Berliner Boersenzeitung - Estudo revela efeitos climáticos surpreendentes das fezes de pinguim

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Estudo revela efeitos climáticos surpreendentes das fezes de pinguim
Estudo revela efeitos climáticos surpreendentes das fezes de pinguim / foto: Mark RALSTON - AFP/Arquivos

Estudo revela efeitos climáticos surpreendentes das fezes de pinguim

A Antártida está aquecendo rapidamente devido à mudança climática provocada pela atividade humana. Mas um novo estudo identifica um aliado improvável na luta contra o aumento da temperatura continental: as fezes dos pinguins.

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A pequisa, publicada nesta quinta-feira (22) na revista científica Communications Earth & Environment, mostra que o amoníaco que emana do guano (fezes acumuladas de aves, morcegos ou focas) do pinguim geram uma camada adicional de nuvens sobre a costa antártica que pode bloquear a luz solar e reduzir as temperaturas.

Matthew Boyer, autor principal do trabalho e pesquisador atmosférico da Universidade de Helsinque, explicou à AFP que, até agora, não se havia quantificado o processo pelo qual o amoníaco gasoso pode ajudar a formar nuvens, tampouco se havia observado sua influência na Antártida.

No continente gelado, com quase nenhuma contaminação humana e pouca vegetação, os pinguins dominam como emissores de amoníaco. Mas o futuro dessas aves está ameaçado pela diminuição do gelo marinho, o que torna ainda mais urgente compreender sua função ecológica.

Os pinguins expulsam grandes quantidades de amoníaco através de seus excrementos. Quando esse amoníaco se mescla com os gases sulfurosos do fitoplâncton (as algas microscópicas que florescem nas águas circundantes), se formam pequenas partículas que se transformam em nuvens.

Para capturar o efeito, Boyer e sua equipe instalaram instrumentos na Base Marambio da Argentina na Ilha Seymour, no extremo norte da Península Antártica.

Durante o verão no hemisfério sul — quando as colônias de pinguins estão no auge e a fotossíntese do fitoplâncton alcança seu pico máximo — os pesquisadores monitoraram a direção do vento, os níveis de amoníaco e as nuvens recém-formadas.

Notaram que, quando a brisa soprava da colônia de 60 mil pinguins Adelia, a oito quilômetros de distância, o amoníaco atmosférico disparava para 13,5 partes por bilhão, aproximadamente mil vezes o nível base.

Por mais de um mês depois que as aves partiram em sua migração anual, as concentrações se mantiveram cerca de 100 vezes maiores graças ao solo empapado de guano. Os aerossóis geradores de nuvens também aumentavam cada vez que as massas de ar chegavam da colônia.

"Fornecemos evidência de que a queda da população de pinguins poderia causar uma retroalimentação positiva do aquecimento global na atmosfera no verão da Antártida", escreveram os autores, embora Boyer tenha enfatizado que isso continua sendo uma hipótese, não um resultado confirmado.

Globalmente, as nuvens têm um efeito líquido de esfriamento ao refletirem a radiação solar de volta para o espaço. Com base em modelos do Ártico sobre emissões das aves marinhas, a equipe acredita que um mecanismo similar provavelmente esteja acontecendo na Antártida.

"Esse é somente outro exemplo da profunda conexão entre o ecossistema e os processos atmosféricos, e por que deveríamos nos preocupar com a biodiversidade e a conservação", afirmou Boyer.

(T.Burkhard--BBZ)