Bolsa e real encerram sua pior semana em anos após reeleição de Lula
O real e a Bolsa de São Paulo encerraram, nesta sexta-feira (30), sua pior semana em anos, sinal do temor dos mercados em relação à política fiscal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito no domingo para um quarto mandato.
O dólar subiu mais de 9% frente ao real brasileiro na semana. Foi sua maior alta semanal desde outubro de 2008, em plena crise financeira mundial, segundo a imprensa.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de São Paulo, despencou mais de 18% nesse período. Foi seu pior desempenho semanal desde março de 2020, no início da pandemia de covid-19, de acordo com a imprensa local.
A queda começou na segunda-feira, após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, no segundo turno.
O mercado, que apostava em um triunfo do senador, despencou naquele dia quase 17% na abertura, o que chegou a provocar a suspensão das negociações por 30 minutos.
Embora no fechamento tenha se recuperado até 14%, continuou em queda ao longo da semana.
Na sexta-feira, o dólar fechou a 5,44 reais e o Ibovespa perdeu 0,75%, sua quinta baixa consecutiva.
A desconfiança está relacionada à questão fiscal. A dívida pública do Brasil supera 80% do PIB, e os investidores temem que o governo de esquerda não faça os ajustes necessários para conter o gasto público.
Em sua campanha, Lula anunciou medidas caras, como um aumento do Bolsa Família e o perdão das dívidas dos microempreendedores individuais (MEIs), entre outras.
Além disso, a incerteza sobre quem integrará a equipe econômica do novo mandato e quais medidas serão tomadas alimentou a cautela.
O ministro da Fazenda que está deixando o cargo, Dario Durigan, disse na terça-feira a jornalistas que havia conversado com o mercado financeiro para mostrar o "compromisso fiscal" do governo e "a necessidade de melhorar as contas públicas".
No entanto, os mercados continuaram em queda no restante da semana.
(O.Joost--BBZ)