Berliner Boersenzeitung - Brasil sufoca com juros Altos

EUR -
AED 4.175692
AFN 75.043056
ALL 93.695465
AMD 416.344708
AOA 1043.780649
ARS 1702.120314
AUD 1.63061
AWG 2.049471
AZN 1.931921
BAM 1.955071
BBD 2.294254
BDT 140.617551
BHD 0.429246
BIF 3402.675725
BMD 1.137016
BND 1.469471
BOB 12.820218
BRL 5.813225
BSD 1.13908
BTN 109.191273
BWP 15.639304
BYN 3.267667
BYR 22285.511724
BZD 2.290996
CAD 1.604358
CDF 2569.655869
CHF 0.931899
CLF 0.027171
CLP 1069.374867
CNY 7.693159
CNH 7.69575
COP 3648.945551
CRC 518.406639
CUC 1.137016
CUP 30.130921
CVE 110.223888
CZK 24.190803
DJF 202.845233
DKK 7.475687
DOP 66.27528
DZD 151.688108
EGP 57.501732
ERN 17.055239
ETB 182.148755
FJD 2.537536
FKP 0.853487
GBP 0.855093
GEL 2.979389
GGP 0.853487
GHS 13.259055
GIP 0.853487
GMD 84.139247
GNF 9994.579777
GTQ 8.691758
GYD 238.221146
HKD 8.916359
HNL 30.563287
HRK 7.533642
HTG 148.906424
HUF 360.161729
IDR 20559.635283
ILS 3.482335
IMP 0.853487
INR 108.866942
IQD 1489.490835
IRR 1563538.995341
ISK 142.604756
JEP 0.853487
JMD 180.212782
JOD 0.806109
JPY 186.259137
KES 147.300426
KGS 99.432123
KHR 4601.344447
KMF 492.327516
KRW 1661.930959
KWD 0.353032
KYD 0.949238
KZT 541.283346
LAK 25819.142637
LBP 102006.004199
LKR 383.033763
LRD 206.173099
LSL 19.09003
LTL 3.357313
LVL 0.68777
LYD 7.282572
MAD 10.651552
MDL 20.019357
MGA 4900.538463
MKD 61.50206
MMK 2387.209348
MNT 4083.617285
MOP 9.200787
MRU 45.473639
MUR 53.99719
MVR 17.577997
MWK 1973.859541
MXN 19.860821
MYR 4.649288
MZN 72.6665
NAD 19.090281
NGN 1553.721117
NIO 41.779651
NOK 11.034148
NPR 174.705836
NZD 1.970034
OMR 0.437168
PAB 1.139075
PEN 3.870403
PGK 4.997206
PHP 70.087365
PKR 315.931341
PLN 4.325794
PYG 6888.460964
QAR 4.143857
RON 5.23198
RSD 117.407936
RUB 89.313348
RWF 1665.7283
SAR 4.261522
SBD 9.169632
SCR 15.437295
SDG 682.772665
SEK 11.061277
SGD 1.470008
SLE 27.573071
SOS 650.957199
SRD 42.90075
STD 23533.933593
STN 24.900648
SVC 9.967195
SZL 19.084802
THB 38.260015
TJS 10.513878
TMT 3.990926
TND 3.371255
TRY 53.870787
TTD 7.736046
TWD 36.841622
TZS 3007.404804
UAH 51.158768
UGX 4277.40457
USD 1.137016
UYU 45.742938
UZS 13653.2873
VES 843.531668
VND 29942.176824
VUV 135.405325
WST 3.13398
XAF 655.712426
XAG 0.01976
XAU 0.000281
XCD 3.072842
XCG 2.052916
XDR 0.815503
XOF 652.086083
XPF 119.331742
YER 270.780205
ZAR 19.061554
ZMK 10234.504173
ZMW 21.284529
ZWL 366.118657

Brasil sufoca com juros Altos




A decisão do Banco Central de manter a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano consolidou o Brasil como um dos países com os maiores juros reais do mundo. O Comitê de Política Monetária argumenta que a medida é necessária para ancorar as expectativas e garantir a convergência da inflação à meta, mas o alto custo do crédito já afeta a vida das famílias e das empresas. Instituições financeiras, consultores e lideranças empresariais afirmam que o país “não aguenta mais” os juros no patamar atual e apontam que a política fiscal desordenada piora o quadro.

Cautela monetária e incerteza fiscal
O ambiente externo, marcado por tensões geopolíticas e políticas monetárias restritivas em economias avançadas, exige prudência de países emergentes. No cenário doméstico, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) segue acima da meta de 3%, as expectativas de inflação para 2025 e 2026 permanecem desancoradas e o mercado de trabalho ainda está aquecido. Para o Banco Central, esses fatores justificam a manutenção de uma política contracionista por “período bastante prolongado”, uma vez que reduções prematuras poderiam desancorar expectativas e desvalorizar a moeda.

