Berliner Boersenzeitung - Premier League reabre debate sobre impunidade nas redes após fim de semana 'terrível' de racismo

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Premier League reabre debate sobre impunidade nas redes após fim de semana 'terrível' de racismo
Premier League reabre debate sobre impunidade nas redes após fim de semana 'terrível' de racismo / foto: Ben STANSALL - AFP

Premier League reabre debate sobre impunidade nas redes após fim de semana 'terrível' de racismo

O debate sobre a impunidade nas redes sociais e a responsabilidade das plataformas foi reaberto no Reino Unido após um fim de semana "terrível", no qual pelo menos quatro jogadores da Premier League receberam insultos racistas na internet.

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"Estamos em 2026 e continua a mesma coisa, nada muda", denunciou em sua conta no Instagram o zagueiro Wesley Fofana, do Chelsea.

O jogador francês compartilhou centenas de mensagens com conteúdo racista que recebeu após o empate dos 'Blues' em 1 a 1 com o Burnley, em jogo em que foi expulso.

Em um desses insultos anônimos, ele foi comparado a um "macaco" que deveria estar "no zoológico".

Durante o fim de semana, o meio-campista tunisiano Hannibal Mejbri, do Burnley, o atacante inglês Romaine Mundle, do Sunderland, e o nigeriano Tolu Arokodare, do Wolverhampton, também foram alvo de insultos racistas através das redes.

- "Enojado" -

É "inacreditável" ainda haver pessoas com "tanta liberdade para expressar o racismo assim, sem nenhuma consequência", protestou Arokodare, que virou alvo de ataques nas redes após perder um pênalti na derrota dos 'Wolves' para o Crystal Palace.

Seu clube se mostrou "enojado" pela situação e expressou "apoio total e inabalável" a Arokodare e a "todos os jogadores que são obrigados a suportar este abuso por parte de contas anônimas que agem com aparente impunidade".

"Este fim de semana foi terrível", comentou a Kick It Out, principal associação de luta contra a discriminação no futebol inglês, "mas a triste realidade é que sabemos que isso acontece com frequência".

Em um único fim de semana, em novembro do ano passado, foram publicadas nas redes mais de 2 mil mensagens particularmente violentas contra técnicos e jogadores das primeiras divisões masculina (Premier League) e feminina (Women's Super League), incluindo ameaças de morte e estupro, segundo uma investigação da BBC.

Consultada pela emissora britânica, a treinadora do Chelsea, a francesa Sonia Bompastor, apontou então que as plataformas de redes sociais "não fazem seu trabalho, não assumem sua responsabilidade nem suas obrigações".

Nesse mesmo dia, o Chelsea anunciou uma parceria entre seu time feminino e o grupo Signify, cuja ferramenta Threat Matrix permite identificar as contas que cometem esses abusos.

O Arsenal, que utiliza esse serviço há cinco anos, proibiu a entrada de cerca de 30 torcedores em seu estádio entre 2021 e 2025 por diversos motivos (racismo, homofobia, ameaças de morte, etc), segundo dados do clube compilados pela AFP.

- "Ainda há muito a ser feito" -

Em fevereiro de 2025 foi criado um grupo de trabalho para combater estes abusos formado, entre outros, pela Premier League, a autoridade reguladora de telecomunicações (Ofcom), o sindicato de jogadores e a unidade policial responsável pelo futebol (UK Football Policing Unit, a UKFPU).

Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (23), a UKFPU anunciou que está investigando os fatos do fim de semana e afirmou que, "nos últimos meses", houve sentenças proferidas com "proibições significativas de acesso aos estádios" como consequência.

Mas também admitiu que "ainda há muito a ser feito".

"O racismo que esses jogadores estão sofrendo é repugnante", reagiu também nesta segunda-feira um porta-voz do primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, exigindo que as plataformas reforcem sua regulação.

A Meta, proprietária do Facebook e do Instagram, informou que continuará trabalhando para "proteger as pessoas contra os abusos".

"Ninguém deveria estar exposto a insultos racistas, e eliminamos este tipo de conteúdo quando o encontramos", afirmou à BBC um porta-voz da empresa neste fim de semana.

A Meta reiterou que continuará "trabalhando para proteger nossa comunidade contra os abusos e colaborando com as investigações".

No entanto, quando contactado pela AFP, o grupo americano não respondeu como planeja alcançar esse objetivo.

(B.Hartmann--BBZ)