Berliner Boersenzeitung - Entre o passado e o presente: o 50º aniversário do golpe militar no Chile

EUR -
AED 4.221739
AFN 72.42195
ALL 96.020858
AMD 433.494163
ANG 2.057799
AOA 1054.141908
ARS 1605.37418
AUD 1.624033
AWG 2.072072
AZN 1.956718
BAM 1.956216
BBD 2.312592
BDT 140.889991
BGN 1.964944
BHD 0.433904
BIF 3409.199857
BMD 1.149555
BND 1.468745
BOB 7.962695
BRL 6.016654
BSD 1.148249
BTN 105.909466
BWP 15.656401
BYN 3.420428
BYR 22531.272227
BZD 2.309292
CAD 1.573321
CDF 2603.741289
CHF 0.90665
CLF 0.026491
CLP 1046.003057
CNY 7.99659
CNH 7.915788
COP 4258.536902
CRC 539.331228
CUC 1.149555
CUP 30.4632
CVE 110.288957
CZK 24.437268
DJF 204.464414
DKK 7.472795
DOP 70.087053
DZD 152.076946
EGP 60.260464
ERN 17.243321
ETB 180.867995
FJD 2.543332
FKP 0.867843
GBP 0.863807
GEL 3.12688
GGP 0.867843
GHS 12.497715
GIP 0.867843
GMD 84.489549
GNF 10066.449332
GTQ 8.800912
GYD 240.351163
HKD 9.004042
HNL 30.397528
HRK 7.533265
HTG 150.495309
HUF 390.848437
IDR 19524.037117
ILS 3.58941
IMP 0.867843
INR 106.148671
IQD 1504.120182
IRR 1518619.243421
ISK 143.200536
JEP 0.867843
JMD 180.619234
JOD 0.815036
JPY 183.193613
KES 148.69464
KGS 100.528364
KHR 4604.080197
KMF 493.158699
KPW 1034.599226
KRW 1715.158638
KWD 0.353016
KYD 0.956804
KZT 554.468029
LAK 24640.245163
LBP 102820.787438
LKR 357.546111
LRD 210.113813
LSL 19.316712
LTL 3.394336
LVL 0.695354
LYD 7.359599
MAD 10.787196
MDL 19.978253
MGA 4780.038316
MKD 61.633189
MMK 2413.653719
MNT 4105.387442
MOP 9.260171
MRU 45.779741
MUR 53.730046
MVR 17.772551
MWK 1990.632404
MXN 20.343842
MYR 4.509126
MZN 73.460046
NAD 19.316712
NGN 1577.429825
NIO 42.251199
NOK 11.124817
NPR 169.459969
NZD 1.966194
OMR 0.442006
PAB 1.148244
PEN 3.963544
PGK 4.951162
PHP 68.643361
PKR 320.749473
PLN 4.274562
PYG 7452.780967
QAR 4.197012
RON 5.093556
RSD 117.442229
RUB 93.405395
RWF 1675.764008
SAR 4.313987
SBD 9.255824
SCR 16.567608
SDG 690.882734
SEK 10.75655
SGD 1.469594
SHP 0.862464
SLE 28.282209
SLL 24105.59984
SOS 655.042288
SRD 43.19049
STD 23793.461461
STN 24.505963
SVC 10.047139
SYP 127.054517
SZL 19.302193
THB 37.302476
TJS 11.022598
TMT 4.029189
TND 3.391437
TOP 2.767851
TRY 50.805035
TTD 7.786658
TWD 36.654125
TZS 2994.5901
UAH 50.619496
UGX 4334.922774
USD 1.149555
UYU 46.679734
UZS 13882.955262
VES 512.984476
VND 30207.423772
VUV 137.446801
WST 3.144279
XAF 656.099517
XAG 0.01419
XAU 0.000229
XCD 3.106729
XCG 2.069341
XDR 0.815977
XOF 656.099517
XPF 119.331742
YER 274.175214
ZAR 19.190724
ZMK 10347.371931
ZMW 22.36076
ZWL 370.156146
Entre o passado e o presente: o 50º aniversário do golpe militar no Chile
Entre o passado e o presente: o 50º aniversário do golpe militar no Chile / foto: - - AFP/Arquivos

Entre o passado e o presente: o 50º aniversário do golpe militar no Chile

O Chile enfrentava uma crise de desabastecimento, o palácio presidencial bombardeado queimava com um presidente morto e os militares tomavam o poder. O golpe de Estado que até hoje divide os chilenos completa 50 anos na segunda-feira (11).

