Berliner Boersenzeitung - Galípolo: Força e Liquidez?

EUR -
AED 4.290054
AFN 72.42575
ALL 95.503191
AMD 432.173262
ANG 2.090865
AOA 1072.367827
ARS 1654.62964
AUD 1.63286
AWG 2.105602
AZN 1.993611
BAM 1.953427
BBD 2.352323
BDT 143.624334
BGN 1.948604
BHD 0.440759
BIF 3479.259433
BMD 1.168156
BND 1.491276
BOB 8.070164
BRL 5.842069
BSD 1.167872
BTN 110.358022
BWP 15.79568
BYN 3.29517
BYR 22895.862222
BZD 2.348937
CAD 1.597571
CDF 2715.963068
CHF 0.92379
CLF 0.026658
CLP 1048.933841
CNY 7.970505
CNH 7.99225
COP 4228.410171
CRC 531.250231
CUC 1.168156
CUP 30.95614
CVE 110.1303
CZK 24.37504
DJF 207.977405
DKK 7.472824
DOP 69.385135
DZD 154.88931
EGP 61.670358
ERN 17.522344
ETB 182.360337
FJD 2.570875
FKP 0.862058
GBP 0.867479
GEL 3.136506
GGP 0.862058
GHS 12.964199
GIP 0.862058
GMD 85.275208
GNF 10248.46517
GTQ 8.923086
GYD 244.343237
HKD 9.154081
HNL 31.045029
HRK 7.532388
HTG 152.992875
HUF 365.379465
IDR 20190.178748
ILS 3.492201
IMP 0.862058
INR 110.555532
IQD 1529.928754
IRR 1536125.450142
ISK 143.225439
JEP 0.862058
JMD 184.016506
JOD 0.828175
JPY 186.617663
KES 150.93771
KGS 102.131433
KHR 4680.275586
KMF 490.625211
KPW 1051.335721
KRW 1726.015078
KWD 0.359605
KYD 0.97331
KZT 535.335235
LAK 25638.751153
LBP 104645.057227
LKR 372.274673
LRD 214.308798
LSL 19.376201
LTL 3.449262
LVL 0.706606
LYD 7.410999
MAD 10.809879
MDL 20.199294
MGA 4855.082561
MKD 61.579187
MMK 2453.174057
MNT 4201.104491
MOP 9.42731
MRU 46.44819
MUR 54.646713
MVR 18.059189
MWK 2025.123085
MXN 20.39151
MYR 4.616526
MZN 74.635995
NAD 19.376201
NGN 1601.51884
NIO 42.977435
NOK 10.886603
NPR 176.573035
NZD 1.990567
OMR 0.449162
PAB 1.167877
PEN 4.094093
PGK 5.073794
PHP 71.589274
PKR 325.479535
PLN 4.248567
PYG 7321.045677
QAR 4.245743
RON 5.093627
RSD 117.391485
RUB 87.72965
RWF 1707.21192
SAR 4.381491
SBD 9.402002
SCR 16.008867
SDG 701.475152
SEK 10.847207
SGD 1.493026
SHP 0.872147
SLE 28.735721
SLL 24495.647708
SOS 667.483605
SRD 43.648182
STD 24178.475583
STN 24.470071
SVC 10.219501
SYP 129.13882
SZL 19.360321
THB 38.018235
TJS 10.955095
TMT 4.094388
TND 3.405778
TOP 2.81264
TRY 52.630925
TTD 7.941287
TWD 36.873982
TZS 3043.190704
UAH 51.469848
UGX 4344.686043
USD 1.168156
UYU 46.093623
UZS 14049.815763
VES 565.311069
VND 30778.580501
VUV 138.105975
WST 3.186512
XAF 655.155683
XAG 0.016108
XAU 0.000256
XCD 3.157
XCG 2.104826
XDR 0.815044
XOF 655.161285
XPF 119.331742
YER 278.702846
ZAR 19.433985
ZMK 10514.807479
ZMW 22.158992
ZWL 376.145831

Galípolo: Força e Liquidez?




As redes sociais voltaram a especular sobre a possibilidade de Michael Saylor e a sua empresa MicroStrategy serem “liquidados” devido à queda recente do preço do bitcoin. A discussão se intensificou quando o custo do financiamento de curto prazo nos Estados Unidos subiu: as taxas do mercado de recompra (repo) ficaram acima do teto da faixa meta do Federal Reserve, indicando que a liquidez está mais escassa e pressionando investidores alavancados. Mas a estrutura de financiamento de Saylor é diferente da de um investidor que opera em bolsa com margem; a MicroStrategy usa notas conversíveis e instrumentos de longo prazo para comprar bitcoin, e analistas apontam que a empresa está bem posicionada para atravessar um mercado de baixa. Um conceituado analista do mercado cripto afirmou recentemente que a MicroStrategy não deve ser liquidada no próximo ciclo de queda e que as datas de vencimento mais sensíveis só começam em 2027.

