Berliner Boersenzeitung - Justiça francesa investiga os Al Fayed por tráfico de mulheres

EUR -
AED 4.283851
AFN 73.487731
ALL 95.475232
AMD 432.980696
ANG 2.087841
AOA 1070.816537
ARS 1622.569301
AUD 1.639321
AWG 2.102556
AZN 1.976329
BAM 1.948961
BBD 2.350153
BDT 143.167615
BGN 1.945786
BHD 0.440554
BIF 3471.405161
BMD 1.166467
BND 1.489965
BOB 8.062707
BRL 5.828014
BSD 1.166806
BTN 110.612852
BWP 15.771589
BYN 3.285571
BYR 22862.749047
BZD 2.346765
CAD 1.596246
CDF 2706.203174
CHF 0.923585
CLF 0.026821
CLP 1055.618143
CNY 7.976591
CNH 7.98292
COP 4240.81832
CRC 530.637955
CUC 1.166467
CUP 30.91137
CVE 110.668563
CZK 24.40483
DJF 207.304627
DKK 7.472829
DOP 69.259002
DZD 154.830385
EGP 61.863559
ERN 17.497002
ETB 183.135497
FJD 2.5762
FKP 0.863327
GBP 0.866277
GEL 3.137941
GGP 0.863327
GHS 13.052952
GIP 0.863327
GMD 85.152274
GNF 10235.746283
GTQ 8.91468
GYD 244.122312
HKD 9.140142
HNL 31.040207
HRK 7.535839
HTG 152.823731
HUF 367.031692
IDR 20277.450381
ILS 3.497406
IMP 0.863327
INR 111.171261
IQD 1528.071492
IRR 1534487.060367
ISK 143.801971
JEP 0.863327
JMD 182.967953
JOD 0.82702
JPY 187.368385
KES 150.649127
KGS 101.983379
KHR 4677.531942
KMF 492.248906
KPW 1049.781227
KRW 1730.698645
KWD 0.359393
KYD 0.972384
KZT 540.453512
LAK 25633.107543
LBP 104436.761171
LKR 372.801813
LRD 214.484095
LSL 19.678175
LTL 3.444273
LVL 0.705584
LYD 7.407039
MAD 10.805856
MDL 20.087426
MGA 4840.837667
MKD 61.66201
MMK 2449.556444
MNT 4174.651856
MOP 9.419247
MRU 46.635096
MUR 54.859018
MVR 18.027751
MWK 2031.424536
MXN 20.500883
MYR 4.633185
MZN 74.543034
NAD 19.678918
NGN 1604.463581
NIO 42.821174
NOK 10.885351
NPR 176.980206
NZD 2.001681
OMR 0.44851
PAB 1.166806
PEN 4.110626
PGK 5.06267
PHP 71.842649
PKR 325.298418
PLN 4.262007
PYG 7259.525826
QAR 4.250024
RON 5.10866
RSD 117.357054
RUB 87.19153
RWF 1704.207977
SAR 4.374869
SBD 9.37704
SCR 15.984135
SDG 700.486194
SEK 10.885993
SGD 1.49523
SHP 0.870885
SLE 28.697358
SLL 24460.220841
SOS 666.642215
SRD 43.696996
STD 24143.507427
STN 24.729096
SVC 10.210172
SYP 129.168815
SZL 19.654905
THB 38.293355
TJS 10.939067
TMT 4.088466
TND 3.373714
TOP 2.808572
TRY 52.706568
TTD 7.934158
TWD 36.990411
TZS 3044.478063
UAH 51.42953
UGX 4346.746967
USD 1.166467
UYU 46.437049
UZS 14055.924874
VES 566.421989
VND 30743.398667
VUV 138.077204
WST 3.167979
XAF 653.660459
XAG 0.016135
XAU 0.000256
XCD 3.152435
XCG 2.102921
XDR 0.813865
XOF 652.055361
XPF 119.331742
YER 278.348137
ZAR 19.6955
ZMK 10499.598722
ZMW 22.023717
ZWL 375.60183
Justiça francesa investiga os Al Fayed por tráfico de mulheres
Justiça francesa investiga os Al Fayed por tráfico de mulheres / foto: Joel Saget - AFP

Justiça francesa investiga os Al Fayed por tráfico de mulheres

A justiça francesa investiga se Mohamed Al Fayed, proprietário da loja de departamentos Harrods e pai do namorado de Lady Di, Dodi Al Fayed, esteve envolvido em uma rede de abusos sexuais, como afirmam advogadas de mulheres que o comparam ao criminoso sexual Jeffrey Epstein.