Tamanho do texto:

"Missão cumprida. Moneda tomada. Presidente morto". Eram 14h00 do dia 11 de setembro de 1973, quando as tropas sob o comando do general Augusto Pinochet deram a notícia: Salvador Allende, o primeiro presidente marxista eleito por voto popular, havia cometido suicídio em La Moneda.

O Chile, então atormentado pela inflação e pela falta de alimentos causada pela conspiração dos empresários, entrou assim em uma ditadura de 17 anos (1973-1990), que deixou milhares de mortos e desaparecidos, uma economia privatizada e uma brecha intransponível entre os críticos e defensores do regime militar.

Uma fratura que se aprofunda até hoje. A oposição de direita se absteve de aderir ao compromisso de "defender a democracia das ameaças autoritárias" promovido pelo presidente Gabriel Boric e assinado por quatro ex-presidentes pós-ditadura.

Veja, a seguir, os principais pontos do aniversário que Boric relembrará junto com seus colegas do México, Colômbia, Argentina e Uruguai.

1) Jovens e memória

Segundo a pesquisa Activa Research, 70% dos quase 20 milhões de chilenos nasceram depois do golpe; 60% dos jovens nascidos na democracia rejeitam Pinochet e 12% têm opinião favorável.

"O general assumiu a Presidência e a nação e fez isso com base nos seus pensamentos. Não acho que foi certo", opina Cristian Duarte, um programador de 25 anos.

Por outro lado, Alexander Bustamente, um estudante do ensino médio de 18 anos, acredita que Pinochet foi importante para o Chile: "Alguns o chamam de ditador, mas ele também fez coisas boas".

Foram justamente os jovens que abalaram o Chile em 2019 com protestos em larga escala e, muitas vezes, violentos contra a desigualdade fruto do neoliberalismo imposto por Pinochet.

Desse mal-estar emergiu o governo de esquerda de Boric, que, no entanto, fracassou na tentativa de alterar a Constituição da ditadura. O Partido Republicano, de extrema direita, assumiu a liderança e agora guia um novo processo constitucional.

"A confiança dos mais jovens (...) se move de forma muito líquida, de um lado para o outro. São, em grande parte, jovens antipolíticos que votam no que funciona para eles", diz Rodrigo Espinoza, analista da Universidade Diego Portales.

Confrontada com a imagem de Pinochet, María Jesús Duarte, de 19 anos, hesita com certo desconforto: "Não tenho certeza. Salvador Allende, certo?... Ah, Pinochet. Não sei o que dizer".

A verdade é que os jovens "veem o golpe e a ditadura como uma conversa sobre o passado e não sobre o futuro", afirma Espinoza.

2) O pêndulo

No Chile, governam os herdeiros políticos de Allende, mas o Partido Republicano, que defende Pinochet, ganhou protagonismo. Os dois personagens foram reavaliados.

"Este ressurgimento" da imagem de Pinochet "do ponto de vista histórico é um pêndulo", afirma a historiadora Patricia Arancibia à AFP.

Segundo o estudo da Activa Research, 40% dos chilenos acreditam que Allende foi o responsável por conduzir o Chile ao golpe de Estado, enquanto metade tem uma imagem negativa do general Pinochet.

Em plena Guerra Fria, Allende quis implantar o socialismo no Chile. Seu experimento chamou a atenção da América Latina e da Europa, mas irritou os Estados Unidos, que apoiaram o golpe militar em meio à ameaça da expansão comunista.

Mas a figura de Allende ressurgiu e está presente em "Boric e sua geração, os ‘millennials’, (que) têm uma visão bastante mítica e positiva de um presidente que cometeu suicídio e foi sucedido por uma ditadura militar horrível", afirma Eduardo Labarca, autor de "Salvador Allende: Biografia Sentimental".

3) As vítimas

A ditadura executou 1.747 pessoas e prendeu ou provocou o desaparecimento de outras 1.469, das quais apenas 307 foram identificadas. Ainda não se sabe o paradeiro de 1.162 desaparecidos, cujo processo de busca foi assumido recentemente pelo Estado chileno.

Emilia Vásquez nunca teve notícias do seu filho Miguel Heredia, um militante de esquerda de 23 anos capturado em 1973.

"Quando me disseram que o jogaram no mar, foi a coisa mais chocante, porque sempre quis encontrá-lo vivo", lamenta a senhora de 87 anos.

Próximo do regime militar há décadas, o Poder Judiciário começou a investigar as violações dos direitos humanos a partir de 1998. Atualmente, quase 250 agentes da ditadura estão condenados e presos, incluindo os responsáveis pela tortura e assassinato do popular cantor e compositor Víctor Jara.

Pinochet morreu em 2006, aos 91 anos, sem ter colocado os pés na prisão ou no tribunal.

(B.Hartmann--BBZ)