Esse analista observou que a primeira data em que investidores podem exigir o resgate antecipado de notas ocorre em setembro de 2027, e que a empresa precisaria vender parte do seu estoque de BTC apenas se o preço da moeda digital ficasse muito abaixo dos níveis actuais por vários anos. Ainda assim, há um risco de liquidação parcial em 2028 se o bitcoin não subir o bastante, porque as notas conversíveis podem ser resgatadas nesse momento. O próprio Saylor destacou que a empresa alterou sua estrutura de capital para emissões preferenciais perpétuas e que pode suportar uma queda de 80 % no preço do bitcoin sem precisar vender posições.

A pergunta sobre se “a liquidez dos bancos centrais acabou” surge porque, depois de anos de estímulos, as autoridades monetárias estão reduzindo seus balanços e mantendo juros altos. Nos Estados Unidos, o aperto monetário reduziu as reservas bancárias para cerca de 2,8 trilhões de dólares, perto do limite que o Fed considera “amplo” para evitar disfunções. Isso e a forte emissão de títulos públicos levaram as taxas de repo a subir, sinalizando menor disponibilidade de caixa. Analistas observam que a combinação de déficit fiscal elevado e aumento da conta do Tesouro drena reservas do setor privado; por isso o Fed tem alertado bancos para usarem a sua Linha Permanente de Repo como amortecedor e discute com as instituições como melhorar o fluxo de liquidez. Ao mesmo tempo, a escassez não é absoluta: dados do Banco de Compensações Internacionais mostram que o crédito em moeda estrangeira cresceu 6 % em dólares e 13 % em euros em 12 meses até junho de 2025, indicando que o crédito internacional continua a se expandir.

Na zona do euro, a supervisora do Banco Central Europeu, Claudia Buch, advertiu que os bancos devem se preparar para um ambiente com menos liquidez e reforçar o colateral disponível para empréstimos de emergência, mas elogiou o preparo das instituições e disse que o ajuste está sendo feito de forma ordenada. No Brasil, o Banco Central segue ativo no mercado de câmbio: em novembro anunciou leilões de venda de dólares com compromisso de recompra no valor de dois bilhões de dólares para rolar contratos que vencem no começo de 2026. Esse tipo de operação evita que a procura por dólares pressione o real e garante liquidez ao sistema financeiro. Ou seja, a liquidez dos bancos centrais não “acabou”; ela está sendo administrada com mais cuidado, e há instrumentos prontos para socorrer o mercado quando surgem tensões.

No meio dessa reconfiguração global, o Brasil vive a transição de comando no Banco Central. Gabriel Galípolo, economista de perfil técnico e ex‑secretário do Ministério da Fazenda, foi aprovado pelo Senado para presidir a autoridade monetária a partir de 2025. A nomeação foi recebida com otimismo pelo mercado: analistas destacam sua experiência em liderança e rigor técnico como fundamentais para conduzir a política monetária. Mesmo os profissionais que se preocupam com a proximidade de Galípolo com o governo reconhecem que sua indicação sinaliza continuidade na busca da meta de inflação. Durante a sabatina no Senado ele defendeu a independência do BC e ressaltou que “todo mundo pode brigar com o Banco Central, mas o BC não pode brigar com os dados”; especialistas interpretaram a frase como um compromisso com decisões baseadas em indicadores e não em pressões políticas.

Pouco depois, ainda como diretor de Política Monetária, participou de um fórum de investimentos no qual afirmou que o BC não dá pistas sobre os próximos passos justamente porque depende de dados e tem de manter a postura conservadora até que a inflação converja para a meta. A autoridade monetária manteve a Selic em 15 % e sinalizou que essa taxa elevada deve durar “por um período bastante prolongado” para garantir a convergência para o centro da meta de 3 %. Galípolo também reconheceu que a inflação de serviços segue pouco compatível com a meta e que é preciso cautela, mas sublinhou que o país combina crescimento contínuo com desemprego baixo, o que permite usar juros altos por mais tempo sem estagnar a economia.

O elogio ao estilo sereno e institucional de Galípolo também veio da Federação Brasileira de Bancos, que considerou promissora a condução da transição e ressaltou a importância de manter a confiança dos agentes econômicos. Investidores observaram com bons olhos a unanimidade do Comitê de Política Monetária na decisão de subir os juros em sua primeira reunião com Galípolo como diretor, interpretando o voto como um aceno de independência. Outros especialistas lembram que o novo presidente terá de mostrar sensibilidade social ao ajustar a política monetária, evitando que o controle da inflação asfixie o crescimento. Em resumo, enquanto as redes sociais debatem eventuais liquidações de megainvestidores e teorias de que a liquidez global secou, a realidade mostra instituições e autoridades agindo para administrar riscos. O caso de Saylor exemplifica como estratégias estruturadas de longo prazo são menos vulneráveis a oscilações de mercado, e o debate sobre liquidez indica um período de transição em que a oferta de dinheiro não desapareceu, mas será usada com parcimônia. Já no Brasil, a figura de Gabriel Galípolo surge como um sinal de continuidade com prudência, conciliando o combate à inflação com a necessidade de preservar o dinamismo da economia.