Berliner Boersenzeitung - Fumaça de incêndios na Amazônia atinge grandes cidades do país e se espalha pelo continente

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Fumaça de incêndios na Amazônia atinge grandes cidades do país e se espalha pelo continente
Fumaça de incêndios na Amazônia atinge grandes cidades do país e se espalha pelo continente / foto: Carlos FABAL - AFP

Fumaça de incêndios na Amazônia atinge grandes cidades do país e se espalha pelo continente

A fumaça dos incêndios florestais na Amazônia e em outras regiões do país encobre grandes cidades, como São Paulo, e se espalha por países vizinhos, como Uruguai e Argentina.

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Quase 5 milhões de km² foram afetados pela fumaça no Brasil, ou seja, 60% do território nacional, segundo estimativas de Karla Longo, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com base em dados de satélite.

E "se considerarmos as áreas afetadas nos países vizinhos e no Oceano Atlântico, a superfície atingida no domingo é de 10 milhões de km²", precisou a pesquisadora do Inpe em e-mail enviado à AFP.

Autoridades argentinas e uruguaias informaram hoje sobre a presença em várias regiões da fumaça, que também procede de focos em Bolívia e Paraguai, segundo o Instituto Uruguaio de Meteorologia.

São Paulo, a maior cidade da América Latina, esteve em determinados momentos desta segunda-feira no topo da lista das metrópoles mais poluídas do mundo, segundo a empresa de monitoramento da qualidade do ar IQAir, com sede na Suíça.

O índice de partículas finas (PM2,5) alcançou 69 microgramas por metro cúbico, ou seja, 14 vezes mais do que o limite recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A situação também é preocupante no Rio de Janeiro, onde o índice é de 26 microgramas por metro cúbico, cinco vezes mais.

- 'Sufocante' -

Em várias cidades brasileiras, autoridades de saúde relataram nos últimos dias um forte aumento do número de pessoas com problemas respiratórios, como crises de asma, pneumonia ou sinusite.

O ar "está muito seco, muito poluído. A gente não respira, fica muito sufocante", disse à AFP Ieda Bandeira, 76, que vende doces em frente a uma estação de metrô de São Paulo.

Os incêndios, em sua maioria de origem criminosa e frequentemente ligados à atividade agrícola, propagam-se mais facilmente devido a uma seca histórica, que especialistas associam às mudanças climáticas.

"Fico muito preocupado, principalmente porque já faz um tempo que parece que não vai voltar ao normal. Respirar está difícil, dormir está difícil. A gente fica mais doente, fica com uma tosse que parece que não vai embora", descreveu Maicon Santos, 37, que trabalha com documentação para o agronegócio.

- Fumaça em vez de umidade -

Imagens de satélite da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) mostraram nesta segunda-feira uma espessa nuvem de fumaça cinza contornando a cordilheira dos Andes, em direção ao sul do continente. O fenômeno se deve à direção do "vento que canaliza a fumaça para o sul", explicou à AFP a meteorologista Estael Sias, da agência Metsul.

Isso costuma favorecer a formação dos chamados “rios voadores”, que transportam a umidade da Amazônia para o sul. Mas, devido à seca prolongada e aos incêndios, em vez de chuva, o vento leva fumaça. “O ar já é de má qualidade devido à seca, e a fumaça agrava a situação”, destacou a especialista.

Segundo dados do Inpe, o número de focos de incêndio na Amazônia desde o começo do ano quase dobrou em relação ao mesmo período de 2023. Outras regiões do Brasil também sofrem com grandes incêndios florestais, como o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, cerca de 250 km ao norte de Brasília, onde mais de 10 mil hectares foram consumidos nos últimos dias.

- Pôr do sol laranja -

Outro fenômeno incomum ligado à fumaça dos incêndios e que acontece em várias regiões do país é que o sol está se tornando uma bola espetacularmente alaranjada no momento de se pôr. Isso se deve “aos raios que atravessam as nanopartículas invisíveis a olho nu, o que lhe confere esse tom", explicou Estael.

A especialista acredita que a situação não vá melhorar "sem chuvas regulares", o que, segundo ela, não deve acontecer antes de outubro ou novembro.

(L.Kaufmann--BBZ)