Berliner Boersenzeitung - Gaza testa apoio tradicional da comunidade muçulmana britânica aos trabalhistas

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Gaza testa apoio tradicional da comunidade muçulmana britânica aos trabalhistas
Gaza testa apoio tradicional da comunidade muçulmana britânica aos trabalhistas / foto: Oli SCARFF - AFP

Gaza testa apoio tradicional da comunidade muçulmana britânica aos trabalhistas

Gaza fica longe do condado de Yorkshire, mas a situação no território palestino poderá influenciar as eleições britânicas em círculos eleitorais no norte da Inglaterra, onde muitos muçulmanos estão indignados com a posição do Partido Trabalhista sobre o conflito.

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Embora seja o grande favorito nas eleições de 4 de julho e se espere que obtenha uma maioria confortável no Parlamento britânico, a recusa do seu líder, Keir Starmer, em apoiar um cessar-fogo incondicional em Gaza provocou indignação em alguns eleitores muçulmanos, que anteriormente eram leais ao partido.

O Exército israelense bombardeia o pequeno território palestino há quase nove meses, em uma guerra desencadeada por um ataque sem precedentes do movimento islamista Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023.

Esta posição do Partido Trabalhista poderá agora influenciar o resultado da votação em certos círculos eleitorais que têm uma grande população muçulmana, como Keighley e Ilkley, em Yorkshire, no norte.

- Perda de votos trabalhistas -

Quase quatro em cada cinco muçulmanos britânicos votaram no Partido Trabalhista em 2019, um legado dos vínculos históricos do partido com trabalhadores que chegaram do Paquistão ou de Bangladesh nas décadas de 1950 e 1960.

Mas uma pesquisa recente sugere que um em cada cinco destes eleitores deixaria de apoiá-lo nestas eleições.

"É um problema, mas tenho esperança de que, à medida que a campanha avance, possamos reter uma grande parte dos votos dos cidadãos muçulmanos preocupados com esta questão", diz o candidato John Grogan à AFP no seu gabinete em Keighley.

"Aqui as mesquitas assumem uma posição neutra, enquanto em algumas cidades do norte da Inglaterra dizem para não votar em nenhum dos principais partidos", explica.

O candidato inicia um ato de campanha pelas ruas de Keighley e um eleitor rapidamente lhe pergunta sobre a posição do seu partido em Gaza, ao que ele responde que o Partido Trabalhista "respeitará o poder dos tribunais internacionais" e reconhecerá o Estado palestino.

"Keir Starmer será o seu líder. Independentemente do que ele diga, você o seguirá", responde este eleitor, decepcionado. "George Galloway é o único que fala nisso", acrescenta o cidadão, referindo-se a um membro da esquerda radical, ex-trabalhista, que recentemente se tornou deputado em uma eleição suplementar, depois de ter colocado o conflito de Gaza no centro de sua campanha.

As pesquisas preveem resultados desastrosos para os conservadores e espera-se que os trabalhistas mantenham as suas cadeiras em Keighley e Ilkley.

- "Muito irritadas" -

Mas a participação de candidatos independentes como Vasim Shabir, que concentrou a sua campanha em Gaza, poderia mudar as coisas.

"Gaza impulsionou muitos eleitores politicamente apáticos ou adormecidos", explica Shabir em frente a um pequeno restaurante de comida árabe com o seu cartaz de campanha eleitoral. "Queremos mudar o rumo destas eleições", acrescenta, explicando que o seu objetivo ao concorrer era evitar que os trabalhistas vencessem.

O advogado Shaid Iqbal, uma figura proeminente na comunidade muçulmana da cidade, diz que as pessoas estão "muito irritadas".

"Estão irritadas com ambos os partidos, mas mais ainda com os trabalhistas, porque pensaram que iriam defender os direitos humanos e denunciar as atrocidades", explica.

A ofensiva do Exército israelense, lançada em resposta ao ataque islamista de 7 de outubro, no qual morreram 1.194 pessoas, principalmente civis, deixou mais de 37 mil mortos na Faixa de Gaza, a maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde do enclave, governado pelo Hamas.

Os trabalhistas foram forçados a reconhecer que a sua posição em relação a Gaza lhe custou votos nas eleições locais de maio. E embora seja pouco provável que percam esse assento em Yorkshire, a posição do Partido Trabalhista pode ter consequências no futuro.

Na opinião do advogado, "a geração mais jovem do Paquistão e Bangladesh nascida no Reino Unido neste círculo eleitoral não quer votar no Partido Trabalhista". "Acho que eles vão perder o voto da próxima geração", diz ele.

(G.Gruner--BBZ)