Berliner Boersenzeitung - Maduro promete respeitar resultado eleitoral enquanto mais opositores são presos na Venezuela

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Maduro promete respeitar resultado eleitoral enquanto mais opositores são presos na Venezuela
Maduro promete respeitar resultado eleitoral enquanto mais opositores são presos na Venezuela / foto: Federico PARRA - AFP

Maduro promete respeitar resultado eleitoral enquanto mais opositores são presos na Venezuela

O presidente venezuelano Nicolás Maduro assinou nesta quinta-feira (20) um documento para respeitar os resultados das eleições de 28 de julho, nas quais busca um terceiro mandato, ao mesmo tempo em que aumenta o número de prisões de líderes que apoiam a candidatura da oposição.

Tamanho do texto:

Maduro e outros candidatos menos relevantes - que se definem como opositores, embora distantes da liderança tradicional que os rotula de "colaboradores" - assinaram um documento na sede do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) que inclui "a vontade absoluta de reconhecer os resultados emitidos pelo Poder Eleitoral" e "competir em um clima de respeito, paz e participação democrática".

O principal rival da oposição, Edmundo González, não compareceu ao ato e criticou o acordo como uma "imposição unilateral".

"O que o árbitro eleitoral disser, amém", disse Maduro após a assinatura. "Chega de sabotagem contra nosso país, chega de conspirações. A Venezuela quer tranquilidade".

O nome de González estava no documento. "Ele não atendeu ao chamado da pátria", declarou Amoroso após chamar o opositor, sem sucesso, para assinar.

"Não recebi nenhum convite para ir hoje ao CNE", afirmou mais cedo González, candidato da principal coalizão opositora, Plataforma Unitária, após a desqualificação da líder María Corina Machado e o veto a outros nomes.

Outro candidato, Enrique Márquez, ex-reitor do CNE, também não compareceu ao evento.

"O povo da Venezuela tem que ver quem ama sua pátria e quem não, quem se ajoelha diante de outras pretensões que não as da Venezuela", disse Amoroso aos jornalistas. "Eles querem desconhecer, desestabilizar e sabotar este processo eleitoral, mas com eles ou sem eles, haverá eleições."

- "Não sejamos ingênuos" -

González declarou em comunicado que o reconhecimento dos resultados já fazia parte do acordo assinado no ano passado entre o governo e a oposição em Barbados, com mediação da Noruega e participação dos Estados Unidos.

"É um sinal do viés que caracteriza esta campanha desigual", afirmou o opositor, acrescentando que "revogar a observação internacional da União Europeia e aumentar a perseguição contra líderes e simpatizantes de nossa campanha" violava precisamente o que foi acordado em Barbados.

Amoroso retirou o convite à UE há um mês, depois que o bloco ratificou sanções individuais contra líderes do chavismo, embora tenha suspendido uma contra ele.

O documento desta quinta-feira também pedia o levantamento "absoluto" de todas as medidas punitivas contra a Venezuela.

"Se não houver levantamento das sanções e do bloqueio contra o povo da Venezuela (...), não há absolutamente nada a discutir, nem pensar que eles podem vir à Venezuela quando desprezam todos os venezuelanos", disse Amoroso.

O embaixador dos Estados Unidos na Organização dos Estados Americanos (OEA), Francisco Mora, também expressou nesta quinta-feira a preocupação de seu país com a exclusão do bloco.

"É importante que não sejamos ingênuos sobre a situação na Venezuela", afirmou a jornalistas em Washington. "Acredito que a comunidade internacional deveria continuar pressionando Maduro para realizar eleições justas e credíveis neste país."

- Mais prisões e inabilitações -

A campanha eleitoral oficialmente começa em 4 de julho, embora Maduro e Machado – líder da mobilização da oposição - estejam realizando comícios há meses.

A oposição denuncia perseguição, com 37 líderes detidos até agora neste ano.

Juntaram-se aos presos nesta quinta-feira o prefeito do município de Ayacucho, no estado de Táchira (oeste), Yonnhy Liscano, confirmou à AFP o Ministério Público, que também ordenou a prisão de Rigoberto Ovallos, prefeito do município de Antonio Rómulo Costa, localizado neste mesmo estado.

Não está claro quais crimes são imputados a Liscano e Ovallos, que manifestaram apoio a González nos últimos dias.

Outros 10 prefeitos foram inabilitados politicamente nesta semana por ser posicionarem a favor da oposição.

(S.G.Stein--BBZ)