Berliner Boersenzeitung - Com nova vitória na Colômbia, a direita avança na América Latina

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Com nova vitória na Colômbia, a direita avança na América Latina

Com nova vitória na Colômbia, a direita avança na América Latina

A nova onda de líderes populistas de direita segue varrendo a América Latina e obteve mais uma vitória com a eleição de Abelardo de la Espriella para a Presidência da Colômbia. Mas a que se deve esta tendência? Será duradoura?

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Com as grandes exceções do Brasil e do México, é difícil encontrar um palácio presidencial na região que não seja ocupado por um direitista carismático com discurso de linha-dura.

A direita venceu eleições da Argentina a Honduras. Mas especialistas veem poucas provas de uma mudança ideológica estrutural; percebem, ao contrário, um terreno favorável para os 'outsiders', candidatos alheios ao sistema político tradicional.

O que une os vencedores, segundo a especialista em extrema direita Lisa Zanotti, é sua capacidade de canalizar o ressentimento, construir uma forte marca pessoal e forjar alianças.

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, que prendeu quase 2% da população do país, pode ter servido como modelo.

Oferecendo soluções aparentemente simples contra o crime, a estagnação econômica e uma elite política desacreditada, ele desfruta de uma popularidade astronômica em seu país e costuma liderar as pesquisas na região.

Seu modelo foi amplamente replicado, inclusive por De la Espriella. Também sempre impecavelmente penteado, o presidente eleito colombiano tem sido apelidado, em tom de brincadeira, de o "Bukele de Temu" por alguns comentaristas de seu país.

Segundo Zanotti, pesquisadora do Instituto de Democracia da Central European University, em Budapeste, os sistemas presidenciais da América Latina podem facilitar esta tendência.

"As eleições presidenciais permitem aos empreendedores políticos abandonar partidos frágeis ou desacreditados e estabelecer uma relação direta com os eleitores", disse.

- A receita vencedora -

"Na década dos 2000, vimos governos da 'maré rosa' na América Latina", com várias vitórias da esquerda, disse Anthony Pereira, da Universidade de Tulane, nos Estados Unidos. Para ele, o populismo latino-americano é uma tradição em transformação.

A esquerda venceu mediante programas de subsídios, aumentos salariais, formalização do emprego e ampliação do acesso ao crédito e à educação. Isto ocorreu durante um 'boom' das matérias-primas de exportação.

"O número de pessoas que viviam na pobreza diminuiu", disse Pereira.

Depois, com o colapso dos preços das matérias-primas, "o otimismo da década de 2010 virou decepção".

Paralelamente, "o crime organizado se fortaleceu e chegou a controlar bairros inteiros, até prisões. Os eleitores começaram a responder com mais entusiasmo aos políticos que afirmavam ser antissistema".

De la Espriella não só apelou aos eleitores anti-esquerda, mas também a uma classe média em ascensão frustrada com a insegurança, um tema central em todas as eleições recentes na América Latina.

Enquanto a esquerda tem dificuldades para formular uma resposta, a direita promete soluções rápidas, como bombardeios ou megapresídios.

- Onda de violência -

No mundo ainda se costuma associar o crime organizado a cartéis de cocaína impiedosos e chefões temerários como Pablo Escobar.

Mas em realidades como as do Equador e do Brasil, embora violentos, estes grupos se tornaram conglomerados bilionários.

Em vez de se limitarem a enviar cocaína aos Estados Unidos, estas organizações agora se inserem na vida cotidiana dos latino-americanos: extorquem os motoristas de ônibus no Peru ou se apoderam de minas de ouro nas florestas venezuelanas.

"É extorsão demais. Os negócios estão fechando. As pessoas não conseguem vender", diz Sandra Gutiérrez, uma eleitora de 60 anos da cidade portuária de Barranquilla, na Colômbia, reduto político de De la Espriella.

Segundo a última pesquisa Latinobarómetro, 75% dos latino-americanos entrevistados em uma dúzia de países disseram que a criminalidade tinha aumentado no último ano.

E um terço disse que eles ou seus familiares foram diretamente afetados pelo crime nesse período.

- O tio Sam -

Os governos de direita em Estados Unidos, Rússia, Israel e Europa também têm se esforçado para exportar seu modelo ou buscar líderes na América Latina que compartilham sua visão.

O presidente americano, Donald Trump, buscou abertamente fazer a balança se inclinar para a direita em várias eleições na região.

Ele ameaçou a Colômbia com a retirada de bilhões de dólares em ajuda militar em caso de vitória do senador Iván Cepeda, aliado do presidente de esquerda Gustavo Petro, a quem Trump considera um "marxista radical".

O resultado: os índices de aprovação de Petro aumentaram. Nas eleições de domingo, seu candidato obteve 1,5 milhão de votos a mais que os que ele mesmo conseguiu há quatro anos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também cresceu nas pesquisas quando Trump ameaçou o Brasil com o 'tarifaço' e tentou apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato às eleições presidenciais de outubro.

- Do discurso ao exercício do poder -

Já no poder, alguns líderes veem as dificuldades de atender às expectativas.

O boliviano Rodrigo Paz enfrentou protestos que provocaram uma escassez generalizada. O equatoriano Daniel Noboa inicialmente reduziu a taxa de homicídios, mas desde então esta voltou a alcançar máximos históricos.

No Chile, a popularidade de José Antonio Kast despencou em seus primeiros 100 dias no cargo.

Analistas colombianos se perguntam se De la Espriella terá um destino similar.

Ele fez "campanha preto no branco, aprofundando as diferenças, enquanto se governa na escala de cinzas", disse o pesquisador Juan Álvarez, do Instituto Caro y Cuervo.

"Ainda não sabemos" como será seu governo na realidade, acrescentou.

(U.Gruber--BBZ)