Berliner Boersenzeitung - Reza Pahlavi, ex-príncipe herdeiro que ganhou projeção nos protestos no Irã

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Reza Pahlavi, ex-príncipe herdeiro que ganhou projeção nos protestos no Irã
Reza Pahlavi, ex-príncipe herdeiro que ganhou projeção nos protestos no Irã / foto: CARLOS JASSO - AFP

Reza Pahlavi, ex-príncipe herdeiro que ganhou projeção nos protestos no Irã

Reza Pahlavi foi criado para se tornar xá do Irã, mas vive no exílio desde a revolução de 1979 que derrubou seu pai. Agora, emergiu como uma figura de unidade nos protestos que sacodem a República Islâmica.

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O grito "Pahlavi voltará!" tornou-se um mantra das manifestações, e o homem de 65 anos, radicado nos Estados Unidos, envia mensagens frequentes em vídeo nas redes sociais convocando a população a protestar.

Ele chega a oferecer aos manifestantes conselhos sobre estratégia e os momentos adequados para ir às ruas.

No domingo, em entrevista à Fox News, Pahlavi afirmou estar "preparado para voltar ao Irã na primeira oportunidade".

Ele não pisa no Irã desde antes da revolução que depôs seu pai, Mohamad Reza Pahlavi, pondo fim a milhares de anos de governo imperial no país.

Pahlavi demonstrou ter "capacidade de levar os iranianos às ruas", comentou Jason Brodsky, do grupo Unidos Contra o Irã Nuclear.

"Houve palavras de ordem claramente pró-Pahlavi nas manifestações. Isso significa que todos os iranianos que protestam querem o retorno da monarquia? Não, mas há uma nostalgia pela era Pahlavi que vem crescendo há algum tempo", acrescentou.

- "Parece uma boa pessoa" -

Reza Pahlavi estava fora do Irã durante a revolução. Deixou o país em 1978, aos 17 anos, para se formar como piloto militar nos Estados Unidos.

Seu pai morreu em 1980, no Egito. Sua mãe, de 87 anos, está viva.

Clement Therme, do Instituto Internacional de Estudos Iranianos, considera que Pahlavi não ficou marcado pelos excessos do regime imperial, já que deixou o país ainda na adolescência.

"Ele é um símbolo. Seu nome é muito conhecido", afirmou Therme, que descreveu Pahlavi como "a principal figura popular da oposição" dentro e fora do Irã.

Pahlavi insiste que não quer ser coroado monarca do Irã, mas que está pronto para liderar uma transição rumo a um país livre e democrático.

Ainda assim, é uma figura que divide opiniões, inclusive entre a oposição iraniana.

Ele condenou a repressão que marcou a história da República Islâmica, mas nunca criticou o governo autocrático de seu pai, imposto com o apoio da temida polícia secreta Savak.

Pahlavi defende um Irã laico, com maiores liberdades sociais, especialmente para as mulheres, além de espaço para os apoiadores da República Islâmica, mas seu estilo comedido contrasta com o de alguns aliados que defendem punir adversários.

"Pahlavi tem muitos simpatizantes no Irã, e sua popularidade cresceu nos últimos dias ao se apresentar como o único líder opositor conhecido em nível nacional com algo parecido com um plano para enfrentar o regime", comentou Arash Azizi, professor da Universidade Yale.

"Mas seus apoiadores ainda são minoritários em um país profundamente dividido e com uma oposição fortemente dividida", ponderou.

Ele também não obteve reconhecimento internacional como líder alternativo no Irã.

"Eu o vi e ele parece uma boa pessoa, mas não tenho certeza de que seja apropriado neste momento (me reunir com ele) como presidente", declarou o presidente americano, Donald Trump.

- "Mobilizar uma nação" -

Reza Pahlavi também enfrentou tragédias familiares, como em junho de 2001, quando sua irmã mais nova, Leila, foi encontrada morta em um quarto de hotel em Londres.

Uma investigação concluiu que ela ingeriu uma mistura de medicamentos e cocaína.

Em janeiro de 2011, seu irmão mais novo, Ali Reza, suicidou-se com um tiro em Boston, o que, segundo a família, ocorreu após "anos de luta para superar a tristeza" pela perda da pátria, do pai e da irmã.

"O fim do regime está próximo (...) este é o nosso momento Muro de Berlim", declarou à AFP em junho, durante uma visita a Paris.

"Estou assumindo a liderança dessa transição. Não acredito que precise de um cargo para desempenhar esse papel. O importante é ser alguém capaz de mobilizar uma nação", afirmou.

(G.Gruner--BBZ)