Berliner Boersenzeitung - Gisèle Pelicot revela dor e resiliência em seu livro de memórias

EUR -
AED 4.264247
AFN 74.311769
ALL 94.886725
AMD 427.875417
ANG 2.07889
AOA 1060.246009
ARS 1659.56396
AUD 1.642496
AWG 2.091804
AZN 1.976736
BAM 1.956111
BBD 2.338872
BDT 142.544511
BGN 1.963331
BHD 0.437975
BIF 3471.611904
BMD 1.16113
BND 1.488862
BOB 8.02438
BRL 5.859292
BSD 1.161285
BTN 109.927376
BWP 15.580746
BYN 3.214967
BYR 22758.141333
BZD 2.335512
CAD 1.62337
CDF 2664.791999
CHF 0.921176
CLF 0.026413
CLP 1039.547747
CNY 7.862592
CNH 7.847187
COP 4055.256948
CRC 528.293117
CUC 1.16113
CUP 30.769936
CVE 110.282064
CZK 24.144589
DJF 206.784667
DKK 7.473954
DOP 68.25203
DZD 154.291311
EGP 58.464623
ERN 17.416945
ETB 187.217793
FJD 2.597683
FKP 0.866375
GBP 0.864815
GEL 3.082819
GGP 0.866375
GHS 12.890217
GIP 0.866375
GMD 84.762343
GNF 10172.749236
GTQ 8.852522
GYD 242.95073
HKD 9.096615
HNL 31.05334
HRK 7.533175
HTG 151.776752
HUF 350.621103
IDR 20571.734184
ILS 3.380792
IMP 0.866375
INR 109.857903
IQD 1521.261586
IRR 1597572.177044
ISK 144.606684
JEP 0.866375
JMD 184.069273
JOD 0.823274
JPY 185.974669
KES 150.215376
KGS 101.540995
KHR 4666.822571
KMF 494.641517
KPW 1045.0171
KRW 1757.719493
KWD 0.357895
KYD 0.967771
KZT 568.437745
LAK 25570.396909
LBP 103994.082106
LKR 386.118057
LRD 211.347252
LSL 18.783611
LTL 3.428514
LVL 0.702355
LYD 7.384302
MAD 10.735515
MDL 20.19956
MGA 4824.850425
MKD 61.642149
MMK 2437.315839
MNT 4152.999704
MOP 9.370852
MRU 46.358171
MUR 54.712206
MVR 17.95136
MWK 2013.654925
MXN 19.975026
MYR 4.703043
MZN 74.199814
NAD 18.78353
NGN 1578.184391
NIO 42.737349
NOK 11.056335
NPR 175.884001
NZD 1.988353
OMR 0.446461
PAB 1.1612
PEN 3.949279
PGK 5.085765
PHP 70.05444
PKR 323.081699
PLN 4.245618
PYG 7110.069513
QAR 4.233546
RON 5.236748
RSD 117.350726
RUB 84.210575
RWF 1705.900681
SAR 4.356668
SBD 9.341953
SCR 15.90431
SDG 697.260686
SEK 10.899287
SGD 1.488719
SHP 0.866901
SLE 28.622323
SLL 24348.312657
SOS 663.616969
SRD 43.55339
STD 24033.039647
STN 24.503897
SVC 10.160747
SYP 128.342097
SZL 18.78031
THB 37.790707
TJS 10.764751
TMT 4.075565
TND 3.398511
TOP 2.795722
TRY 53.735635
TTD 7.882389
TWD 36.607518
TZS 3049.710573
UAH 52.061976
UGX 4313.76034
USD 1.16113
UYU 47.098302
UZS 13911.152452
VES 675.728508
VND 30526.098758
VUV 138.756202
WST 3.185551
XAF 656.072639
XAG 0.016371
XAU 0.000268
XCD 3.138011
XCG 2.09286
XDR 0.816711
XOF 656.072639
XPF 119.331742
YER 277.063999
ZAR 18.81801
ZMK 10451.55903
ZMW 20.41351
ZWL 373.883277
Gisèle Pelicot revela dor e resiliência em seu livro de memórias

Gisèle Pelicot revela dor e resiliência em seu livro de memórias

A francesa Gisèle Pelicot publicará na próxima terça-feira suas memórias, nas quais escreve sobre os estupros cometidos por seu ex-marido e por dezenas de desconhecidos enquanto estava dopada, e sobre o julgamento histórico que a transformou em um ícone feminista mundial.

