Berliner Boersenzeitung - Asfixiada, indústria argentina acende o debate sobre o modelo de Milei

EUR -
AED 4.274598
AFN 75.646468
ALL 92.195436
AMD 423.131696
ANG 2.082935
AOA 1068.360574
ARS 1761.694611
AUD 1.611353
AWG 2.094825
AZN 1.973634
BAM 1.956105
BBD 2.342866
BDT 143.10664
BGN 1.974217
BHD 0.438807
BIF 3488.465461
BMD 1.163792
BND 1.471199
BOB 14.5699
BRL 5.938016
BSD 1.163182
BTN 110.69851
BWP 15.617176
BYN 3.562824
BYR 22810.316275
BZD 2.339596
CAD 1.60644
CDF 2688.358957
CHF 0.942153
CLF 0.02731
CLP 1078.333867
CNY 7.809682
CNH 7.805004
COP 3624.082102
CRC 528.707508
CUC 1.163792
CUP 30.840479
CVE 110.851144
CZK 24.261214
DJF 206.828683
DKK 7.475045
DOP 68.372542
DZD 154.74957
EGP 59.576125
ERN 17.456875
ETB 187.545654
FJD 2.553942
FKP 0.859406
GBP 0.858407
GEL 2.990031
GGP 0.859406
GHS 13.296327
GIP 0.859406
GMD 85.535907
GNF 10215.196927
GTQ 8.887387
GYD 243.379489
HKD 9.126634
HNL 31.247756
HRK 7.533923
HTG 152.130934
HUF 363.943257
IDR 20365.190026
ILS 3.515118
IMP 0.859406
INR 110.700385
IQD 1525.148953
IRR 1599718.902738
ISK 139.783802
JEP 0.859406
JMD 183.568652
JOD 0.825108
JPY 178.643183
KES 150.67642
KGS 101.773719
KHR 4718.011463
KMF 493.448022
KPW 1047.412824
KRW 1558.468659
KWD 0.359205
KYD 0.969397
KZT 528.712052
LAK 26048.558133
LBP 104217.541818
LKR 382.201001
LRD 203.401713
LSL 18.620803
LTL 3.436374
LVL 0.703966
LYD 7.367
MAD 10.915787
MDL 20.095086
MGA 5045.036399
MKD 61.529604
MMK 2443.309868
MNT 4187.659118
MOP 9.396391
MRU 46.632626
MUR 54.523437
MVR 17.980938
MWK 2021.505691
MXN 19.655974
MYR 4.735936
MZN 74.377651
NAD 18.620334
NGN 1541.022923
NIO 42.652836
NOK 10.696136
NPR 177.118015
NZD 1.991887
OMR 0.447481
PAB 1.163232
PEN 3.90394
PGK 5.177697
PHP 72.665405
PKR 322.549559
PLN 4.314228
PYG 6865.071513
QAR 4.242312
RON 5.25335
RSD 117.370705
RUB 99.009964
RWF 1711.937512
SAR 4.370675
SBD 9.303372
SCR 16.12033
SDG 700.017887
SEK 11.159406
SGD 1.471056
SHP 0.862214
SLE 28.630199
SLL 24404.128036
SOS 664.835188
SRD 43.916816
STD 24088.137401
STN 24.928417
SVC 10.178589
SYP 15131.618881
SZL 18.620352
THB 38.292226
TJS 10.742884
TMT 4.084909
TND 3.359286
TOP 2.802131
TRY 56.415272
TTD 7.898606
TWD 36.634418
TZS 3072.413492
UAH 51.969912
UGX 4402.687179
USD 1.163792
UYU 46.807306
UZS 13761.836656
VES 946.945201
VND 30150.350191
VUV 137.305538
WST 3.162497
XAF 656.096049
XAG 0.017156
XAU 0.000264
XCD 3.145205
XCG 2.096544
XDR 0.822861
XOF 656.96091
XPF 119.331742
YER 275.876922
ZAR 18.659945
ZMK 10475.519332
ZMW 22.392457
ZWL 374.740435
Asfixiada, indústria argentina acende o debate sobre o modelo de Milei
Asfixiada, indústria argentina acende o debate sobre o modelo de Milei / foto: JUAN MABROMATA - AFP

Asfixiada, indústria argentina acende o debate sobre o modelo de Milei

O galpão está às escuras, as máquinas, desligadas, e há caixas de mercadorias sem vender. A fábrica de sapatos Kioshi, que tinha 120 funcionários em 2023, conta hoje com apenas 14. É um símbolo de uma indústria em crise, que acende o debate sobre o modelo do presidente Javier Milei na Argentina.

