Filósofo francês Edgar Morin morre aos 104 anos
O sociólogo e filósofo francês Edgar Morin, um dos maiores intelectuais do país, morreu na sexta-feira aos 104 anos, afirmou sua esposa à AFP neste sábado (30).
Escritor prolífico, Morin foi um pensador de esquerda e autor de uma obra bastante diversa, que rompe com a sociologia tradicional e se apresenta como uma reflexão sobre o ser humano a partir da ciência.
"Até seus últimos dias, Edgar Morin permaneceu atento ao mundo, aos outros e aos grandes desafios humanos que alimentaram seu pensamento", declarou sua esposa, Sabah Abouessalam Morin, em um comunicado.
"Hoje, o vazio que ele deixa é imenso. Mas sua coragem, sua fidelidade às pessoas e às ideias, sua exigência moral e sua esperança continuam nos acompanhando", acrescentou.
Apesar de sua idade avançada, o intelectual seguia muito presente no debate público.
Doutor honoris causa por 38 universidades estrangeiras, escreveu cerca de 40 livros traduzidos para vários idiomas, incluindo obras como "Introdução ao pensamento complexo", "O Método", "Lições da história" e "A cabeça bem‑feita".
Sua originalidade, simultaneamente a de um historiador, filósofo e cientista, consistiu em romper fronteiras entre as disciplinas.
"Quanto mais conhecemos o ser humano, menos o compreendemos. As dissociações entre disciplinas o fragmentam, o despojam de vida, de carne, de complexidade, e certas ciências supostamente humanas chegam inclusive a esvaziar a noção de homem", escreveu Morin em "O Método", considerado um de seus trabalhos mais importantes.
Edgar Nahoum nasceu em 8 de julho de 1921, em Paris, filho único de uma família judaica sefardita originária da cidade grega de Tessalônica que havia emigrado para a capital francesa.
Em 1941, ingressou no Partido Comunista e entrou para a Resistência com o pseudônimo de Morin.
Em 1959, publicou "Autocrítica", um livro em que relatava sua expulsão do partido, do qual havia sido um dos dirigentes, e seus próprios erros diante do stalinismo.
Também foi um dos fundadores do comitê de intelectuais contra a guerra da Argélia.
(H.Schneide--BBZ)