Tamanho do texto:

Várias mulheres foram interrogadas sobre o caso na capital francesa.

Uma delas é Kristina Svensson, funcionária do hotel de 5 estrelas Ritz em Paris, de propriedade de Al Fayed, de quem foi assistente de 1998 a 2000.

"Cada vez que me via, me agredia", contou ela à AFP.

O egípcio Mohamed Al Fayed, falecido em 2023, não foi processado em vida.

No fim de 2024, a polícia londrina anunciou que 90 mulheres o acusavam de agressões sexuais e estupros ao longo de mais de 35 anos, de 1977 a 2014.

As demandantes criticam a investigação britânica e depositam suas esperanças na justiça parisiense para esclarecer se esta rede também teria se estendido para a França.

Rachael Louw tinha 23 anos quando foi enviada para o iate de Salah Fayed, irmão de Mohamed Al Fayed, na Costa Azul.

Ela foi interrogada em 10 de fevereiro pelo escritório francês especializado na repressão ao tráfico de pessoas, o OCRTEH.

Esta mulher, hoje com 54 anos, contou à AFP que sentiu "alívio".

"A justiça francesa avança muito mais rápido e não minimiza o que aconteceu conosco, diferentemente dos investigadores do Reino Unido", declarou.

Ao abrir, em 2025, uma investigação por tráfico agravado de pessoas, proxenetismo e estupros, a Promotoria de Paris "mostra que considera as agressões em seu conjunto e que não tem medo de atacar um sistema organizado", avalia Louw.

- "Como carne" para "consumir" -

Louw era vendedora na Harrods quando Mohamed Al Fayed a viu.

No verão de 1994, Louw fez uma visita "prévia à sua contratação no escritório do presidente da Harrods".

Exame pélvico, citologia, "controle mamário exaustivo", teste de HIV. A entrevista foi muito além do que se costuma fazer para um contrato.

E não foi mantido em sigilo.

No relatório dirigido à Harrods que a AFP pôde consultar, o médico detalhou que Rachael tinha perdido a mãe recentemente, tomava pílula, tinha um namorado, e que sua higiene pessoal era "excelente"...

"É um médico que aceita enviar informação confidencial para dar armas ao estuprador", acusa a advogada Eva Joly, que representa Louw, Svensson e suas colegas, Caroline Joly e Agathe Barril.

"Estas jovens eram como carne, da qual se quer saber se é boa para consumir", acrescenta Joly.

Louw acredita que a justiça francesa "pôs as palavras adequadas" sobre estes exames, considerando-os como possíveis estupros.

Depois deste parecer médico, eram organizados vários encontros com Salah Fayed, falecido em 2010, em sua residência em Park Lane.

Louw afirma que ele a drogou uma vez com "uma mistura de crack e cocaína", e a agrediu sexualmente.

Louw se sentiu, então, "aprisionada". Mas, "como Salah Fayed não voltou a fazê-lo", ela pensou que tudo ficaria bem e aceitou se tornar sua assistente na França.

- "Como uma tortura" -

Ela foi enviada em um avião privado. No iate do bilionário, o pessoal confiscou seu passaporte. "Nada" era como ela tinha imaginado.

"Pensava em organizar os dias de Salah Fayed, mas só esperava de mim que estivesse constantemente com ele", relatou.

Louw foi com Salah Fayed a jantares com convidados mais velhos e endinheirados, acompanhados de "moças jovens". "Havia muito contato físico".

Isolada no iate, onde o pessoal estava "proibido de falar com ela", conseguiu fazer contato com o namorado, funcionário da Harrods.

"Souberam e o demitiram", afirma.

Ela lembra que uma noite, Salah Fayed entrou em sua cama.

"Acordei e disse: 'O que você está fazendo?' E ele respondeu: 'Me sinto só'. Fiquei petrificada a noite toda, sem dormir. Era como uma tortura. Estava aterrorizada de que pudesse interpretar algum movimento como um convite para me tocar".

Outro dia, Salah Fayed a levou a Saint-Tropez para a mansão de Mohamed.

"Havia uma moça ruiva, que parecia mais jovem que eu. Mohamed a beijou. Me pediu que parasse de olhar para eles e não lembro de nada depois. Se fui drogada ou não, não posso afirmar com certeza", diz Louw.

A jovem se sentiu ainda mais encurralada quando Salah Fayed anunciou que pensava em levá-la em uma lancha rápida.

