Berliner Boersenzeitung - 'Vivemos com medo': eleições no Peru são marcadas pela insegurança

EUR -
AED 4.115347
AFN 72.827382
ALL 90.892243
AMD 403.904381
ANG 2.005317
AOA 1028.547893
ARS 1731.302548
AUD 1.598093
AWG 2.016761
AZN 1.941485
BAM 1.954506
BBD 2.255706
BDT 139.317741
BGN 1.95831
BHD 0.42282
BIF 3367.070258
BMD 1.120423
BND 1.432551
BOB 13.602478
BRL 6.093084
BSD 1.119958
BTN 106.228653
BWP 15.471169
BYN 3.308909
BYR 21960.291454
BZD 2.252408
CAD 1.566116
CDF 2593.779915
CHF 0.916898
CLF 0.027839
CLP 1095.672815
CNY 7.463249
CNH 7.446488
COP 3597.812811
CRC 509.262756
CUC 1.120423
CUP 26.878201
CVE 110.192029
CZK 24.32825
DJF 199.121629
DKK 7.473339
DOP 68.054933
DZD 152.119652
EGP 62.016086
ERN 16.806346
ETB 181.994077
FJD 2.527561
FKP 0.836692
GBP 0.835219
GEL 2.91117
GGP 0.836692
GHS 13.058818
GIP 0.836692
GMD 82.911558
GNF 9912.435786
GTQ 8.56233
GYD 234.77291
HKD 8.791376
HNL 30.105064
HRK 7.584155
HTG 146.792791
HUF 364.163814
IDR 20285.034934
ILS 3.518632
IMP 0.836692
INR 106.097058
IQD 1697.775699
IRR 2093415.201667
ISK 136.20969
JEP 0.836692
JMD 177.972143
JOD 0.794367
JPY 176.826839
KES 145.587699
KGS 97.980774
KHR 4581.088972
KMF 494.106727
KPW 1008.380687
KRW 1505.87115
KWD 0.348833
KYD 0.933307
KZT 506.844357
LAK 25216.301259
LBP 100293.564148
LKR 372.32344
LRD 190.383924
LSL 18.639656
LTL 3.308318
LVL 0.677733
LYD 7.18724
MAD 11.012008
MDL 20.232144
MGA 5057.650722
MKD 61.536654
MMK 2352.545384
MNT 4032.767773
MOP 9.050806
MRU 45.380948
MUR 53.018934
MVR 17.310396
MWK 1942.083247
MXN 20.785001
MYR 4.562025
MZN 71.60612
NAD 18.639656
NGN 1506.420026
NIO 41.212708
NOK 10.405195
NPR 169.965445
NZD 1.991631
OMR 0.430828
PAB 1.120198
PEN 3.884528
PGK 5.022674
PHP 70.961432
PKR 309.801543
PLN 4.416825
PYG 6629.609739
QAR 4.093889
RON 5.335479
RSD 117.570512
RUB 91.03644
RWF 1656.44742
SAR 4.217765
SBD 9.0286
SCR 15.498414
SDG 673.931726
SEK 10.950314
SGD 1.432689
SHP 0.838452
SLE 25.656778
SLL 23494.715726
SOS 640.076129
SRD 42.104942
STD 23190.494665
STN 24.483786
SVC 9.799511
SYP 14567.739927
SZL 18.63366
THB 37.760682
TJS 10.298148
TMT 3.921481
TND 3.347283
TOP 2.697709
TRY 55.986945
TTD 7.575983
TWD 36.523537
TZS 2963.527889
UAH 51.147729
UGX 4792.826094
USD 1.120423
UYU 45.03018
UZS 13383.137418
VES 994.352807
VND 28866.579032
VUV 133.235312
WST 3.110538
XAF 655.957
XAG 0.022012
XAU 0.000282793713
XCD 3.027999
XCG 2.018363
XDR 0.792197
XOF 655.957
XPF 119.331742
YER 264.594646
ZAR 18.569409
ZMK 10085.199566
ZMW 22.679791
ZWL 360.77576
SSP 6437.074171
MXV 2.340787
'Vivemos com medo': eleições no Peru são marcadas pela insegurança
'Vivemos com medo': eleições no Peru são marcadas pela insegurança / foto: Connie FRANCE - AFP

'Vivemos com medo': eleições no Peru são marcadas pela insegurança

Epifania Almeyda tinha 15 anos quando deixou sua cidade natal, Ayacucho, nos Andes, para escapar do conflito armado que assolava o Peru. Três décadas depois, em um bairro no nordeste de Lima, ela vive aterrorizada pelos criminosos que extorquem e matam à luz do dia.

