Em um pub de Moscou, Jogos de Inverno fazem clientes esquecer a política
Vestindo uma camisa vermelha com a inscrição "Rússia" em letras maiúsculas, Anton diz: "Não vamos ficar chorando em casa porque os russos têm que usar uma bandeira neutra". Em um pub de Moscou, assistir à abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno fez os clientes esquecerem por um tempo a política.
Na última edição do evento, em 2022, mais de 200 atletas defenderam o Comitê Olímpico Russo e conquistaram cerca de 30 medalhas. Quatro dias após a cerimônia de encerramento, Moscou lançou uma ofensiva na Ucrânia, o que levou ao veto dos atletas russos na maioria das competições internacionais.
Em Milão-Cortina 2026, 13 atletas russos foram autorizados a participar, sob uma bandeira neutra. Em 2023, o Comitê Olímpico Internacional (COI) abriu as portas para a reintegração de atletas do país, desde que não tivessem apoiado abertamente a invasão à Ucrânia.
Para Anton, 39, permanecer sob a bandeira neutra é um detalhe. "Sabemos que eles são atletas da Rússia, exatamente como os atletas da Itália, da França ou da Tailândia. Não são políticos, são atletas", diz o proprietário de uma empresa de produção audiovisual. "A situação mundial neste momento está um pouco dura e estranha. Tentamos esquecê-la", diz.
- Transmissão televisiva -
Negociações complexas entre Moscou e Kiev, com a mediação de Washington, estão em curso para tentar pôr fim ao conflito mais sangrento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Mas, para os clientes desse pub no centro de Moscou, onde meia dúzia de telas transmitiram a cerimônia de abertura dos Jogos de Inverno, o prazer de compartilhar o evento se mistura com a sensação de um retorno próximo à normalidade.
"É uma tradição muito enraizada assistir aos Jogos Olímpicos em família, conversar sobre isto. Estamos seguindo as tradições familiares. Estou feliz por ver que está sendo assim", diz Aliona, 41 anos.
Os Jogos Olímpicos de Paris de 2024 não foram transmitidos na Rússia, mas, desde então, o cenário mudou. O porta-voz do Kremlin indicou nesta sexta-feira que assistiria às cerimônias de abertura e encerramento, e que acompanharia as modalidades com participação russa.
Segundo uma pesquisa realizada pela agência russa RIA Novosti e publicada ontem, 24% dos entrevistados pretendem acompanhar a participação dos atletas russos em Milão-Cortina, sobretudo a da nova estrela da patinação artística Adeliia Petrosian, de 18 anos.
O COI recomendou recentemente às federações que autorizassem as equipes russas a participar de provas de categoria júnior (não profissionais).
No futebol, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, defendeu recentemente, pela primeira vez, o fim da suspensão da Rússia e de seus clubes nas competições internacionais, por considerar que ela gerou "frustração e ódio". A Ucrânia classificou essa posição como "irresponsável".
"Tudo tem um fim, mais cedo ou mais tarde, e acredito que em um ano, dois ou três estaremos de volta e no topo", disse Anna, 27. Já Andrei, um treinador de ciclismo de 28 anos, acha que a Rússia terá "a bandeira, o hino e o uniforme" nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028. "O esporte permanece, apesar de tudo, fora da política."
(T.Burkhard--BBZ)