Berliner Boersenzeitung - Netanyahu alerta que guerra de Israel contra o Hamas será 'longa'

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Netanyahu alerta que guerra de Israel contra o Hamas será 'longa'

Netanyahu alerta que guerra de Israel contra o Hamas será 'longa'

As forças israelenses combatem, neste domingo (8), centenas de milicianos palestinos infiltrados no seu território e continuam bombardeando a Faixa de Gaza, depois que o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, alertou para uma guerra "longa e difícil" contra o movimento islâmico Hamas, que surpreendeu Israel com uma grande ofensiva no sábado.

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A ofensiva lançada por terra, mar e ar pelo movimento islâmico que governa Gaza deixou até agora mais de 200 mortos, incluindo 26 soldados, e mais de 1.000 feridos em solo israelense, segundo o Exército, que acusou o Hamas de massacrar civis em suas próprias casas.

Em Gaza, 313 palestinos morreram e quase 2.000 ficaram feridos em ataques israelenses lançados em resposta, afirmou o Hamas em um novo balanço.

Ao mesmo tempo, inúmeros israelenses, civis e militares, continuam reféns de combatentes palestinos. O Exército de Israel não especificou quantos são, embora o portal de informação digital Ynet fale de uma centena, incluindo mulheres, crianças e idosos.

"A primeira etapa termina agora com a destruição da grande maioria das forças inimigas que se infiltraram no nosso território", declarou Netanyahu. O líder de direita alertou os seus concidadãos que está começando "uma guerra longa e difícil".

"Estamos terminando de recuperar o controle total do território israelense", disse o tenente-coronel Richard Hecht, porta-voz do Exército israelense, depois de relatar "centenas" de infiltrados ainda presentes em cidades no sul de Israel, na fronteira com Gaza.

O Exército anunciou neste domingo que irá retirar todos os moradores que vivem perto do enclave palestino nas próximas 24 horas. Dezenas de milhares de soldados foram enviados para "libertar reféns" e "matar todos os terroristas presentes em Israel", acrescentou o porta-voz militar, Daniel Hagari.

O Conselho de Segurança da ONU realizará neste domingo uma reunião de emergência sobre a situação no Oriente Médio, convocada pelo Brasil, que neste mês ocupa a presidência da organização.

O ataque do Hamas foi condenado por diversos países europeus e latino-americanos. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, transmitiu o seu “apoio infalível” a Israel.

O papa Francisco pediu que "parem os ataques", porque "o terrorismo e a guerra não levam a nenhuma solução, apenas à morte e ao sofrimento de tantas pessoas inocentes".

Entre os falecidos há um argentino, Rodolfo Fabián Skariszewski, que vivia em Moshav Ohad, confirmou à AFP um porta-voz da Chancelaria argentina.

- Em busca de familiares -

Coincidindo com o fim da festividade judaica de Sucot, os combatentes do Hamas iniciaram a sua ofensiva com um dilúvio de milhares de foguetes disparados contra Israel, e conseguiram se infiltrar utilizando veículos, embarcações e até parapentes motorizados.

Os milicianos chegaram a áreas urbanas como Ashkelon, Sderot e Ofakim, a 22 quilômetros de Gaza, e atacaram posições militares e civis no meio da rua.

"Vi muitos corpos", disse Shlomi, um israelense, à AFP em uma estrada perto do kibutz Gevim, no sul de Israel.

Os agressores atacaram uma festa 'rave' com a presença de centenas de jovens israelenses perto do kibutz de Reim, não muito longe de Gaza, onde um número desconhecido de pessoas morreu, segundo a imprensa local.

Jornalistas da AFP viram corpos de civis baleados nas ruas de pelo menos três localidades israelenses: Sderot, o kibutz Gevim e a praia de Zikim, ao norte de Gaza.

As forças israelenses responderam bombardeando vários alvos em Gaza, incluindo vários edifícios apresentados como "centros de comando" do Hamas.

O Exército disse ter atingido 426 alvos do Hamas, incluindo túneis usados para contrabandear materiais para Gaza, edifícios e outras infraestruturas.

Entrevistas com cidadãos em busca de familiares desaparecidos decorreram neste domingo na rádio e na televisão israelenses. Alguns disseram tê-los visto em vídeos que circulavam nas redes sociais, mostrando pessoas sequestradas pelo Hamas em Gaza.

"O que aconteceu não tem precedentes em Israel", reconheceu Netanyahu, no que é o maior ataque em décadas, 50 anos após a guerra do Yom Kippur, em 1973.

No norte, a partir do Líbano, o movimento xiita pró-Irã Hezbollah atacou com projéteis três posições israelenses em uma zona fronteiriça disputada, em "solidariedade" com a ofensiva do Hamas.

O Exército israelense respondeu com ataques no sul do Líbano.

Em outro incidente em Alexandria, na costa mediterrânea do Egito, um policial disparou contra um grupo de turistas israelenses e matou dois deles, assim como o seu guia egípcio, informaram um canal local e a Chancelaria israelense.

Netanyahu anunciou a suspensão do fornecimento de eletricidade, alimentos e outros bens de Israel a Gaza, um enclave costeiro empobrecido e sobrepovoado sujeito a um rígido bloqueio israelense há mais de 15 anos.

A ofensiva do Hamas foi lançada quando Israel e a Arábia Saudita, sob a mediação de Washington, negociavam o estabelecimento de relações bilaterais, uma abordagem condenada pelo Hamas e pelo seu aliado Irã.

(B.Hartmann--BBZ)