Berliner Boersenzeitung - Evacuações do Hondius são concluídas e navio deixa Canárias rumo aos Países Baixos

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Evacuações do Hondius são concluídas e navio deixa Canárias rumo aos Países Baixos
Evacuações do Hondius são concluídas e navio deixa Canárias rumo aos Países Baixos / foto: Antonio Sempere - AFP

Evacuações do Hondius são concluídas e navio deixa Canárias rumo aos Países Baixos

O navio de cruzeiro Hondius, afetado por um surto de hantavírus, deixou nesta segunda-feira (11) a ilha de Tenerife após evacuar mais de 100 de seus passageiros em uma complexa operação iniciada no domingo, e navega rumo aos Países Baixos com uma tripulação reduzida e o corpo de uma vítima fatal.

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"Missão cumprida. Acabamos de terminar a operação com sucesso", comemorou a ministra da Saúde espanhola, Mónica García, após a embarcação deixar o porto de Granadilla.

"Entre ontem e hoje evacuamos 125 passageiros e tripulantes de 23 países que estão em seus países ou estão agora mesmo (...) sendo transportados", acrescentou em uma aparição ao lado do diretor da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Dos evacuados, até o momento, três pessoas testaram positivo para o hantavírus, uma doença contagiosa pouco frequente para a qual não existe vacina, após a sua repatriação: uma francesa, um americano e um espanhol, cujo resultado positivo provisório foi divulgado no início da noite.

Os últimos passageiros retirados do Hondius conseguiram desembarcar na tarde desta segunda-feira, após más condições meteorológicas terem obrigado o navio a atracar no porto da ilha espanhola, onde sua chegada foi recebida com inquietação pela população, com medo de um possível contágio.

Com máscaras cobrindo parte do rosto e plásticos de proteção sobre a roupa, os últimos evacuados dirigiram-se a ônibus vermelhos, e com medidas sanitárias, que os levaram até ao aeroporto de Tenerife Sul, próximo ao local. Lá, dois aviões decolaram com destino aos Países Baixos por volta das 18h45 GMT (15h45 em Brasília).

Pouco antes, o Hondius havia deixado o porto de Granadilla com 27 pessoas a bordo - entre tripulantes, um médico e uma enfermeira da OMS -, e o corpo de uma das falecidas pelo hantavírus.

A travessia para Rotterdam, nos Países Baixos, deve levar cerca de seis dias, segundo sua proprietária, a empresa Oceanwide Expeditions.

- “União e força” -

O Hondius, que havia partido em 1º de abril de Ushuaia, na Argentina, recebeu combustível e suprimentos nesta segunda‑feira, antes de enfrentar a última etapa de uma viagem conturbada que acabou chamando a atenção do mundo todo após a morte de três passageiros em consequência do hantavírus.

Em um breve vídeo publicado nesta segunda-feira no site da Oceanside Expeditions, o capitão do Hondius, Jan Dobrogowski, agradeceu à sua tripulação e aos passageiros, destacando a "união e a força" de todos a bordo e elogiando a tripulação por sua "coragem e determinação altruísta".

Três passageiros do curzeiro — um casal holandês e uma mulher alemã — morreram devido ao hantavírus. Dois testaram positivo para hantavírus e o terceiro é considerado um caso provável, segundo o relatório mais recente da OMS. Além disso, há seis casos confirmados e outros dois prováveis, de acordo com uma contagem da AFP a partir de dados oficiais.

As repatriações foram realizadas de avião e por nacionalidade, 23 ao todo, com rigorosas medidas de segurança para reduzir ao mínimo o contato dos ocupantes do Hondius com outras pessoas.

Enquanto isso, 12 funcionários de um hospital holandês que trata um evacuado que testou positivo para hantavírus estão em quarentena preventiva depois que os procedimentos não foram seguidos corretamente, informou a instituição nesta segunda-feira.

O Hospital Universitário Radboud informou que foram cometidos erros de procedimento ao coletar amostras de sangue e descartar a urina do paciente.

Nesta segunda‑feira, a ministra da Saúde espanhola voltou a defender a segurança da operação. “O governo de Espanha está focado no que tem de fazer, está trabalhando empenhado para que esta operação corra bem”, afirmou Mónica García.

“O mundo está olhando para nós e, aliás, o mundo está agradecendo nosso trabalho e as capacidades que temos na Espanha para realizá-lo”, acrescentou.

O presidente do governo espanhol, o socialista Pedro Sánchez, voltará a reunir‑se na terça em Madri com o diretor da OMS, pela segunda vez em quatro dias.

- "Não é outra covid" -

No domingo partiram voos para Madri, para levar os espanhóis que fazem quarentena em um hospital militar, para a França, Países Baixos — que levou um passageiro argentino e um tripulante guatemalteco, os dois latino-americanos do navio —, Canadá, Irlanda, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos.

"Para as pessoas dos países que estão recebendo seus cidadãos, [não têm] nada a temer, o risco é baixo, isto não é outra Covid", reiterou Tedros Adhanom Ghebreyesus em Tenerife nesta segunda-feira.

Segundo as autoridades de saúde, os passageiros foram classificados como "contatos de alto risco" e deverão cumprir quarentenas ao chegarem ao destino, de acordo com os protocolos decididos por cada país.

O hantavírus costuma ser transmitido a partir de roedores infectados, com mais frequência por meio de urina, excrementos e saliva destes animais.

Mas a variante do vírus detectada no Hondius, da cepa Andes, é um tipo incomum que pode ser transmitido entre humanos.

(O.Joost--BBZ)