Berliner Boersenzeitung - Trump descarta uso da força na Groenlândia mas exige 'negociações imediatas' para comprá-la

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Trump descarta uso da força na Groenlândia mas exige 'negociações imediatas' para comprá-la
Trump descarta uso da força na Groenlândia mas exige 'negociações imediatas' para comprá-la / foto: Fabrice COFFRINI - AFP

Trump descarta uso da força na Groenlândia mas exige 'negociações imediatas' para comprá-la

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descartou pela primeira vez o uso da força para tomar a Groenlândia, durante seu aguardado discurso nesta quarta-feira (21) em Davos, no qual exigiu "negociações imediatas" para comprar esse território autônomo da Dinamarca, um aliado da Otan.

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Trump insiste que essa ilha rica em minerais é "vital" para a segurança dos Estados Unidos e da Otan contra a China e a Rússia, à medida que o Ártico derrete e as superpotências disputam uma vantagem estratégica nessa região.

Sua ambição sobre esse território concentrou a atenção do encontro anual do Fórum Econômico Mundial, uma reunião da elite econômica e política global na Suíça.

Seu discurso, que durou mais de uma hora, gerou expectativa, mas também preocupação.

Os participantes tiveram de esperar duas horas para vê-lo, e muitos ficaram decepcionados ao não conseguir lugar.

"Apenas os Estados Unidos podem proteger essa gigantesca terra, esse gigantesco pedaço de gelo, desenvolvê-lo, melhorá-lo", afirmou.

Ele prometeu "não usar a força" para tomá-la, mas exigiu "negociações imediatas para voltar a discutir a aquisição da Groenlândia", apesar de a Dinamarca reiterar que ela não está à venda.

A ambição de Trump sobre a Groenlândia sacudiu a ordem mundial e perturbou os mercados financeiros, já que representou um confronto duro com a Europa, um aliado tradicional dos Estados Unidos.

Em seu discurso, ele também se referiu à Venezuela e disse que seus dirigentes se mostraram "muito, muito espertos" ao negociar com Washington após a captura de Nicolás Maduro.

"Os líderes do país foram muito bons (...), muito, muito espertos", afirmou. "A Venezuela ganhará mais dinheiro [com o petróleo] nos próximos seis meses do que ganhou nos últimos 20 anos", acrescentou o republicano.

– "O fim da Otan" –

O presidente americano ameaçou na semana passada impor novas tarifas de até 25% a oito países europeus por apoiarem a Dinamarca e enviarem uma missão militar de exploração à Groenlândia.

Todos são membros da Otan, entre eles Reino Unido, Alemanha e França, as principais economias do continente.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reiterou nesta quarta-feira que o continente deve romper com sua "prudência tradicional" diante de um mundo dominado pela "força bruta", depois de ter prometido na terça-feira uma resposta "firme".

Em um tom mais conciliador, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, que não poupa elogios a Trump, recomendou uma "diplomacia ponderada" como "a única forma de lidar" com "as tensões" em torno do futuro da Groenlândia.

O presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda, disse à AFP em Davos que qualquer movimento dos Estados Unidos contra um aliado "significaria o fim da Otan".

Com óculos escuros por causa de uma lesão nos olhos, o presidente francês, Emmanuel Macron, advertiu na véspera contra as tentativas de Washington de "subordinar a Europa" e classificou como "inaceitável" a ameaça tarifária.

Além disso, instou a União Europeia a "usar" suas ferramentas comerciais anticoerção para responder.

Trump minimizou as ameaças europeias de acionar seu mecanismo anticoercitivo, conhecido como "bazuca comercial", contra os Estados Unidos.

"Qualquer coisa que façam conosco (...), tudo o que tenho de fazer é responder e isso vai se voltar contra eles", disse em entrevista à News Nation.

– Groenlândia emite orientações de crise –

O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, afirmou que é um sinal "positivo" Trump ter dito que quer evitar o uso da força na Groenlândia, mas que suas ambições permanecem intactas.

O Exército dinamarquês mobilizou nesta quarta-feira unidades de elite na Groenlândia para "reforçar a presença no Ártico", e a França solicitou nesta quarta-feira "um exercício da Otan" na ilha.

Nesse vasto território autônomo dinamarquês, o governo divulgou nesta quarta-feira orientações para a população em caso de crise. As recomendações incluem armazenar alimentos para cinco dias, três litros de água por pessoa, além de rádios a pilha, armas de caça, munições e equipamentos de pesca.

Os 57 mil habitantes da Groenlândia, dos quais quase 90% pertencem ao povo originário inuíte, têm uma longa tradição de caça e pesca como principais meios de subsistência.

O conselho foi concebido originalmente para supervisionar a reconstrução de Gaza, mas o rascunho de seu estatuto consultado pela AFP não menciona o território palestino e o apresenta como um mecanismo global, potencialmente rival da ONU.

(A.Berg--BBZ)