Berliner Boersenzeitung - Gigantes atrás da Nvidia

EUR -
AED 4.265142
AFN 73.7474
ALL 94.825822
AMD 427.629306
ANG 2.079324
AOA 1065.557779
ARS 1668.614586
AUD 1.645073
AWG 2.09047
AZN 1.977295
BAM 1.957118
BBD 2.340276
BDT 142.637302
BGN 1.963742
BHD 0.437959
BIF 3473.66439
BMD 1.161372
BND 1.488603
BOB 8.058428
BRL 5.909409
BSD 1.161983
BTN 109.81997
BWP 15.569487
BYN 3.216967
BYR 22762.896035
BZD 2.336974
CAD 1.625828
CDF 2694.383627
CHF 0.919339
CLF 0.026137
CLP 1028.697358
CNY 7.847915
CNH 7.847421
COP 3988.918801
CRC 529.256483
CUC 1.161372
CUP 30.776365
CVE 110.736504
CZK 24.147479
DJF 206.399115
DKK 7.474772
DOP 68.060081
DZD 154.322586
EGP 58.358025
ERN 17.420584
ETB 183.932293
FJD 2.59416
FKP 0.865076
GBP 0.865158
GEL 3.071852
GGP 0.865076
GHS 13.121687
GIP 0.865076
GMD 84.780141
GNF 10193.944601
GTQ 8.857042
GYD 243.063716
HKD 9.097383
HNL 31.011221
HRK 7.534744
HTG 151.752213
HUF 349.335541
IDR 20597.517481
ILS 3.390025
IMP 0.865076
INR 109.674158
IQD 1521.397643
IRR 1596886.839259
ISK 144.40533
JEP 0.865076
JMD 183.773782
JOD 0.823454
JPY 186.187742
KES 150.509241
KGS 101.561907
KHR 4660.009706
KMF 493.582785
KPW 1045.235429
KRW 1755.901781
KWD 0.357923
KYD 0.968352
KZT 566.656795
LAK 25585.030902
LBP 104000.884285
LKR 389.27555
LRD 211.543873
LSL 18.81368
LTL 3.42923
LVL 0.702503
LYD 7.403777
MAD 10.736917
MDL 20.276657
MGA 4877.76365
MKD 61.653348
MMK 2438.186534
MNT 4153.722136
MOP 9.375115
MRU 46.548091
MUR 54.735926
MVR 17.954508
MWK 2016.141924
MXN 19.979201
MYR 4.721905
MZN 74.208509
NAD 18.80873
NGN 1577.503424
NIO 42.518111
NOK 10.996395
NPR 175.710838
NZD 1.995226
OMR 0.446549
PAB 1.161983
PEN 3.963195
PGK 5.095811
PHP 70.09115
PKR 323.21364
PLN 4.237731
PYG 7090.776019
QAR 4.227982
RON 5.23256
RSD 117.38107
RUB 84.200238
RWF 1728.121903
SAR 4.357346
SBD 9.362314
SCR 16.392443
SDG 697.418767
SEK 10.864399
SGD 1.488636
SHP 0.867082
SLE 28.744096
SLL 24353.399583
SOS 663.722162
SRD 43.356369
STD 24038.060706
STN 24.853366
SVC 10.166936
SYP 128.368911
SZL 18.811087
THB 37.782346
TJS 10.771455
TMT 4.076417
TND 3.381626
TOP 2.796306
TRY 53.789339
TTD 7.893317
TWD 36.648281
TZS 3051.509058
UAH 52.0398
UGX 4298.895537
USD 1.161372
UYU 46.912002
UZS 13942.273293
VES 692.220136
VND 30567.317533
VUV 138.048782
WST 3.183573
XAF 656.39912
XAG 0.016508
XAU 0.000268
XCD 3.138666
XCG 2.094193
XDR 0.817255
XOF 656.175448
XPF 119.331742
YER 277.132485
ZAR 18.798205
ZMK 10453.740845
ZMW 20.537833
ZWL 373.96139

Gigantes atrás da Nvidia




Na última década, a Nvidia tornou-se sinônimo de inteligência artificial (IA). Suas placas gráficas alimentam supercomputadores, centros de dados e a onda de plataformas de IA generativa que nasceu após a pandemia. A valorização da empresa refletiu esse protagonismo: desde o início de 2023, as suas ações chegaram a subir centenas de por cento, o que a colocou entre as empresas mais valiosas do mundo. Em 2026, no entanto, o entusiasmo em torno do setor abriu espaço para uma discussão mais ampla: há empresas que, mesmo sem a visibilidade de uma fabricante de chips, apresentaram retornos muito superiores e expõem tanto as oportunidades quanto os riscos de um mercado cada vez mais concentrado na inovação.