Tamanho do texto:

Enquanto o governo do presidente ultraliberal reivindica a queda da inflação e a desregulamentação, empresários advertem para a destruição dos empregos, a concorrência desleal e a queda do consumo.

"O mercado interno está morto, as pessoas não têm dinheiro para consumir, dificilmente vão comprar calçados", diz Emmanuel Fernández, diretor da Kioshi, localizada em Esteban Echeverría, nos arredores de Buenos Aires.

A isto se soma uma "avalanche de importação", acrescenta.

Na semana passada, a União Industrial Argentina (UIA) pediu medidas diante da abertura econômica e a perda de aproximadamente 90.000 empregos na indústria desde agosto de 2023.

Em junho, a indústria argentina estava com cerca de 40% de sua capacidade ociosa. A produção manufatureira caiu 5% entre junho e julho, o maior retrocesso em 16 meses, segundo dados oficiais divulgados na terça-feira (8).

No mesmo dia da reivindicação do setor industrial, o presidente ultraliberal disse que sua política de austeridade e desregulamentação "não é negociável".

Desde que Milei assumiu o cargo, em dezembro de 2023, foram perdidas cerca de 30.000 empresas, segundo dados do setor.

O presidente afirma que os empregos perdidos em um setor vão ser criados em outros em condições de competir internacionalmente.

Mas para Emmanuel Fernández, o governo está "em uma bolha", pois "tudo o que se vê é que as pessoas que ficam sem emprego vão trabalhar nos aplicativos".

- Da fábrica à Uber -

Em Zárate, cidade industrial a 90 km de Buenos Aires, Miguel Márquez olha com tristeza para o portão da fábrica de produtos químicos Clariant, onde trabalhou por 20 anos até seu fechamento, em 2025.

O capim cresce em meio ao cimento do estacionamento vazio e já não se ouve uma única máquina, apenas o canto dos pássaros.

Márquez conta que apenas dois dos 42 demitidos conseguiram trabalho formal. O restante, como ele, aos 62 anos, se vira com trabalhos informais, como motorista de Uber.

A Clariant fabricava insumos para a indústria petroleira em pleno auge da jazida Vaca Muerta, mas decidiu importar os produtos de sua fábrica no Brasil e encerrar a operação na Argentina.

"Como não têm nenhuma restrição, convém a eles trazer do Brasil", explicou Márquez.

A economia argentina cresceu em 2025 impulsionada pelos hidrocarbonetos, a mineração e o agro. Mas o retrocesso do comércio e da indústria afeta grandes cidades, onde se concentra a maioria da população.

Desde 2023, foram perdidos mais de 240.000 empregos privados assalariados na Argentina.

- Concorrência -

Após a reivindicação da UIA, o ministro da Economia, Luis Caputo, disse que seu papel é "defender os interesses de 48 milhões de argentinos, não de determinados empresários".

"Me parece imoral e injusto que os argentinos tenham que pagar por bens de menor qualidades duas, quatro, dez vezes o seu valor", destacou, em defesa da abertura.

Mas os empresários da indústria sustentam que o terreno está desnivelado.

"Ninguém quer não competir, mas também você tem que ter condições para competir", disse à AFP Alejandro Mayer, vice-presidente da fábrica de circuitos Ernesto Mayer, na periferia norte de Buenos Aires, hoje com a metade de suas máquinas desligadas.

Mayer destaca que existe um "atraso cambiário" que torna os produtos locais caros em dólares, somado a juros ao crédito abusivos e uma carga de impostos que não permite competir com produtos de países como a China, embora a eficiência seja similar.

Milei conseguiu baixar uma inflação de três dígitos, quando assumiu a Presidência, para 33,8% na comparação interanual em julho, um dos principais feitos econômicos que seu governo reivindica.

Mas "a economia não pode ser medida apenas pela evolução da inflação, temos que olhar para a atividade", disse o presidente da UIA, Martín Rappallini.

Além da concorrência dos produtos importados, os empresários da indústria destacam a fragilidade do consumo.

A poucos quarteirões da Mayer, a fábrica de cordas para instrumentos Martin Blust, que emprega dez pessoas, fecha às sextas-feiras por falta de encomendas. "Não há inflação porque não há compras", diz sua sócia, Gloria Aparicio.

Segundo diversas pesquisas, o emprego e os salários desbancaram a inflação como a principal preocupação dos argentinos, um sinal de alerta para Milei, que tentará a reeleição em 2027.

Na Kioshi, Fernández é testemunha dessa angústia. Seus funcionários lhe pedem antecipações do salário para pagar seu transporte até a fábrica.

Estão "frustrados e irritados", diz, e isso "se percebe na vontade e também se nota na rua".

(G.Gruner--BBZ)