Berliner Boersenzeitung - Presidente de Harvard renuncia após polêmica sobre antissemitismo e plágio

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Presidente de Harvard renuncia após polêmica sobre antissemitismo e plágio
Presidente de Harvard renuncia após polêmica sobre antissemitismo e plágio / foto: Stephanie Mitchell - Harvard University/AFP/Arquivos

Presidente de Harvard renuncia após polêmica sobre antissemitismo e plágio

A presidente da renomada universidade americana de Harvard, Claudine Gay, renunciou nesta terça-feira (2), após receber duras críticas por sua gestão dos casos de antissemitismo no campus em decorrência do conflito em Gaza, além de acusações de plágio em seu trabalho acadêmico.

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Claudine foi criticada nos últimos meses, após relatos de que ela não citava adequadamente fontes acadêmicas. As acusações mais recentes foram publicadas anonimamente na internet hoje, em um meio conservador.

A presidente também se viu envolvida em polêmicas ao se recusar a dizer de forma inequívoca se pedir o genocídio dos judeus violava o código de conduta de Harvard, durante uma audiência no Congresso ao lado dos reitores do MIT e da Universidade da Pensilvânia, no mês passado.

Claudine, que fez história como a primeira pessoa negra a liderar a poderosa universidade, localizada em Cambridge, Massachusetts, afirmou em sua carta de renúncia que foi vítima de ataques pessoais e racismo.

"Tem sido angustiante levantarem dúvidas sobre meus compromissos em confrontar o ódio e sustentar o rigor acadêmico... E assustador ser sujeita a ataques pessoais e ameaças motivados por animosidade racial", escreveu.

Sua renúncia ocorre após a Corporação Harvard, que dirige a universidade, inicialmente a respaldar após o desastre que seu depoimento perante o Congresso representou para as relações públicas da instituição. O órgão, porém, criticou a resposta inicial da universidade aos ataques do Hamas de 7 de outubro, que, segundo Israel, resultaram na morte de 1.200 pessoas e no sequestro de outras 240.

A ofensiva israelense reduziu grande parte da Faixa de Gaza a escombros e matou pelo menos 22.185 pessoas, a maioria mulheres e crianças, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.

- 'Conduta lamentável' -

Mais de 70 legisladores, incluindo dois democratas, pediram a renúncia de Claudine. Vários ex-alunos e doadores de alto perfil de Harvard também defenderam sua saída. Ainda assim, mais de 700 professores de Harvard haviam assinado uma carta apoiando a presidente, e seu cargo parecia estar seguro.

A renúncia, noticiada em primeira mão pelo jornal estudantil Harvard Crimson, foi confirmada logo depois, pela própria Claudine: "Com grande pesar, mas com profundo amor por Harvard, escrevo para compartilhar que deixarei o cargo de presidente."

Nos Estados Unidos, a controvérsia sobre o antissemitismo nos campi ocorre em meio a um aumento de ataques e da retórica violenta contra judeus e muçulmanos, inclusive nas universidades, desde o início da guerra entre Israel e o Hamas.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, um aliado próximo dos Estados Unidos, declarou que "uma enorme onda de antissemitismo se infiltrou nos campi universitários”. Yad Vashem, o memorial oficial do Holocausto de Israel, descreveu o fenômeno como "um câncer".

O ex-aluno e doador bilionário Bill Ackman afirmou em carta à administração de Harvard que "os fracassos da reitora Claudine resultaram no cancelamento e na pausa e retirada de doações à universidade na casa dos bilhões de dólares".

Claudine, 53 anos, nasceu em Nova York, de pais imigrantes haitianos. É professora de ciência política e se tornou, em julho passado, a primeira presidente negra de Harvard, universidade fundada há 368 anos.

"O fracasso de liderança e a negação do antissemitismo têm um preço. Espero que a gloriosa Universidade de Harvard aprenda com essa conduta lamentável", escreveu o novo ministro de Relações Exteriores israelense, Israel Katz, em resposta a informações sobre a saída iminente de Claudine.

(G.Gruner--BBZ)