Berliner Boersenzeitung - Busca desesperada por sobreviventes na Venezuela após terremotos que deixaram 188 mortos

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Busca desesperada por sobreviventes na Venezuela após terremotos que deixaram 188 mortos

Busca desesperada por sobreviventes na Venezuela após terremotos que deixaram 188 mortos

Venezuelanos desesperados buscavam, nesta quinta-feira (25), sobreviventes sob os escombros provocados por dois fortes terremotos que deixaram pelo menos 188 mortos.

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Prédios foram reduzidos a pó, outros ficaram rachados, e as pessoas correram em pânico para se proteger após os tremores de magnitude 7,2 e 7,5 que atingiram o norte do país na quarta-feira, com menos de um minuto de diferença entre eles.

A região mais castigada pela dupla sequência de tremores foi La Guaira, cidade costeira vizinha de Caracas e onde fica o principal aeroporto do país, que foi interditado devido ao terremoto. A AFP constatou saques nessa região.

A presidente Delcy Rodríguez, que assumiu o poder de forma interina após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, visitou nesta quinta-feira essa região, que declarou como "zona de desastre" e onde a AFP constatou a ocorrência de saques.

Seu irmão, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, divulgou o novo balanço de vítimas fatais e informou que 1.520 pessoas ficaram feridas.

Nas redes sociais, multiplicam-se os pedidos de informações sobre desaparecidos, muitos deles em La Guaira. As pessoas consultam listas divulgadas pelos hospitais públicos com os nomes dos feridos.

Entre os feridos estão várias crianças que foram resgatadas. Algumas delas têm apenas o próprio nome escrito com marcador em uma fita amarrada ao pulso e não sabem informar seu sobrenome nem o nome de seus pais.

"Foi terrível. Tudo, tudo desabou", disse à AFP Yilsmaris Blanco enquanto observava o caos ao seu redor em Catia La Mar, um setor do estado costeiro. "Estamos vivos, mas há pessoas que agora estão sofrendo com seus familiares soterrados, com seus familiares presos sob os escombros, e não conseguem retirá-los."

O mundo, em solidariedade, ofereceu o envio de equipes de resgate para apoiar as autoridades locais, que estão sobrecarregadas. O papa Leão XIV informou que destinou uma ajuda emergencial de mais de 100 mil dólares (R$ 519 mil).

- "Venham ajudar" -

No caos de Catia La Mar, os moradores ouviam havia horas uma menina presa com vida sob os escombros. "Precisamos de gente que venha ajudar, militares, que venham ajudar!", disse desesperado Dani Rizo, de 48 anos. "Se eles vierem, podemos tirá-la."

Ela morreu poucos minutos depois; apenas seu cachorro sobreviveu.

"Minha casa desabou completamente, perdi familiares, minha sogra morreu, minha filha está desaparecida, não consigo encontrá-la", declarou, por sua vez, Jean Alexander Capote, de 48 anos, diante de um edifício de mais de 15 andares que perdeu várias paredes durante os tremores.

"O que aconteceu é muito grave, queremos ajuda o mais rápido possível", acrescentou.

Perto dali, homens e mulheres saíam de um comércio saqueado carregando sacolas cheias de produtos.

O primeiro terremoto ocorreu às 18h04 no horário local (19h04 de Brasília), segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Quase um minuto depois ocorreu o segundo, de magnitude 7,5, o mais forte a atingir a Venezuela desde 1900.

A força desses terremotos foi tamanha que eles foram sentidos até mesmo na Colômbia, onde alguns alarmes foram acionados. A presidente Rodríguez informou que, desde então, já ocorreram mais de 30 réplicas.

O tremor também foi sentido em outros estados do país.

A Venezuela é um país de atividade sísmica, embora um grande terremoto não fosse registrado desde 1997. Naquele ano, o terremoto ocorreu em Cariaco, cidade costeira no nordeste do país, e deixou 73 mortos. O último grande terremoto em Caracas havia ocorrido em 1967, com 236 vítimas fatais.

- Equipes de resgate a caminho -

O governo interino decretou estado de emergência nacional e declarou La Guaira como uma "zona de desastre".

Um médico de um hospital de Caracas informou que, desde as primeiras horas da manhã, a unidade passou a receber feridos transferidos da cidade litorânea, onde os hospitais estão superlotados.

A presidente afirmou que conversou com o coordenador da ONU no país e que "equipes especializadas de resgate" já estão a caminho para apoiar as buscas por sobreviventes.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu ajudar seus "novos e grandes amigos". Posteriormente, seu secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou que o país "está mobilizando imediatamente equipes de busca e resgate, recursos médicos e assistência humanitária".

A maior parte dos países da América Latina também manifestou solidariedade e ofereceu ajuda. Chile e México, países com reconhecida experiência no enfrentamento de terremotos, anunciaram o envio de equipes de resgate.

Espanha, Alemanha, Itália, Suíça, China, Índia e a União Europeia também ofereceram assistência.

O aeroporto internacional permanece fechado, mas Caracas conta com uma base aérea localizada dentro da cidade.

- Pânico em Caracas -

As cenas de destruição e pânico também se repetiram em Caracas.

No bairro de Altamira, uma das áreas de maior atividade sísmica da capital, um edifício de 22 andares desabou. Pouco depois dos tremores, era possível ouvir pessoas gritando os nomes de seus familiares na esperança de obter alguma resposta.

Em outros bairros, a situação era semelhante: casas destruídas e edifícios rachados.

"Meu Deus, por que isso está acontecendo? Ai, meu Pai!", lamentava uma mulher diante de outros prédios transformados em escombros. Um homem a abraçava para tentar acalmá-la.

Muitas pessoas passaram a noite dormindo nas ruas ou dentro de carros. Na manhã desta quinta-feira praticamente não havia comércio aberto, embora houvesse intenso movimento de veículos.

"Está tremendo, está tremendo agora!", alertavam os moradores durante as réplicas, perto de um prédio que já havia sido destruído.

Algumas pessoas se deslocaram para áreas mais seguras, enquanto outras permaneceram observando as equipes de resgate removerem os escombros com o auxílio de uma máquina.

(A.Berg--BBZ)