Europa: os fornecedores que brilham sem holofotes
O velho continente não tem um equivalente à Nvidia em termos de escala de capitalização, mas abriga alguns dos maiores vencedores do boom de IA. Empresas especializadas em componentes e infraestrutura para centros de dados ultrapassaram todos os parâmetros. De acordo com um levantamento do mercado europeu, ações como as da sueca Sivers Semiconductors subiram mais de 2 000 % no acumulado do ano. A empresa produz matrizes de laser e motores ópticos que transportam dados como luz dentro dos centros de dados; o salto de preço ocorreu quando ela assinou uma parceria para integrar seus lasers à plataforma de silício fotônico da GlobalFoundries, garantindo acesso a uma cadeia global de clientes. Apesar de as receitas de 2025 terem ficado em torno de 361 milhões de coroas suecas e a empresa ainda operar no vermelho, investidores apostam no pipeline de encomendas, que cresceu 77 % e já supera 530 milhões de dólares.

Outras companhias europeias também se destacam. A francesa Soitec, fabricante de wafers de silício e materiais para fotônica, viu as suas ações saltarem mais de 550 % em 2026, embora o faturamento total tenha caído 34 %. O que sustentou a alta foi o crescimento das receitas do segmento de fotônica para centros de dados, que alcançaram mais de 214 milhões de euros. A austríaca AT&S, fornecedora de substratos que conectam processadores ao resto do sistema, valorizou mais de 360 % ao anunciar que ampliará capacidades de substratos na China; mesmo tendo suspendido dividendos e financiado sua expansão com dívida, o mercado precifica a antecipação de contratos de longo prazo. A alemã AIXTRON, produtora de equipamentos usados para depositar camadas de semicondutores compostos, acumulou ganho de 235 %, impulsionada pelo otimismo em torno de lasers e óptica, embora a receita do primeiro trimestre de 2026 tenha caído 47 %. O caso da italiana Technoprobe ilustra o mesmo fenômeno: as ações subiram 184 % enquanto a companhia, líder em cartões de prova para teste de chips, teve crescimento modesto de receitas. Em comum, essas empresas participam da cadeia de fornecimento de IA – lasers, substratos, placas de teste, networking e servidores – e ganham valor à medida que grandes clientes elevam os investimentos em infraestrutura.

América: memória e processadores tomam a dianteira
Nos Estados Unidos, a narrativa da “corrida do ouro” também beneficia os fornecedores de ferramentas. As ações da Micron Technology triplicaram em 2025, acumulando alta de 229 % no ano, enquanto os papéis da Nvidia subiram 37 % no mesmo período. A empresa produz memórias de alta largura de banda (HBM) usadas nos aceleradores de IA. Esses módulos armazenam dados ao lado do processador e evitam gargalos, acelerando cálculos. A HBM3E da Micron oferece 50 % mais capacidade e 30 % menos consumo de energia que a concorrência; por isso, tanto Nvidia quanto AMD adotaram a tecnologia em seus chips. Para 2026, a empresa já vendeu toda a produção de sua nova HBM4E, que terá 60 % mais capacidade; o CEO Sanjay Mehrotra prevê que o mercado de HBM alcance 100 bilhões de dólares até 2028. No primeiro trimestre fiscal de 2026, a receita da Micron cresceu 56 %, para 13,6 bilhões de dólares, com o segmento de memória para centros de dados dobrando para 5,3 bilhões; o lucro por ação aumentou 175 %. Esses números explicam por que a Micron aparece no topo do índice PHLX Semiconductor, com uma alta de 987 % em doze meses.