"Só havia um quarto... Soube que se subisse nesse barco, nada bom iria acontecer".

Então, entrou em pânico e ligou para a Air France para reservar o primeiro voo.

Salah Fayed se irritou muito quando ela lhe pediu seu passaporte, mas o devolveu, relata. "Soube que eu tinha avisado meus colegas de apartamento".

Ao retornar, Louw bloqueou as lembranças para "sobreviver".

- "Ele ria" -

Por que ela dá seu testemunho trinta anos depois?

Acreditava estar condenada ao silêncio por um acordo de confidencialidade assinado quando a contrataram, mas se sentiu comovida com um documentário da BBC sobre os Al Fayed, exibido em setembro de 2024.

"Tomei consciência do que tinha feito parte e de até que ponto poderia ter sido pior, se não tivesse tido a sorte de poder fugir... Falo porque deve haver um custo para os criminosos, para não continuar estimulando os seguintes".

"Se nós, as mulheres, não denunciamos, nos tornamos cúmplices da nossa própria opressão", insiste Louw. "Os homens poderosos nunca vão mudar o sistema que os beneficia".

Depois da morte de Mohamed e Salah, as demandantes esperam que a justiça possa encontrar cúmplices que tenham permitido a existência deste sistema.

Quem organizava os transportes? E o alojamento?

"Cada elemento é útil para a investigação", avalia Svensson, que convida "vítimas e testemunhas" a falarem com os investigadores parisienses.

Esta sueca chegou à França em 1993. Uma agência de trabalho temporário conseguiu que fosse contratada pelo Ritz, de propriedade de Al Fayed.

Supunha-se que ela seria sua assistente, para ajudá-lo a gerenciar seus assuntos, após a morte do filho, Dodi Al Fayed, e da princesa Diana. Tudo indicava que seria um emprego de prestígio.

Mas na entrevista de trabalho no Ritz, as perguntas se concentraram em sua aparência. Disseram-lhe, inclusive, que ela parecia uma "dublê" da esposa de Al Fayed.

O Ritz a enviou em seguida para Londres. Ela levou seu currículo, mas Al Fayed "não estava interessado nisso".

"Só me fez perguntas pessoais. Fui submetida a um exame ginecológico obrigatório, no qual acredito ter sido drogada", conta.

Posteriormente, viu Al Fayed seguindo o mesmo padrão várias vezes.

Ela permanecia longas horas em um quarto, sem instruções, até que Al Fayed entrava.

Hoje, Svensson descreve as agressões sexuais e as tentativas de estupro durante as quais "ele ria".

- "Microfones e câmeras" -

Por que ficou?

"Esperava que com o tempo, ele se desse conta de que não estava interessada nele e que me levasse a sério", explicou à polícia.

"Era estrangeira, sem família, nem rede no país, sem nenhum conhecimento em direito trabalhista, e não tinha ninguém em quem confiar financeiramente se pedisse demissão".

Svensson se compara a "um produto de luxo entre outros" que Al Fayed queria possuir. "Uma boneca em uma prateleira", bem vigiada.

Os funcionários "a advertiam" que havia "microfones e câmeras por todas as partes do Ritz".

Na mansão de Saint-Tropez, ela afirma que a governanta recomendou que trancasse a porta de seu quarto à noite.

O Ritz afirma estar "profundamente entristecido com os testemunhos e as acusações de abuso", que "considera com a maior seriedade, e que está disposto a cooperar plenamente com as autoridades judiciais".

"A segurança e o bem-estar dos nossos colaboradores, visitantes e clientes constituem nossa prioridade absoluta", acrescenta o palácio na praça Vendôme.

Para as advogadas das duas mulheres, estes testemunhos delineiam os contornos ainda obscuros de um "sistema poderoso", que se assemelha em "muitos aspectos" ao estabelecido na mesma época pelo criminoso sexual Jeffrey Epstein entre Paris e Estados Unidos.

"Assim como no caso de Epstein, nos Fayed há um consumo frenético de mulheres jovens e um sistema organizado para consegui-las. O esquema é o mesmo: seleção de mulheres jovens vulneráveis, transporte, alojamento e o dinheiro, que serve para intimidar ou para se infiltrar", explica Joly.

Os fatos poderiam ter prescrito, mas às vezes são abertas investigações para buscar possíveis vítimas de casos que não prescreveram. "Só estamos no começo da reconstrução do quebra-cabeça na França", afirma a advogada.

(P.Werner--BBZ)