Berliner Boersenzeitung - Justiça argentina solicita ao Uruguai preservação de avião usado na Operação Condor

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Justiça argentina solicita ao Uruguai preservação de avião usado na Operação Condor
Justiça argentina solicita ao Uruguai preservação de avião usado na Operação Condor / foto: Pablo PORCIUNCULA - AFP

Justiça argentina solicita ao Uruguai preservação de avião usado na Operação Condor

A justiça da Argentina pediu ao Uruguai que preserve um avião encontrado em território uruguaio e que foi usado para transportar detentos no âmbito da Operação Condor, a campanha de colaboração entre regimes militares sul-americanos nas décadas de 1970 e 1980.

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O documento internacional, assinado em 15 de junho pelo juiz federal Sebastián Casanello, solicita "às autoridades jurisdicionais uruguaias competentes" a emissão de uma "medida cautelar que determine a preservação do estado atual do avião Hawker Siddeley HS-125 modelo 400B, com código de identificação 5-T-30 e 25251, que foi registrado com o prefixo 0653".

A aeronave "estaria no aeroporto internacional Ángel S. Adami" de Melilla, nas proximidades da capital uruguaia, Montevidéu, especifica o documento emitido pelo Tribunal Nacional Criminal e Correcional Federal nº 7 de Buenos Aires.

Casanello, que investiga processos vinculados à Operação Condor, assinou o documento depois de ouvir o depoimento em 15 de junho do uruguaio Sebastián Santana.

O ilustrador de 46 anos disse ter encontrado o avião em setembro do ano passado, quando pesquisava informações para um projeto da Universidade de Oxford, no Reino Unido, que documenta as violações dos direitos humanos cometidas pelas ditaduras do Cone Sul.

Santana contou à AFP que localizou o avião em Melilla ao pesquisar material para uma produção audiovisual sobre cinco militantes de esquerda detidos em 1977 em Assunção pelas forças de segurança paraguaias - e desaparecidos até hoje.

O caso envolve os argentinos José Luis Nell, Alejandro Logoluso e Marta Landi, assim como os uruguaios Nelson Santana e Gustavo Inzaurralde, que de acordo com documentos do chamado 'Arquivo do Terror' do Paraguai, divulgados em 1992, foram levados para Buenos Aires em 16 de maio de 1977 em um avião da Marinha argentina.

"Dez dias depois, Ricardo Peidró, sobrevivente do centro clandestino de detenção e tortura 'El Atlético' (em Buenos Aires), dividiu uma cela com Inzaurralde. Esta é a última informação que existe sobre um dos cinco sequestrados", destaca Santana em um relatório apresentado aos tribunais argentinos.

O avião foi identificado em Melilla graças a dados da página no Facebook da Marinha argentina e de blogs de de fãs da aviação, que indicavam que a aeronave era utilizada pelo ex-almirante Emilio Massera, comandante da ditadura argentina de 1976 a 1978.

"A aeronave está em condição ruim, apesar de inteira", afirma Santana em seu relatório. "Em 2013, parte do painel de navegação foi desmantelado, mas ainda é um objeto reconhecível".

O avião, que entrou em operação em 1970, foi vendido pela Marinha argentina em 1987 e desde então permaneceu nas mãos de civis, primeiro de empresas argentinas e mais recentemente da empresa uruguaia AirWolf, de "táxi aéreo".

Santana descarta que tenha sido utilizado nos "voos da morte", nos quais a ditadura argentina atirava os opositores detidos ao mar, ainda vivos.

"Este avião não poderia ter sido usado para jogar pessoas ao mar porque tem as turbinas na cauda e voa muito rápido, então seria muito arriscado", explicou.

Santana afirmou que o caso dos cinco ativistas detidos em Assunção motivou três processos: um no Paraguai, iniciado em 1993 e sem avanços; outro no Uruguai, pelo qual foi processado com prisão em 2010 o militar Carlos Calcagno, falecido em 2013; e o terceiro na Argentina, que resultou na condenação do militar Antonio Vañek, falecido em 2019.

(L.Kaufmann--BBZ)