Outra rival que superou a Nvidia foi a AMD. Em 2026, as ações da empresa avançaram quase 97 % enquanto a Nvidia ganhou perto de 20 %. A AMD tornou-se um segundo fornecedor de aceleradores de IA para grandes nuvens, quebrando o monopólio de facto da Nvidia. Suas GPUs Instinct MI300X e os processadores EPYC com 128 núcleos conquistaram contratos com gigantes de tecnologia e prometeram maior concorrência em um mercado restrito.

A aposta nas redes de dados
Se os investidores procuram a próxima história de crescimento, podem olhar além de chips e memórias. A americana Marvell Technology, tradicional fabricante de controladores Ethernet e chips de rede, tornou-se candidata a estrela. Analistas apontam que, enquanto o mercado se concentra nos processadores, a empresa fornece a infraestrutura de interconexão que permite que clusters de IA operem sem gargalos. Ela desenvolve switches de alta velocidade, interfaces de rede e unidades de processamento de dados que descarregam tarefas de encriptação e balanceamento de carga dos processadores. Em 2026, a Marvell recebeu um impulso inesperado: a Nvidia investiu dois bilhões de dólares e anunciou uma parceria para desenvolver switches e DPUs otimizados para suas plataformas de IA. Essa aliança garante pedidos imediatos e posiciona a Marvell para capturar parte dos 720 bilhões de dólares que os hiperescaladores devem investir em capex de IA neste ano. Diferente de rivais com valorizações altíssimas, a empresa ainda tem capitalização mais modesta e múltiplos de lucro menores, o que sugere potencial de valorização.

Um mercado cada vez mais concentrado
A ascensão dessas empresas acontece em meio a uma concentração sem precedentes dos índices de ações. Analistas da Morgan Stanley apontam que os 10 maiores papéis dos Estados Unidos correspondem hoje a um terço do valor do mercado e representam 37,5 % do índice MSCI USA. Essa concentração está vinculada ao tema da inteligência artificial: os índices se tornaram apostas direcionais no sucesso de poucos grupos. Os maiores resultados de 2025 vieram de tecnologias; quase dois terços do aumento de lucros no primeiro trimestre de 2026 será gerado por empresas de tecnologia e comunicações, segundo estimativas da LSEG. Especialistas alertam que os investidores que compram fundos passivos enfrentam uma armadilha: mais de 40 % de cada 100 dólares investidos em um fundo de índice são alocados em dez empresas. Isso cria um ciclo em que as entradas de capital aumentam o peso dessas ações independentemente de fundamentos e torna o mercado vulnerável a correções se as expectativas forem frustradas.

O fenômeno não se limita aos Estados Unidos. Na Coreia do Sul e em Taiwan, Samsung e TSMC respondem por 20 % e 40 % dos respectivos índices, e juntas somam um quinto do MSCI Mercados Emergentes. Em alguns casos, as autoridades estimulam esse nacionalismo corporativo: o governo norte-americano adquiriu 10 % da Intel em agosto, e as ações da empresa triplicaram em seis semanas, levando sua capitalização a mais de 600  bilhões de dólares.

Perspectivas e cautela
Apesar das valorizações extraordinárias, muitos desses papéis ainda operam no vermelho ou negociam a múltiplos baseados em expectativas de crescimento. No caso europeu, várias empresas tiveram quedas de receita ou margens negativas, mas investidores antecipam que o crescimento de centros de dados de IA sustente pedidos futuros. O mesmo vale para empresas como a Marvell, cuja receita ainda é modesta em comparação com os gigantes da indústria. Nos Estados Unidos, o ciclo de memória pode reverter e reduzir a margem de Micron, e a competição pode pressionar os preços de chips. Ainda assim, o desempenho recente mostra que apostar apenas na líder do setor pode significar perder histórias de crescimento exponencial.

Para o investidor, a lição é clara: o boom de IA está criando uma cadeia de valor vasta, que vai de lasers e substratos a servidores e redes. Muitas dessas empresas superaram a Nvidia em valorização não por competirem diretamente com ela, mas por oferecerem a infraestrutura que sustenta a revolução da IA. Ao mesmo tempo, o aumento da concentração nos índices exige prudência, já que ganhos e perdas podem ser amplificados quando poucos nomes dominam o mercado. A diversificação dentro da cadeia de IA e a atenção aos fundamentos tornam-se, portanto, mais importantes do que nunca.