Berliner Boersenzeitung - Omar García Harfuch, o 'Batman' do México

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Omar García Harfuch, o 'Batman' do México
Omar García Harfuch, o 'Batman' do México / foto: Carl de Souza - AFP/Arquivos

Omar García Harfuch, o 'Batman' do México

Omar García Harfuch transitava por um bairro nobre da Cidade do México quando atiradores crivaram sua caminhonete com 400 disparos. Ele sobreviveu a uma tentativa de assassinato que se junta a uma história marcada pelo luxo, adversidade e pela mão dura contra o crime.

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A maioria se refere ao secretário de Segurança do México pelo seu segundo sobrenome: Harfuch, um policial que odeia o escritório, filho de uma atriz de novelas famosa, María Sorté, que o criou sozinha, e do diretor da temida polícia política na década de 1970.

Bonito, alto e elegante, o secretário de Segurança ao Cidadão combina esta aparência com uma postura firme e séria diante das câmeras, respaldada pela redução dos homicídios no México.

Aos 44 anos, começa a soar como possível candidato a substituir a presidente Claudia Sheinbaum no distante ano de 2030.

Para isso, será fundamental o resultado de sua estratégia contra os cartéis. Também uma campanha informal de imagem que o aproxima dos mexicanos, compensando o distanciamento em relação às pessoas que seu cargo lhe impõe por motivos de segurança.

Comerciantes informais vendem toalhas, camisetas e outras mercadorias nas quais aparece seu rosto em um corpo com peitorais e abdominais bem definidos: é o "Batman mexicano", como seus apoiadores o apelidam por sua luta contra o crime.

O secretário sempre evita o assunto de sua imagem.

- O ataque -

A popularidade de Harfuch disparou em fevereiro após a morte, em uma operação militar, do narcotraficante mais procurado: Nemesio Oseguera "El Mencho".

Foi precisamente o líder do poderoso Cartel Jalisco Nova Generação quem ordenou, em 2020, o ataque contra Harfuch, quando ele era o responsável pela segurança na capital.

Foi em uma manhã de junho que 30 atiradores desceram de um caminhão e abriram fogo contra o veículo blindado em que viajava. Ele foi atingido no braço e na perna, enquanto via dois de seus seguranças morrerem. Uma pedestre também morreu.

Um ataque assim "marca você para o resto da vida, marca você no sentido de compromisso", diz Gerardo Rodríguez, especialista em segurança nacional e acadêmico da Universidade de las Américas Puebla, à AFP.

Harfuch se mudou para um apartamento vigiado dentro das instalações da Secretaria de Segurança da capital, de onde coordenou a polícia, praticamente isolado de sua família, durante quase quatro anos.

Rodríguez o conheceu em 2018 quando era diretor da agência de investigação criminal do Ministério Público mexicano. "Buscava profissionalizar, modernizar esta agência de inteligência para o combate ao crime", explica à AFP.

Este trabalho o levou à Secretaria de Segurança na Cidade do México, quando Sheinbaum era prefeita. Os homicídios na capital caíram pela metade, segundo números oficiais, embora nestes anos também tenham sido reportadas denúncias de abuso policial.

Sheinbaum, posteriormente, o integrou ao governo nacional ao assumir o poder em 2024. Juntos implementaram uma estratégia de linha dura contra os cartéis, com crescentes detenções e apreensões de drogas.

Em um país cansado da violência, reduziu a taxa de homicídios dolosos ao seu nível mais baixo desde 2015.

- O policial -

Harfuch iniciou sua carreira em 2008 na extinta Polícia Federal, dez anos após a morte de seu pai, Javier García Paniagua, dirigente do hegemônico Partido Revolucionário Institucional (PRI). Seu avô paterno, Marcelino García Barragán, foi ministro da Defesa durante o massacre de estudantes em Tlatelolco em 1968.

María Cervantes foi sua chefe em 2008, quando atuava como responsável de inteligência da Polícia Federal. Lembra-se dele como um jovem com uma imagem romântica do policial nobre, destemido e incorruptível em operações perigosas.

É um policial "das ruas. Ele não gosta do escritório" e prefere "ir para as operações", conta Cervantes.

Afiliado ao esquerdista partido Morena e senador licenciado, Harfuc se encaixa em "arquétipos literários" do "herói que sobrevive a um ataque" diante de uma possível aspiração presidencial, explica Vianey Esquinca, consultora de política e imagem. "É um romance" que o aproxima das pessoas.

Um policial de alta hierarquia que trabalhou com Harfuch teme que a política possa corromper o íntegro agente: "O pior que poderia acontecer seria perdermos Omar".

(H.Schneide--BBZ)