Tamanho do texto:

Estes são alguns dos temas abordados no livro "Um hino à vida", que estará à venda a partir de 17 de fevereiro em 22 idiomas.

- Incredulidade -

As memórias, escritas junto com a jornalista e romancista Judith Perrignon, começam em 2 de novembro de 2020, dia em que Gisèle e o marido, Dominique Pelicot, foram convocados à delegacia da localidade de Carpentras, perto de sua residência em Mazan, no sul da França.

Segundo trechos do livro publicados na terça-feira pelo jornal francês Le Monde, ao ser perguntada sobre o marido, Gisèle o descreve como "bondoso, atencioso. Um homem fantástico". Minutos depois, seu mundo desaba ao saber que, durante anos, foi estuprada por ele e por pelo menos 50 desconhecidos, depois de tê-la sedado.

Quando a polícia lhe mostra imagens dos crimes, ela não consegue acreditar. "Meu cérebro parou", escreve. "Eu não reconhecia os indivíduos. Nem aquela mulher. Tinha a bochecha tão flácida, a boca tão mole. Era como uma boneca de pano".

O livro alterna capítulos dedicados aos horríveis fatos que teve de suportar, tanto a nível pessoal, familiar e judicial, com em outros em que narra sua vida anterior e fala sobre sua família, especialmente da avó e da mãe, que morreu quando ela tinha nove anos.

- Julgamento público -

A francesa de 73 anos também recorda o julgamento de Avignon em 2024, de repercussão internacional pela magnitude dos fatos, o número de acusados e a decisão de solicitar que as audiências fossem públicas.

Embora inicialmente quisesse que o julgamento fosse a portas fechadas, acabou decidindo que fosse aberto ao público e que a vissem cara a cara com seus agressores, para que "a vergonha mudasse de lado", afirmou.

"Quando lembro do momento em que tomei minha decisão, penso que, se eu tivesse vinte anos a menos, talvez não tivesse ousado rejeitar o julgamento a portas fechadas. Teria temido os olhares, esses malditos olhares com os quais uma mulher da minha geração sempre teve que lidar", afirma nas memórias, segundo o Le Monde.

"Talvez a vergonha vá embora mais facilmente quando você tem setenta anos e ninguém presta mais atenção em você. Não sei. Não tinha medo das minhas rugas nem do meu corpo", escreve.

- Aplausos -

Gisèle também rendeu agradecimentos ao público, em sua maioria mulheres, que a aplaudia do lado de fora do tribunal. "Essa multidão me salvou", conta.

O apoio também a ajudava a enfrentar as audiências, quando tinha que depor. Não precisava procurar as palavras, relata no livro, "alimentadas e reconfortadas graças àquela multidão lá fora, que crescia e me escoltava todos os dias nos arredores do tribunal".

A essas mulheres "que me transmitiram uma força incrível", disse em uma entrevista divulgada nesta quarta-feira (11) pelo semanário Télérama, "agradeço porque, sem elas, não sei se teria aguentado".

- Otimismo -

"Sempre tive essa alegria de viver. Sou uma otimista incondicional", disse a autora. Por este motivo, apesar dos terríveis acontecimentos que viveu, "estou viva e me permito ser feliz". "Você pode ter amigos e até se apaixonar novamente, como é o meu caso", acrescenta.

Sua firmeza e fortaleza que, segundo ela, vêm da família, sobretudo quando perdeu a mãe na infância, deram a volta ao mundo durante o julgamento, a ponto de transformá-la em um ícone feminista para muitos.

"Não me sinto muito à vontade com a palavra 'ícone'. Eu a aceito, claro, por todas as mulheres que me dizem isso, mas é um pouco demais para mim", afirma.

Ainda assim, afirma que escreveu suas memórias porque sua história "poderia dar esperança a outras pessoas, especialmente às vítimas, às mulheres traumatizadas".

Gisèle Pelicot fará uma turnê pela França para apresentar seu livro. Também viajará a Londres em 20 de fevereiro, onde protagonizará um evento no qual as atrizes Juliet Stevenson e Kristin Scott Thomas lerão trechos da obra.

Posteriormente, viajará a outros países, como Alemanha, Espanha, Itália e Estados Unidos.

(B.Hartmann--BBZ)