EUA convoca aliados a defender trânsito de petróleo por Ormuz
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou nesta segunda-feira (16) alguns países por sua falta de compromisso com seu pedido para proteger os navios petroleiros no Estreito de Ormuz durante a guerra, depois que as potências europeias descartaram uma missão da Otan para reabrir a via, bloqueada pelo Irã.
Mais de duas semanas após o início da guerra, que começou com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, aumentam as preocupações com as consequências do conflito para a economia global.
Trump, que pediu ao seu par chinês o adiamento de um encontro entre ambos, criticou alguns países pela resposta morna ao seu chamado para colaborar na proteção do tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, uma rota por onde passa cerca de 20% das exportações globais de petróleo e gás liquefeito.
"Estamos há 40 anos os protegendo e não querem se envolver", criticou hoje o presidente americano, que incentivou "as demais nações" a se envolver "rapidamente e com grande entusiasmo".
Mais cedo, na Europa, o porta-voz do governo alemão, Stefan Kornelius, afirmou que a guerra de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã "não tem nada a ver com a Otan".
"A Otan é uma aliança para a defesa do território de seus membros e, na situação atual, não existe mandato para mobilizar a Otan”, afirmou.
Os ministros das Relações Exteriores dos 27 países da União Europeia se reuniram nesta segunda-feira em Bruxelas para discutir uma possível modificação da missão naval do bloco no mar Vermelho para ajudar a reabrir Ormuz.
Ao final do encontro, a chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, reconheceu que "por enquanto não há disposição para mudar o mandato" da missão.
De Londres, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que trabalha com seus aliados em "um plano coletivo viável" para reabrir o estreito de Ormuz, mas destacou que "não será nem nunca foi considerado como uma missão da Otan". Japão e Austrália também não preveem mobilizações.
- 'Tão longe quanto necessário' -
O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, advertiu que o país está preparado "para continuar a guerra aonde quer que ela o leve, e levá-la tão longe quanto for necessário".
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado Tel Aviv e o aeroporto Ben Gurion, em Israel, além de bases militares utilizadas pelas forças americanas nos Emirados Árabes e no Bahrein.
Um ataque com drones causou hoje um incêndio no campo de petróleo de Shah, nos Emirados Árabes, informaram autoridades.
Os preços do petróleo dispararam desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, por causa do bloqueio do Estreito de Ormuz. Mas um petroleiro paquistanês cruzou ontem a via, segundo dados do MarineTraffic.
- 'Estratégia de caos regional' -
O objetivo dos iranianos "não é vencer, mas resistir, ou seja, fazer com que os americanos paguem um preço exorbitante", explicou à AFP David Khalfa, cofundador do centro de pesquisa Atlantic Middle East Forum, de Paris.
Segundo ele, os iranianos "adotaram uma estratégia de caos regional calculada com meios de baixo custo, especialmente drones de combate".
O Irã continua lançando ataques contra bases militares e interesses econômicos americanos em países vizinhos do Golfo, mas também contra infraestruturas civis como aeroportos, portos e instalações petrolíferas.
Um drone provocou um incêndio em um tanque de combustível perto do aeroporto de Dubai, um míssil matou um civil quando ele viajava em seu carro em Abu Dhabi, e outro drone provocou um incêndio em uma área que abriga infraestrutura petrolífera no emirado oriental de Fujaira.
"Foram semanas difíceis, ouvindo explosões regularmente", contou à AFP uma testemunha no aeroporto de Dubai.
Explosões também atingiram a capital do Iraque, onde um incêndio começou em um hotel de Bagdá após um ataque com drones contra a embaixada dos Estados Unidos.
- 'Tive que me separar da minha família' -
Em outra frente, Israel lançou "operações terrestres limitadas" contra o movimento pró-iraniano Hezbollah no sul do Líbano, "com o objetivo de melhorar a área de defesa avançada".
O Líbano foi arrastado para a guerra em 2 de março, quando o Hezbollah atacou Israel em resposta à morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, no primeiro dia dos ataques.
O Hezbollah afirmou nesta segunda-feira ter atacado tropas e veículos israelenses em pelo menos três cidades fronteiriças no sul do Líbano.
Muitas pessoas que fugiram dos combates encontram dificuldades para se alojar por causa do medo de hoteleiros e proprietários de imóveis, que temem que seus hóspedes possam se tornar alvos de Israel.
"Perguntei a todo mundo e em todos os lugares por apartamentos", disse Husein Faqih à AFP. "Ou se recusavam a alugá-los ou pediam preços exorbitantes".
"No final, tive que me separar da minha família e enviá-los para viver com meu filho em seu pequeno quarto", perto de sua universidade, no norte de Beirute.
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(Y.Yildiz--BBZ)