Berliner Boersenzeitung - Presidente de Taiwan adverte que ambições da China 'não vão parar' em caso de anexação da ilha

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Presidente de Taiwan adverte que ambições da China 'não vão parar' em caso de anexação da ilha
Presidente de Taiwan adverte que ambições da China 'não vão parar' em caso de anexação da ilha / foto: Yu Chen CHENG - AFP

Presidente de Taiwan adverte que ambições da China 'não vão parar' em caso de anexação da ilha

O presidente de Taiwan, Lai Ching-te, advertiu que seus países vizinhos seriam os próximos alvos de Pequim se a China se apoderar da ilha democrática que reivindica como parte de seu território, e insistiu na necessidade de que Taipé reforce drasticamente as suas defesas.

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Em sua primeira entrevista a uma agência internacional de notícias desde que assumiu o cargo em maio de 2024, Lai disse à AFP que está confiante de que o Parlamento aprovará um orçamento adicional de 40 bilhões de dólares para financiar compras cruciais para a segurança da ilha, incluindo armas dos Estados Unidos.

O presidente chinês, Xi Jinping, advertiu Washington para que não venda armamento a Taiwan, mas Lai argumentou que o país norte-americano apoiará a ilha e não a utilizará como uma "moeda de troca" com Pequim.

A China considera Taiwan parte de seu território e ameaçou, inclusive, utilizar a força para tomar essa ilha autônoma, uma potência na fabricação de semicondutores.

Lai afirmou que, se a China anexar Taiwan, ficará "mais agressiva, minando a paz e a estabilidade no Indo-Pacífico e a ordem internacional baseada em regras".

"Se Taiwan for anexada pela China, as ambições expansionistas da China não vão parar por aí", alertou durante a entrevista exclusiva realizada na terça-feira (10) na sede do Gabinete Presidencial em Taipé.

"Os próximos países ameaçados seriam Japão, Filipinas e outros da região do Indo-Pacífico, com repercussões que acabariam chegando à América e Europa", afirmou.

- 'Esforço de consolidação da paz' -

Taiwan considera que sua localização no centro da denominada "primeira cadeia de ilhas da Ásia-Pacífico", que se estende do Japão às Filipinas, é fundamental para a segurança regional e o comércio global.

Tóquio e Manila também mantêm disputas territoriais com Pequim e o Estreito de Taiwan, que separa a ilha da China continental, é uma artéria-chave do transporte marítimo.

A primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi, cujo país abriga várias bases e 60.000 soldados americanos, sugeriu em novembro que Tóquio poderia intervir militarmente se a China atacar Taiwan, o que provocou uma resposta irada de Pequim.

O presidente filipino, Ferdinand Marcos, também advertiu que seu arquipélago, onde as tropas americanas têm acesso a nove bases militares, seria arrastado "inevitavelmente" para uma guerra por Taiwan.

"Neste mundo em constante transformação, as nações pertencem a uma comunidade global: a situação de um país afetará inevitavelmente os outros", afirmou Lai.

Com vistas à reunião programada entre o presidente americano, Donald Trump, e Xi em Pequim, em abril, o líder taiwanês deu respaldo a qualquer diálogo que ajude a manter o 'status quo'.

"Acreditamos que o presidente Trump está realizando um difícil esforço de consolidação da paz, o que implica salvaguardar os interesses americanos e dissuadir o expansionismo chinês no curto prazo", disse.

Lai acrescentou que os Estados Unidos não precisam "utilizar Taiwan como moeda de troca em nenhuma discussão com a China".

"No contexto da competição comercial entre Estados Unidos e China, a China busca muito mais dos Estados Unidos do que os Estados Unidos da China", considerou.

- 'Dissuadir a agressão' -

Os Estados Unidos romperam relações diplomáticas formais com Taipé em 1979 em favor de Pequim, mas continuam sendo o principal garantidor de segurança e fornecedor de armas de Taiwan.

No entanto, os analistas apontam que Washington mantém uma "ambiguidade estratégica" no que diz respeito ao envio de tropas para defender a ilha.

A pressão militar chinesa sobre Taiwan se intensificou sob o mandato de Xi.

O gigante asiático posiciona navios de guerra e aviões de combate no entorno da ilha quase todos os dias, e lançou seis rodadas de exercícios de grande escala desde 2022, a última em dezembro.

Uma onda recente de expurgos de generais de alta patente promovida por Xi também gerou especulações sobre o que isso poderia significar para o cronograma de um potencial ataque de Pequim a Taiwan. Alguns funcionários americanos sugeriram que isso poderia ocorrer em 2027.

Lai assinalou que a destituição de tantos generais chineses é "uma situação incomum", mas indicou que isso não muda a necessidade de preparação de Taiwan.

"Devemos ter a capacidade de dissuadir a agressão", afirmou. "Queremos garantir que, para a China, nunca haja um bom dia para invadir Taiwan."

- Relações com EUA, 'sólidas como uma pedra' -

Os esforços de Trump para obrigar os fabricantes de chips taiwaneses a aumentarem sua capacidade de produção nos Estados Unidos e sua insistência em que Taipé gaste mais em defesa alimentaram as preocupações sobre sua vontade de proteger a ilha.

Taiwan investiu bilhões de dólares para modernizar seu exército e ampliar sua indústria militar. Mas suas forças seriam superadas em número e armamento em um eventual conflito com a China.

Diante da pressão de Washington, Lai se comprometeu a aumentar o gasto em defesa de Taiwan até mais de 3% do PIB este ano e até 5% em 2030.

"Taiwan é responsável por proteger nosso próprio país", afirmou Lai à AFP, ao insistir em que as relações entre os Estados Unidos e a ilha são "sólidas como uma pedra".

Também manifestou sua esperança de uma maior cooperação com a Europa em matéria de indústria de segurança nacional.

Para alcançar o objetivo, seu governo propôs aumentar o gasto em defesa em 40 bilhões de dólares por oito anos para financiar, entre outras coisas, um sistema de defesa aérea de múltiplas camadas denominado "T-Dome".

No entanto, a legislação para permitir esse aumento foi bloqueada dez vezes desde dezembro pela oposição, que conta com maioria parlamentar e a utiliza para obstruir a agenda de Lai.

Senadores democratas e republicanos dos Estados Unidos criticaram os legisladores opositores taiwaneses e pediram que trabalhassem "de boa-fé, acima das diferenças partidárias".

Apesar dos adiamentos, Lai mostrou-se otimista sobre a aprovação do orçamento.

"Em uma sociedade democrática, todos os partidos políticos são, em última instância, responsáveis perante o povo", explicou. "Portanto, tenho certeza de que este orçamento contará com o seu apoio", frisou.

(K.Lüdke--BBZ)