Tamanho do texto:

Almeyda espera, assim como quase 70% dos peruanos, segundo pesquisas, que o fim desse flagelo seja a prioridade do vencedor do segundo turno das eleições presidenciais de domingo (7), entre a candidata de direita Keiko Fujimori e o candidato de esquerda Roberto Sánchez.

"Vivemos com medo, até mesmo para abrir a porta... quando nossos filhos vão para a escola", diz Almeyda em uma casa de madeira azul, onde prepara pratos em enormes panelas de alumínio que o refeitório comunitário vende por menos de um dólar para pessoas muito pobres.

No alto de uma colina em San Juan de Lurigancho, em um bairro de estreitas vielas de terra com escadas de concreto, os moradores se sentem "abandonados", conta essa mulher de 47 anos. "A polícia nunca aparece por aqui", lamenta.

Em sua quarta tentativa de conquistar a presidência, Fujimori promete desta vez uma política de "mão dura" contra o crime e San Juan de Lurigancho foi o distrito onde ela recebeu o maior número de votos no primeiro turno da eleição presidencial, em 12 de abril.

Sánchez, seu adversário, fala em reformas constitucionais para permitir que os militares auxiliem a polícia.

A região de Lima, onde fica San Juan de Lurigancho, registrou 23 homicídios por 100 mil habitantes em 2025, três vezes mais do que há cinco anos, segundo dados oficiais.

- Do "terrorismo" ao crime -

Comparando gangues criminosas aos insurgentes derrotados pelo ex-presidente autocrático Alberto Fujimori, sua filha Keiko, durante uma visita recente a San Juan de Lurigancho, prometeu confrontar esses "flagelos sociais" com a mesma força.

Todas as manhãs, ao sair de casa, o motorista Jacob Cóndor reza ao Senhor de Muruhuay (o Cristo crucificado): "Tenho medo de não voltar", diz ele à AFP ao volante durante uma rota.

Pendurada no para-brisa de seu ônibus, há uma pequena imagem religiosa, ao lado de um macaquinho de pelúcia colorido que ganhou de sua filha de oito anos.

As denúncias de extorsão aumentaram 20% em 2025 no Peru, em comparação com o ano anterior, e o setor de transportes foi o mais afetado. Pelo menos 75 motoristas foram assassinados, a maioria em Lima, segundo a polícia.

"Você sai para trabalhar com medo. Um passageiro entra e pode atirar em você pelas costas", diz o motorista de 33 anos, que afirma que votará em Fujimori por causa de "sua firmeza no combate à insegurança".

Seis soldados fazem a segurança da empresa de transportes onde Cóndor trabalha. Policiais patrulham o interior dos ônibus, alguns dos quais exibem adesivos nas janelas com o slogan: "Motoristas com Keiko".

Julio César Raurau, um empresário do ramo de transportes de 48 anos, explica que pelo menos sete gangues os ameaçam por meio de mensagens enviadas por papel e WhatsApp.

"Assim como seu pai acabou com o terrorismo, ela acabará com as organizações criminosas. Estamos em uma guerra interna", disse ele à AFP.

- Criminosos aproveitam o caos -

Mas Epifania Almeyda não está totalmente convencida.

"Estou traumatizada. Escapei de terroristas e dos militares... (mas) com qualquer político que assumir, a situação será a mesma", diz ela após ajudar a preparar "carapulcra" (um ensopado de batatas e carne de porco) para cerca de 70 pessoas.

Oliver Cotera, de 50 anos, também culpa "a classe política" pela insegurança, indignado com o fato de três mototaxistas como ele terem sido mortos em apenas um fim de semana.

"Queremos uma mudança radical", diz Cotera, revelando que votará em Sánchez porque Keiko, com enorme influência no Congresso há pouco mais de uma década, "não fez nada pelo povo".

Embora vá votar de forma diferente, Raurau concorda com Cotera ao associar o aumento da insegurança à instabilidade política do Peru, que teve oito presidentes em dez anos devido a impeachments ou renúncias promovidas pelo Parlamento.

"As organizações criminosas se aproveitaram disso. Não estávamos preparados para enfrentar essa ameaça interna e externa", afirmou.

Gangues como o Tren de Aragua', originária da Venezuela, se espalharam por todo o Peru, enquanto anos de turbulência política minaram a capacidade do Estado de reagir.

(L.Kaufmann--BBZ)