Berliner Boersenzeitung - Rússia retoma ataques em larga escala contra Ucrânia durante onda de frio

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Rússia retoma ataques em larga escala contra Ucrânia durante onda de frio
Rússia retoma ataques em larga escala contra Ucrânia durante onda de frio / foto: Serhii Okunev - AFP

Rússia retoma ataques em larga escala contra Ucrânia durante onda de frio

A Ucrânia acusou, nesta terça-feira (3), a Rússia de ter executado o ataque "mais potente" do ano contra suas já fragilizadas instalações de energia, o que deixou centenas de milhares de pessoas sem aquecimento sob uma onda de frio extremo, na véspera das negociações em busca de uma saída para quase quatro anos de guerra.

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Os ataques foram executados poucas horas antes da chegada à Ucrânia do secretário-geral da Otan, Mark Rutte.

"Ataques russos como os de ontem à noite não demonstram seriedade a respeito da paz", opinou Rutte em um discurso no Parlamento ucraniano.

A Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022, o que desencadeou o pior conflito armado na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, com um balanço de dezenas de milhares de mortos nos dois lados, ou até centenas de milhares.

Os ataques não dão trégua, mesmo com a previsão de um segundo ciclo de negociações na quarta e quinta-feira em Abu Dhabi para buscar uma saída diplomática, com a mediação dos Estados Unidos.

Explosões foram ouvidas durante toda a noite na capital ucraniana e mais de mil edifícios ficaram sem aquecimento, com temperaturas abaixo de 20 graus negativos.

O novo ataque contra o setor energético ucraniano ocorre após alguns dias de calma. O Kremlin anunciou na semana passada que havia aceitado, a pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, interromper os ataques contra Kiev "até 1º de fevereiro".

Zelensky condenou duramente um "ataque deliberado contra a infraestrutura energética, com um número recorde de mísseis balísticos".

Também acusou Moscou de ter aproveitado a pausa para "acumular mísseis" e "esperar os dias mais frios do ano" para atacar.

"Centenas de milhares de famílias, incluindo crianças, foram deliberadamente privadas de aquecimento", lamentou o ministro da Energia ucraniano, Denis Shmigal.

Segundo a Força Aérea ucraniana, o Exército russo disparou 71 mísseis e 450 drones de ataque. Trinta e oito mísseis e 412 drones foram interceptados.

O governo ucraniano está convencido de que os ataques pretendem abalar o ânimo da população. Os disparos atingiram oito regiões, incluindo Kiev, Dnipro (centro-leste), Kharkiv (nordeste) e Odessa (sul).

- Monumento soviético -

Segundo a operadora privada de energia DTEK, foi "o ataque mais potente contra o setor energético desde o começo do ano".

Pelo menos 1.100 prédios estão sem aquecimento nos bairros da zona leste da capital, informou o prefeito, Vitali Klitschko. Especialistas avaliam as possibilidades de reparos nas instalações, acrescentou.

Em Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, mais de 100.000 casas foram afetadas.

"Acordei com um clarão e ouvi uma explosão muito forte. Em pânico, eu e meu pai saímos correndo", declarou à AFP Mikita, um estudante.

"Nossas janelas estão quebradas e não temos aquecimento", disse Anastasia Gritsenko. "Não sabemos o que fazer".

Um famoso monumento soviético que celebra a vitória sobre a Alemanha nazista também sofreu danos, a estátua gigante da "Mãe Pátria" em Kiev.

- "Aterrorizar a população" -

Como é habitual, o Ministério da Defesa da Rússia afirmou que visou o "complexo militar-industrial ucraniano e instalações energéticas utilizadas em seu benefício".

Antes da trégua da semana passada, a Rússia já havia atacado centrais elétricas e o setor de gás ucraniano, provocando uma crise energética.

"Aproveitar os dias de inverno mais frios para aterrorizar a população é mais importante para a Rússia do que escolher a diplomacia", denunciou Zelensky.

As negociações diplomáticas são complexas. Segundo Zelensky, o principal ponto de atrito é territorial.

Moscou exige que as forças ucranianas abandonem as áreas sob seu controle no Donbass, uma região industrial do leste do país. Kiev não aceita.

A Rússia ocupa atualmente pouco mais de 19% da Ucrânia, incluindo a península da Crimeia, anexada em 2014.

(H.Schneide--BBZ)