outras prisões", disse Hiowanka Ávila, de 39 anos, irmã de Henryberth Rivas, preso em 2018 sob a acusação de participar de uma tentativa de assassinato com drone contra Nicolás Maduro.

"Liberdade!", gritou uma dos presentes, convidando outros a iniciarem uma proclamação coletiva.

Do lado de fora do temido Helicoide, sede dos serviços de inteligência em Caracas, o movimento é mínimo: poucos familiares e muitos veículos oficiais entram e saem, observou a AFP.

O papa Leão XIV mostrou-se extremamente preocupado com as tensões no Caribe e no Pacífico, pedindo respeito à "vontade do povo venezuelano" e para "preservar os direitos humanos e civis de todos".

(B.Hartmann--BBZ)