Berliner Boersenzeitung - María Corina Machado espera se tornar presidente da Venezuela 'quando chegar a hora certa'

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María Corina Machado espera se tornar presidente da Venezuela 'quando chegar a hora certa'
María Corina Machado espera se tornar presidente da Venezuela 'quando chegar a hora certa' / foto: SAUL LOEB - AFP

María Corina Machado espera se tornar presidente da Venezuela 'quando chegar a hora certa'

A líder da oposição e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, espera ser eleita presidente da Venezuela "na hora certa", declarou em entrevista transmitida nesta sexta-feira (16) pela Fox News.

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"Há uma missão: vamos transformar a Venezuela naquela terra de graça, e acredito que serei eleita presidente da Venezuela na hora certa, a primeira mulher presidente", afirmou na entrevista, gravada após seu encontro na quinta-feira com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A atual líder do país, Delcy Rodríguez, assumiu a presidência interina após a captura e deposição do presidente Nicolás Maduro pelas forças americanas em 3 de janeiro.

Nem Machado nem a oposição venezuelana reconhecem os resultados das eleições de julho de 2024, nas quais Maduro se proclamou reeleito. Os Estados Unidos, a União Europeia e outros países latino-americanos também não reconheceram Maduro como o líder democraticamente eleito da Venezuela.

Trump descartou, por ora, pressionar por uma mudança de regime no país sul-americano e já manteve pelo menos uma conversa por telefone com Rodríguez, com quem está disposto a fortalecer os laços.

Um voo com 231 migrantes deportados dos Estados Unidos chegou à Venezuela nesta sexta-feira, o primeiro desde a incursão militar americana em 3 de janeiro.

Questionada sobre o que aguarda a Venezuela agora, Machado respondeu: "Liberdade. E não só isso, teremos um país que será a inveja do mundo".

A agenda de Machado em Washington nesta sexta-feira, após o encontro com Trump, consiste oficialmente em uma coletiva de imprensa.

- A medalha de Bolívar -

A líder da oposição, que vivia escondida na Venezuela e deixou o país em dezembro com o apoio dos EUA para receber o Prêmio Nobel da Paz, decidiu entregar a medalha ao presidente Trump com uma dedicatória especial, um gesto que o presidente descreveu como "maravilhoso".

O Instituto Nobel em Oslo esclareceu, ao tomar conhecimento das intenções de Machado, que o prêmio é pessoal e intransferível.

Em entrevista à Fox News, Machado ofereceu uma explicação baseada em eventos históricos para justificar sua decisão.

"Foi um momento muito emocionante. Decidi entregar a medalha ao presidente em nome do povo da Venezuela e expliquei a ele onde encontrei a inspiração", disse ela.

"Duzentos anos atrás, o general Lafayette presenteou Simón Bolívar, o libertador dos venezuelanos, com uma medalha com a imagem de George Washington", o primeiro presidente dos Estados Unidos, contou.

O general e marquês francês Lafayette (1757-1834) participou da Guerra da Independência americana e foi posteriormente uma figura-chave na Revolução Francesa de 1789.

"Bolívar guardou essa medalha até o fim de seus dias. Sendo assim, duzentos anos depois, o povo de Bolívar está presenteando o herdeiro de Washington com uma medalha — neste caso, o Prêmio Nobel', acrescentou.

Trump afirma ter resolvido oito conflitos em todo o mundo desde que assumiu o cargo, incluindo guerras com décadas de massacres, como a entre Camboja e Tailândia.

Por esse motivo, ele ambicionava abertamente o Prêmio Nobel da Paz de 2025, que acabou sendo concedido a Machado.

Trump ressuscitou a chamada "Doutrina Monroe", aludindo às ambições dos Estados Unidos de controlar de perto os destinos da América Latina e do Caribe, tanto contra interferências "externas", como a crescente presença chinesa ou os movimentos do Irã e da Rússia na região, quanto contra o que ele considera falta de cooperação de alguns países no combate à imigração irregular e ao tráfico de drogas.

O republicano, em seu último mandato na Casa Branca, demonstra um pragmatismo implacável.

O diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), John Ratcliffe, teria viajado a Caracas esta semana para se encontrar com Delcy Rodríguez, segundo o The New York Times.

(T.Renner--BBZ)