Economistas observam, no entanto, que a incerteza fiscal é determinante para a necessidade de juros elevados. A ausência de superávit primário consistente, o crescimento das despesas obrigatórias e o adiamento de reformas estruturais aumentam a percepção de risco dos investidores e dificultam a queda da Selic. Projeções oficiais apontam que a relação dívida/PIB, de 76,8% em 2025, pode ultrapassar 83% em 2026 e aproximar-se de 87% em 2027, patamar elevado para uma economia emergente.

O peso dos juros no setor público e privado
Com mais de 60% da dívida pública indexada à Selic e ao CDI, cada aumento de 1 ponto percentual na taxa básica adiciona cerca de R$ 50 bilhões aos gastos com juros e dificulta o ajuste das contas públicas. Em 2025, o déficit nominal do setor público permaneceu próximo a 8% do PIB, enquanto a dívida bruta avançou de 75,7% para 76,8% do PIB. A ampliação de despesas, em grande parte obrigatórias, compromete cerca de 93% do orçamento, limitando margens para cortes e exigindo novos empréstimos a taxas crescentes.

O setor produtivo sente esse aperto. Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria mostra que oito em cada dez empresas consideram os juros a principal barreira ao crédito. No comércio e nos serviços, empresários relatam dificuldades para financiar estoques e expandir seus negócios. A construção civil revisou para baixo a previsão de crescimento, e até grandes redes de supermercados afirmam que o país mantém a segunda maior taxa real de juros do mundo, atrás apenas da Turquia.

Para as famílias, os juros a 15% tornam mais caro o financiamento de imóveis, veículos e compras no cartão de crédito. Economistas apontam que o custo do dinheiro sobe, restringindo o consumo e aumentando a desigualdade de renda: quem tem patrimônio se beneficia de aplicações indexadas à Selic, enquanto os endividados enfrentam taxas que ultrapassam 200% ao ano em linhas rotativas.

Divergência entre políticas e desaceleração econômica
Ao longo de 2025, o governo federal adotou medidas expansionistas – aumento de gastos sociais, subsídios a crédito e renúncias fiscais – que estimularam a demanda em um momento de política monetária restritiva. A estratégia produziu crescimento acima do esperado no primeiro semestre, mas a economia perdeu fôlego no terceiro trimestre, quando o PIB avançou apenas 0,1%, o ritmo mais lento em três anos. O consumo das famílias praticamente estagnou, enquanto a indústria e os serviços sentiram o impacto dos juros altos.

Analistas alertam que a falta de coordenação entre a política monetária e a fiscal prolonga o aperto e reduz a eficácia da taxa Selic como instrumento de controle inflacionário. A confiança de empresários e investidores foi abalada pelas discussões no Congresso para flexibilizar o arcabouço fiscal, permitindo mais gastos e renúncias de receita. Estimativas do mercado projetam endividamento público superior a 81% do PIB em 2025. O risco de deterioração fiscal, somado à possibilidade de medidas populistas em ano pré-eleitoral, mantém a percepção de risco elevada e limita o espaço para cortes na Selic.

A voz das ruas e das empresas
Além dos analistas, parlamentares e entidades representativas têm criticado a combinação de juros altos e gestão fiscal expansionista. O deputado federal Marcos Pereira, presidente de um partido da base de centro-direita, afirmou que os juros a 15% encarecem financiamentos imobiliários, compra de veículos e uso do cartão. Ele associa o aperto monetário à “má gestão fiscal” do governo, que aumentou impostos e gastos acima da arrecadação.

Para representantes da indústria e do comércio, o atual patamar de juros sufoca a produção e impede a geração de emprego. A Federação das Indústrias alerta que 80% das empresas consideram o crédito caro o principal entrave. Já o setor de supermercados ressalta que o Brasil mantém juros reais altíssimos, pressionando os preços ao consumidor.

Caminhos para a queda dos juros
Especialistas concordam que a melhora do ambiente fiscal é condição essencial para que os juros recuem. Estudos mostram que cada ponto percentual de deterioração do resultado primário pode elevar a Selic em até 0,5 ponto, enquanto um superávit consistente abriria espaço para cortes. Assim, a construção de superávits primários, a revisão de despesas obrigatórias e a aprovação de reformas estruturais – como a administrativa e a tributária – são apontadas como passos indispensáveis.

Alguns economistas estimam que a taxa neutra de juros no Brasil estaria próxima de 9% ao ano. Para chegar a esse patamar, seria necessário reduzir a incerteza fiscal, melhorar a produtividade e credibilizar a política econômica. Sem essas mudanças, o país corre o risco de conviver por mais tempo com juros de dois dígitos, crescimento fraco e aumento da dívida.

Conclusão
O Brasil enfrenta um dilema: os juros altos são considerados necessários para conter a inflação, mas impõem um custo social e econômico elevado e convivem com um setor público que gasta além das receitas. Enquanto o governo não apresentar um plano crível de ajuste fiscal e reformas que equilibrem as contas, a autoridade monetária permanecerá refém de juros elevados. E, nesse contexto, o país não aguenta mais tanto juros, e o fiscal não ajuda. A convergência das políticas – com responsabilidade fiscal e coordenação entre as autoridades – é a saída para aliviar o bolso dos brasileiros, impulsionar o investimento e colocar a economia em rota de crescimento sustentável.